O Mundial-2030 está ainda a mais de cinco anos de distância mas os estádios nacionais que irão receber mais de dez encontros da competição terão outra dimensão e aparência ainda antes dessa fase final. Da parte do Benfica, os planos estão há alguns meses anunciados: a ideia passa por aumentar a capacidade total do recinto para 70.000 espectadores, com uma baliza temporal para esse incremento faseado estar concluído até ao final da temporada de 2026/27. Do outro lado da Segunda Circular, as intenções também foram há muito partilhadas mas com pormenores que vão sendo conhecendo aos poucos. Esta quinta-feira, à semelhança do que acontecera no ano passado, a participação do Sporting no Business of Football Summit organizado pelo Financial Times, em Londres, permitiu desvendar mais algumas das ideias sobre esse projeto.

O case study de sucesso que desperta interesse lá fora: camisola do Sporting inspirada em Ronaldo vendeu sete vezes mais do que o recorde

“Vemo-nos, e deixámo-lo claro no nosso plano estratégico, na interseção de três grandes sectores: wellbeing, entertainment e lifestyle. Queremos ser uma referência. Ambicionamos ser um hub de entretenimento, com uma perspetiva abrangente de áreas que podemos desenvolver. A mais imediata passa por maximizar a experiência no estádio e daí a sua renovação. Podemos pensar na otimização das receitas que temos, especialmente em jogo, mas percebemos que existem muitas receitas inexploradas em dias sem jogos e que estão relacionadas com o ecossistema do entretenimento”, explicou André Bernardo, chefe de Estratégias e Operações dos leões, no painel “Parcerias Comerciais – à procura de maior valor”.

“É importante compreender que quanto mais capazes formos de otimizar as nossas receitas comerciais, maior capacidade teremos para gerir as receitas relacionadas com as transferências de jogadores. E isso é relevante especialmente no nosso modelo de negócio. Se tivermos receitas comerciais mais altas, seremos capazes de adquirir melhores jogadores, reter melhores jogadores e vender melhor”, frisou o responsável verde e branco, num espaço onde estavam também representados Barcelona e Newcaste.

“Desenvolvemos uma abordagem baseada no valor. Estamos a adicionar camadas à experiência. Falo de lugares com vista o mais próxima possível do relvado, experiências VIP, acesso exclusivo ao túnel, entre outras ofertas que já existem em alguns dos melhores estádios. Temos feito vários estudos de viabilidade, conjoint analysis e a procura existe. Por isso, temos de criar a oferta. Quanto mais otimizarmos a oferta de hospitalidade e, por consequência as receitas comerciais, melhor conseguiremos investir na experiência dos sócios”, apontou, antes de recordar também a recente recompra do Alvaláxia: “No nosso caso concreto, temos um centro comercial dentro do estádio. Isto significa uma série de novas fontes de receita que não estão necessariamente relacionadas com futebol mas que podemos explorar.”

[No podcast “Somos Todos Malucos“, António Raminhos fala sobre os nossos medos, ansiedades e superações em conversas descomplicadas e divertidas em torno da saúde mental. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts e no Spotify]

De recordar que, depois de várias intervenções de renovação que foram sendo feitas no Estádio José Alvalade nos últimos anos, da mudança de todas as cadeiras à renovação de espaços interiores entre casas de banho, bares e torniquetes, o recinto leonino irá ficar sem o fosso entre bancadas e relvado que existe desde a sua inauguração em 2003, ganhará novos lugares VIP e terá um aumento de capacidade para mais dois mil lugares, entre outras novidades ainda não reveladas como a colocação de um novo videoscreen depois da remoção dos dois existentes nos topos. A par disso, o Sporting passará também a fazer a exploração de todo o Alvaláxia, espaço que será potenciado pela criação do Campo Novo, projeto imobiliário que está a ser erguido nos terrenos do antigo estádio depois de um longo período em que foi apenas um mero descampado.

Em paralelo, e também como tinha acontecido no mesmo fórum em 2024, André Bernardo voltou a abordar a ligação entre Sporting, Nike e Cristiano Ronaldo. “É obviamente uma fonte de receitas que muito nos ajuda. A parceria com a Nike e a marca CR7 foi um grande sucesso porque o Cristiano Ronaldo é reconhecido em todo o mundo. E esta é uma forma de ganhar escala mundial. Ao ter um novo estádio, que será também um novo hub de entretenimento onde os adeptos podem e devem ir sete dias por semana, mais patrocinadores terão interesse em associar-se ao Sporting”, salientou o dirigente a esse propósito.