Uma criança em idade escolar morreu esta quarta-feira nos Estados Unidos infetada com sarampo. De acordo com a Associated Press, a criança, que morreu na cidade de Lubbock, no Texas, não se encontrava vacinada contra o sarampo. É a primeira vez desde 2015 que morre uma criança nos EUA vítima de sarampo, uma doença para a qual existe vacinação eficaz e generalizada. Contudo, com o declínio nas taxas de vacinação verificado nos últimos anos nos EUA, a doença tem-se espalhado com especial incidência nas zonas onde há mais crianças que não foram vacinadas.
As autoridades de saúde do estado do Texas confirmaram a morte de uma “criança em idade escolar que não estava vacinada”, mas não adiantaram mais detalhes sobre a identidade da vítima mortal.
Em causa está um surto de sarampo na zona rural do Texas Ocidental, que esta semana já tinha dado origem a 124 casos — a que se somam nove casos no estado vizinho do Novo México. De acordo com as autoridades de saúde norte-americanas, trata-se do maior surto de sarampo no Texas em quase 30 anos.
Segundo a AP, a doença está a disseminar-se sobretudo entre os membros da comunidade menonita do Texas Ocidental — um movimento do ramo anabatista do Cristianismo evangélico, com origens nos movimentos reformistas do século XVI, na Europa, e com grande presença no sul dos Estados Unidos. Entre os elementos dessas comunidades rurais existe uma baixa taxa de vacinação, sobretudo visível entre as famílias mais religiosas, cujos filhos frequentam pequenas escolas privadas ou recebem educação em casa, diz ainda a mesma agência.
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O condado de Gaines, o mais afetado pelo surto, onde se concentram 80 casos de sarampo, é um dos locais dos Estados Unidos onde há uma maior percentagem de crianças cujas famílias rejeitam pelo menos uma das vacinas obrigatórias para a entrada na escola: 14% das crianças em idade escolar estavam nestas condições no ano letivo 2023-2024.
A maioria dos casos de sarampo estão a ser registados em pessoas menores de idade, o que é consistente com uma redução nas taxas de vacinação contra o sarampo nos EUA: a primeira dose da vacina deve ser tomada entre os 12 e os 15 meses; a segunda entre os 4 e os 6 anos. Trata-se de uma vacina obrigatória para a entrada das crianças nas escolas públicas.
Segundo a AP, a taxa de vacinação nos Estados Unidos tem vindo a decrescer significativamente desde a pandemia da Covid-19, encontrando-se atualmente abaixo de 95% nos jardins de infância na maioria dos estados — um limite considerado necessário para evitar surtos de sarampo. Nos últimos anos têm-se multiplicado os surtos por todo o país, sobretudo nas zonas com menor taxa de vacinação.
O secretário da Saúde do governo norte-americano, Robert F. Kennedy Jr. (conhecido pela retórica anti-vacinas, incluindo por difundir a teoria da conspiração segundo a qual as vacinas causam autismo), já veio garantir que o governo está a monitorizar o surto, mas que considera que o surto não é invulgar.
Já o governador do Texas, Greg Abbott, já veio garantir que o departamento estadual de saúde se encontra nas zonas afetadas com epidemiologistas e equipas de vacinação.