O antigo chefe dos serviços de segurança interna franceses, Bernard Squarcini, foi considerado culpado de ter utilizado recursos públicos em benefício da LVMH, o maior grupo de luxo do mundo, por quem acabou por ser contratado em 2013, depois de deixar as secretas. Agora, foi condenado a dois anos de prisão, que pode cumprir em casa com uma pulseira eletrónica, e uma indemnização de 200 mil euros, avança a Reuters. De acordo com os advogados, vai recorrer da sentença.

Em causa está o facto de, ainda enquanto chefe das secretas, Squarcini ter usado a sua influência para recolher informação privilegiada e espiar chantagistas que visavam o presidente e diretor executivo da LVMH, o grupo francês detentor de marcas de luxo como Louis Vuitton, Dior e Givenchy, em 2008. Nesse ano, os agentes de segurança vigiaram um cibercafé na região da Provença, no sul de França, para identificar um suspeito que enviava emails com o objetivo de chantagear Bernard Arnault, no âmbito de uma missão que Squarcini defendia como sendo de proteção dos interesses económicos franceses.

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Squarcini foi ainda considerado cúmplice de espiar ilegalmente o jornalista — e na altura ativista — François Ruffin e os seus colegas do jornal de esquerda Fakir, que planeavam interromper uma reunião de acionistas da LVMH em 2013. Em 2016, Ruffin produziu um documentário sobre Bernard Arnault que, intitulado “Merci Patron”, expunha o caso de milhares de pessoas que perderam o emprego num fornecedor da LVMH — uma fábrica que produzia roupa para a Kenzo e que viu a sua fábrica mudar para a Polónia. O filme, que ganhou o prémio César para o melhor documentário em 2017, acompanhava uma família, cujos membros ficaram desempregados.

O advogado de Ruffin, Benjamin Sarfati, congratulou-se com o veredito de sexta-feira: “Estamos satisfeitos com esta decisão que serve como um apelo à ordem, embora lamentemos a ausência do senhor Bernard Arnault entre os réus”, disse. Quanto à LVMH, que em 2021 chegou a um acordo de 10 milhões de euros com o jornalista francês, recusou-se a comentar.

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