Bärbel Bas, ministra do Trabalho da Alemanha e copresidente do Partido Social-Democrata (SPD), anunciou, esta segunda-feira, a demissão dos dois cargos, alegando precisar de tempo para lidar com a morte da enteada e denunciando os ataques políticos de que foi alvo durante o período de luto, noticiou o Die Zeit.
“Depois da morte da minha enteada, percebi que preciso de tempo para lidar com o meu luto”, afirmou Bas num comunicado, sem adiantar mais pormenores. A dirigente social-democrata apontou também as críticas públicas que recebeu durante este período difícil, incluindo de membros do parceiro de coligação, a União Democrata-Cristã (CDU), liderada por Merz. Segundo Bas, os ataques “continuaram a intensificar-se durante este período particularmente difícil a nível pessoal”.
Alguns deputados da CDU tinham criticado as ausências da ministra numa fase decisiva da discussão de reformas económicas consideradas fundamentais para a sobrevivência do Governo, apesar de ser do conhecimento público que Bas enfrentava um período difícil a nível pessoal.
Lars Klingbeil, copresidente do SPD, vice-chanceler e ministro das Finanças, lamentou a saída de Bas e condenou as críticas dirigidas à dirigente enquanto estava de luto, classificando-as como “indecentes“. Klingbeil cancelou uma viagem prevista à Índia para acompanhar as consequências da demissão e criticou a degradação do debate político na Alemanha.
“Pessoalmente, compreendo bem esta escolha. Os ataques, precisamente nos dias do luto, afetaram-me profundamente. Foram indecentes e ofensivos. Não é assim que nos devemos tratar uns aos outros“, escreveu no Instagram, acrescentando que está “grato” por todo o trabalho desenvolvido.
Friedrich Merz agradeceu a Bas a “cooperação baseada na confiança” no Governo e apresentou condolências à ministra. “Como pai e avô, só posso imaginar a profundidade da dor que esta perda representa. Desejo-lhe a si e à sua família muita força”, escreveu na rede social X.
Bärbel Bas und ich haben in der Bundesregierung vertrauensvoll zusammengearbeitet. Für das Engagement danke ich ihr. Ihre Entscheidung verdient Respekt. Als Vater und Großvater kann ich nur erahnen, wie schwer dieser Verlust wiegt. Ihr und ihrer Familie wünsche ich viel Kraft.
— Bundeskanzler Friedrich Merz (@bundeskanzler) October 12, 2026
Também Alice Weidel, copresidente do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), manifestou solidariedade com Bas, mas considerou que as críticas dirigidas à CDU demonstram que o Governo de coligação de Merz “está no fim”. “Precisamos de um novo começo para a Alemanha“, acrescentou.
A AfD, principal partido da oposição, lidera as sondagens nacionais, com cerca de 30% das intenções de voto, depois de ter conseguido bons resultados nas eleições regionais de setembro, que também registaram avanços da extrema-esquerda.
Bas vai manter-se como deputada pelo círculo eleitoral de Duisburgo, na antiga região mineira do Ruhr. A dirigente, que já presidiu ao Bundestag, a câmara baixa do Parlamento alemão, é uma das figuras mais experientes do SPD. O ministério que liderou até agora supervisiona uma parte significativa do dispendioso sistema de proteção social alemão, que Merz pretende reduzir.
A saída da ministra representa um golpe para o frágil Governo de coligação liderado pelo chanceler Friedrich Merz. Apesar de representar a ala esquerda do SPD, Bas era considerada uma figura capaz de promover consensos e ultrapassar divergências políticas, uma característica importante num Governo marcado por conflitos desde que tomou posse, em maio de 2025.
A popularidade de Merz e do seu Governo caiu ao longo do ano, num contexto de receios de desindustrialização, devido à concorrência chinesa, e do aumento do custo de vida. O chanceler prometeu continuar no cargo, a defender o seu programa político e argumentando que esta é a única forma de combater o “veneno do autoritarismo”.
As próximas eleições legislativas alemãs estão previstas para 2029, mas cinco eleições regionais terão lugar já no próximo ano. Na semana passada, Karin Prien, ministra dos Assuntos da Família e membro da CDU, defendeu publicamente uma mudança de rumo no partido, criticando a linha mais dura de Merz. “Durante dois ou três anos, ficámos calados, mas isso já não é uma opção”, afirmou Prien à Reuters, sublinhando que a abordagem da “CDU pura, seguida por Merz, fracassou”.
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