Cientistas encontraram novas evidências de que os humanos viveram em florestas tropicais há pelo menos 150.000 anos em África, o lar da espécie humana, muito antes do que se pensava.
O Homo sapiens teve origem em África há cerca de 300.000 anos, mas os contextos ecológicos e ambientais da evolução são ainda pouco compreendidos.
Na procura de respostas, as florestas tropicais foram muitas vezes esquecidas, geralmente consideradas barreiras naturais à habitação humana.
Num novo estudo publicado na revista Nature, uma equipa internacional de investigadores desafia esta visão com a descoberta de que os humanos viviam em florestas tropicais na atual Costa do Marfim muito antes do que se acreditava, noticiou na quarta-feira a agência Europa Press.
¡Homo sapiens en la selva de África occidental hace 150 ka! Un yacimiento ya destruido y material arqueológico perdido, pero la datación del sedimento ha podido determinar este gran hallazgo.
Humans in Africa’s wet tropical forests 150 thousand years agohttps://t.co/9gxcs8oh2z— Roberto Sáez (@robertosaezm) February 26, 2025
O artigo revela que os grupos humanos viveram em florestas tropicais há pelo menos 150.000 anos e defende que a evolução humana ocorreu numa variedade de regiões e habitats.
Los humanos ya vivían en selvas africanas hace 150.000 añoshttps://t.co/GjFgDeMjbo pic.twitter.com/tkzA1MqiFf
— Ciencia Plus (@cienciaplus) February 26, 2025
A história desta descoberta começa na década de 1980, quando o coautor Yodé Guédé da Universidade Félix Houphouët-Boigny, numa missão conjunta costa-marfinense-soviética, investigou o local.
Os resultados deste estudo inicial revelaram um sítio profundamente estratificado contendo ferramentas de pedra numa área que é agora uma floresta tropical. Mas nem a idade das ferramentas nem a ecologia do local quando foram depositadas puderam ser determinadas, de acordo com uma declaração da Universidade de Liverpool, que esteve envolvida no estudo.
“Vários modelos climáticos recentes sugeriram que a área também poderia ter sido um refúgio de floresta tropical no passado, mesmo durante períodos secos de fragmentação florestal”, explicou a professora Eleanor Scerri, líder do grupo de investigação de Paleosistemas Humanos no Instituto Max Planck de Geoantropologia e principal autora do estudo.
“Sabíamos que o local apresentava a melhor oportunidade possível para descobrir até onde no passado, se estendia a habitação da floresta tropical”, acrescentou.
A study in @Nature suggests that humans were living in the wet tropical forests of Africa as early as 150,000 years ago, representing the earliest known evidence for humans in this habitat type. https://t.co/9cD3un1Z4B pic.twitter.com/pJtrzofplF
— Nature Portfolio (@NaturePortfolio) February 26, 2025
A equipa de Paleosistemas Humanos organizou, então, uma missão para reinvestigar o local.
“Com a ajuda do professor Guédé, conseguimos realocar o poço original e reinvestigá-lo utilizando métodos de última geração que não estavam disponíveis há trinta ou quarenta anos”, contou James Blinkhorn, investigador da Universidade de Liverpool e do Instituto Max Planck de Geoantropologia.
O novo estudo foi realizado mesmo a tempo, uma vez que o local foi destruído pela atividade mineira.
“Antes do nosso estudo, a evidência mais antiga e segura de habitação em florestas tropicais africanas datava de há cerca de 18.000 anos, e a evidência mais antiga de habitação em florestas tropicais em qualquer lugar veio do Sudeste Asiático, de há cerca de 70.000 anos”, realçou Eslem Ben Arous, investigador do Centro Nacional de Investigación sobre la Evolución Humana (CENIEH), do Instituto Max Planck de Geoantropologia e principal autor do estudo.
Guédé destacou que esta “descoberta emocionante é a primeira de uma longa lista, pois existem outros locais na Costa do Marfim à espera de serem investigados para estudar a presença humana associada à floresta tropical“.