Apesar de já estar a enfrentar grandes dificuldades em lidar com a sua situação financeira periclitante, a Nissan deu mais um passo rumo ao abismo. As duas principais empresas de rating anunciaram a despromoção da dívida do construtor nipónico para lixo, o que limita o seu acesso ao mercado para se financiar e torna a renovação da dívida actual mais onerosa, apesar do construtor ter anunciado o despedimento de 9000 empregados e o corte de 20% na capacidade de produção de veículos, para se tornar mais rentável.

Depois de afastada a possibilidade da fusão com a Honda e do fim a prazo do casamento com a Renault, que deseja desesperadamente desfazer-se da participação que ainda detém na marca japonesa, a administração viu a Fitch baixar para terreno negativo (BB+) a notação da dívida da Nissan, motivada pelo “baixo nível de rentabilidade da empresa” e a “perspectiva de um longo caminho para a recuperação”.

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A Moody’s alinhou pela sua colega Fitch e também ela baixou para lixo a dívida do construtor japonês, o que coloca em sintonia as duas maiores agências financeiras do mundo. Para esta conclusão dos analistas contribuiu a constante procura (sem sucesso) de um parceiro estratégico para a Nissan, bem como a situação da marca nos mercados norte-americano e chinês.

Na China, as vendas da marca japonesa caíram 24% em 2023, não sendo de esperar qualquer recuperação em 2024, o que se confirmará no término do ano fiscal que, neste caso, ocorre no final de Março. Este desempenho da Nissan no maior mercado do mundo é particularmente preocupante, uma vez que o construtor nipónico vende ali cerca de um quarto do total dos veículos produzidos.

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Já nos EUA, o futuro está sob ameaça dos impostos adicionais às importações, dado que a Nissan fabrica no México uma série de modelos que, até agora, eram exportados para o outro lado da fronteira a custo zero, devido à ausência de taxas comerciais entre os dois países, algo a que Donald Trump quer colocar ponto final. Durante o ano fiscal de 2024 (de Março a Março), deverão ser exportados cerca de 300.000 veículos para os EUA e a taxa de 25% que deverá ser imposta vai limitar fortemente as margens de lucro do construtor.