O vice-Presidente norte-americano, JD Vance, foi vaiado esta quinta-feira à noite na chegada a um concerto da Orquestra Sinfónica Nacional. O evento realizou-se no Kennedy Center em Nova Iorque, cuja administração foi, recentemente, substituída pelo Presidente Donald Trump. A nova administração inclui Usha Vance, mulher do número dois do governo norte-americano.

“Arruinaste este sítio!”. Foi com estas palavras que o casal foi recebido, enquanto ocupava os seus lugares na galeria do Kennedy Center, antes do concerto começar. A plateia, que começava já a encher-se de espectadores, vaiou e assobiou o vice-Presidente e a mulher, num momento captado por um jornalista do The Guardian, que assistia ao concerto.

JD Vance reagiu aos protestos — pouco habituais no contexto de música clássica — com um sorriso e um aceno, que foi devolvido por uma pessoa na plateia. O concerto começou com um atraso de 25 minutos, porque todas as pessoas na audiência foram sujeitas a uma revista de segurança pelo Serviço Secreto, ainda antes de Vance ter chegado ao local.

Quando a Orquestra Sinfónica Nacional finalmente começou a tocar, o concerto “talvez sem surpresas (…) teve um início um pouco instável, antes de se estabelecer no seu ritmo”, descreve o jornal britânico.

O protesto foi criticado por Richard Grenell, diretor interino do Kennedy Center, nomeado por Donald Trump no mês passado. “Incomoda-me ver que muitos dos presentes parecem ser brancos e intolerantes a opiniões políticas diferentes. A diversidade é a nossa força. Temos de fazer melhor. Temos de dar as boas-vindas a TODOS”, escreveu nas redes sociais.

A nomeação de Grenell aconteceu depois de o Presidente ter demitido toda a administração do centro nacional de artes, um quadro tradicionalmente bipartidário. No seu lugar, Trump nomeou todos os 13 membros atuais, entre os quais está a Usha Vance, Susie Willes, a chefe de gabinete da Casa Branca, e Dan Scavino, conselheiro de Trump.

Trump justificou a decisão com o facto de “não gostar do que eles estavam a mostrar” e prometeu que, daí para a frente, as exibições seriam “boas e não seriam woke“. “Não vai haver mais woke neste país”, rematou, à data.

Na sequência desta mudança, foram vários os trabalhadores do Kennedy Center e da Orquestra Sinfónica Nacional que apresentaram a demissão e os artistas que se recusaram a atuar no local. Uma das exibições canceladas é a do famoso musical da Broadway Hamilton, com a decisão a ter sido tomada pelos produtores.

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