O arranque do julgamento de Sean “Diddy” Combs está marcado para 5 de maio, mas antes disso o magnata do hip-hop, que é acusado de agressão e tráfico sexual, será esta sexta-feira indiciado pela prática de crimes relacionados com ameaças e castigos dirigidos aos seus funcionários, quando estes se recusavam a participar no esquema de tráfico sexual que tinha montado. Os procuradores norte-americanos defendem, igualmente, que o artista forçava os seus funcionários a trabalhar longas horas.

O produtor norte-americano declarou-se inocente na tarde desta sexta-feira, numa audiência no tribunal federal de Manhattan. “Diddy” tinha de se declarar culpado ou inocente em relação à nova acusação. Antes, declarou-se sempre inocente das acusações de conspiração para extorsão, tráfico sexual e transporte de pessoas para se envolverem em prostituição.

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O relatório da procuradoria norte-americana descreve que Combs e seus associados “mantinham controlados” alguns funcionários, forçando-os desta forma a trabalhar grande períodos de tempo com poucas horas de sono. Ameaçavam, e chegaram mesmo a usar, força física para os chantagear a trabalhar mais. Os empregados chegaram também a ser ameaçados de cortes nos salários, abusados psicologicamente e prejudicados reputacionalmente, segundo a acusação.

A maioria dos crimes terão ocorrido ou estão relacionados com a produtora musical Bad Boy Entertainment, fundada e detida por “Diddy”. O músico usou o império empresarial para abusar sexualmente de mulheres entre 2004 e 2024.

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A maioria das vítimas diz ter participado em “freak offs” — festas privadas organizadas pelo rapper e outros cúmplices — que eram na verdade maratonas sexuais que decorriam em hotéis de luxo. Estes eventos eram gravados, não só para visualização posterior, mas também como meio de chantagem para os participantes, muitos deles famosos e que sofreriam danos reputacionais elevados perante a revelação das imagens.

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Nestas festas, além de amigos e artistas agenciados por “Diddy”,  e até de várias das suas namoradas ao longo dos anos, estavam presentes profissionais de sexo que eram trazidas além fronteiras, através de um esquema que tudo indica ser de tráfico sexual.

Cassie, uma ex-namorada de Sean Combs, revelou que foi coagida a ter relações sexuais com várias prostitutas, enquanto o rapper assistia. Segundo descreve a acusação, o músico olhava para estes encontros forçados enquanto o seu “projeto artístico pessoal” e era assim que falava deles em público. Os seus advogados de defesa alegam que tudo o que se passou nas festas foram atividades sexuais consentidas.

Além do processo penal principal, cujo julgamento começa em maio, o rapper enfrenta ainda dezenas de processos civis movidos por mulheres e homens que o acusam de agressão sexual e outras condutas impróprias, incluindo contra menores.