O relatório preliminar da Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso das gémeas foi esta sexta-feira apresentado no Parlamento pela relatora do documento, Cristina Rodrigues.  A deputada do Chega, acompanhada na conferência de imprensa pelo líder do partido, André Ventura, concluiu que “houve interferência política” na obtenção de medicação por parte das duas crianças luso-brasileiras.

Os dois políticos cuja atuação é questionada são o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa e o ex-secretário de Estado socialista António Lacerda Sales. Cristina Rodrigues defende que a influência política neste caso pôde ser constada em dois momentos: na obtenção da nacionalidade portuguesa por parte das gémeas nascidas no Brasil e na marcação da consulta médica para as crianças, decisão que o documento preliminar conclui “não se tratar apenas de uma decisão do foro clínico”.

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Sobre o Presidente da República, a deputada do Chega focou-se nas trocas de mensagens com o filho. O relatório conclui que Nuno Rebelo de Sousa estava em comunicação na mesma altura com José Magro, vice-presidente Câmara de Comércio e Indústria Luso-Brasileira, tendo-lhe dito “já estamos a escalar”, após ter pedido “uma ajuda” ao pai. “Estes emails são são coincidentes e parecem articulados, é difícil que não estejam a falar da mesma coisa”, conclui Cristina Rodrigues.

A deputada do Chega assegura também que “existe um conjunto de evidências que deixam muito difícil” que António Lacerda Sales não tenha tido influência no caso, tal como o próprio afirmou quando foi chamado à CPI. Cristina Rodrigues aponta para “o facto de [Lacerda Sales] ter reunido com Nuno Rebelo de Sousa”, de quem admite ter recebido um pedido para desbloquear a situação. “Temos depoimentos que vêm no sentido de dizer que Lacerda Sales deu a ordem para que fosse marcada a consulta”, afirmou a deputada do Chega.

Na Assembleia da República, a relatora do documento preliminar disse que foram ainda identificados “outro tipos de incongruências”, por exemplo o facto de Daniela Martins, a mãe das gémeas, ter afirmado que não conhecia Nuno Rebelo de Sousa. “É evidente que isso não corresponde à verdade.”

A deputada do Chega deixou ainda uma palavra de reconhecimento aos “médicos”, que assinalou terem tido “um papel central na denúncia da pressão política que sofreram”.

O relatório preliminar deverá ainda ser discutido e votado em Plenário. A data para que tal aconteça poderá ter de ser adiada caso o Governo veja chumbada a moção de confiança que apresentou esta semana. Nesse caso, o Presidente da República deverá dissolver o Parlamento como o próprio já assumiu.

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