A candidatura do ADN às eleições antecipadas do dia 23 na Madeira defendeu esta quinta-feira o reforço do financiamento e do investimento governamental nas instituições de saúde mental, alertando para o agravamento dos consumos de álcool e droga da região.

“Este agravamento teve muito a ver com os confinamentos, os isolamentos, os distanciamentos sociais [durante a pandemia de Covid-19], mas também com o consumo excessivo de álcool, assim como as drogas sintéticas”, afirmou o cabeça de lista e líder regional do partido, Miguel Pita.

O candidato falava aos jornalistas no decurso de uma visita à Casa de Saúde São João de Deus, um estabelecimento de referência na área da psiquiatria, saúde mental, tratamento de toxicodependências e reabilitação psicossocial, localizado nas zonas altas do Funchal.

“As carências desta instituição, embora certificada e com boa reputação, prende-se com a limitação dos recursos humanos e recursos financeiros”, disse, sublinhando que o valor da diária praticado na Madeira é o mais baixo ao nível nacional, pelo que defende o reforço dos apoios do governo ao setor.

Miguel Pita considerou que os executivos regional e nacional tiveram responsabilidade no agravamento dos problemas ao nível da saúde mental, por um lado, devido às restrições impostas durante a pandemia, por outro, ao avançar com uma nova lei, aprovada em 2023, que descriminalizou as drogas sintéticas e fez uma nova distinção entre tráfico e consumo.

“Se o Governo agravou a situação com as restrições na pandemia e, a nível nacional, com a lei da droga, também agora o Governo tem de assumir a responsabilidade daquilo que provocou”, disse, considerando que, por isso, deve reforçar o apoio e o investimento no setor da saúde mental.

As legislativas da Madeira, as terceiras em cerca de um ano e meio, decorrem no dia 23, com 14 candidaturas a disputar os 47 lugares no parlamento regional, num círculo único: CDU (PCP/PEV), PSD, Livre, JPP, Nova Direita, PAN, Força Madeira (PTP/MPT/RIR), PS, IL, PPM, BE, Chega, ADN e CDS-PP.

As eleições antecipadas ocorrem 10 meses após as anteriores, na sequência da aprovação de uma moção de censura apresentada pelo Chega — que a justificou com as investigações judiciais envolvendo membros do Governo Regional, inclusive o presidente, Miguel Albuquerque (PSD) — e da dissolução da Assembleia Legislativa pelo Presidente da República.

O PSD tem 19 eleitos regionais, o PS 11, o JPP nove, o Chega três e o CDS-PP dois. PAN e IL têm um assento cada e há ainda uma deputada independente (ex-Chega).