O Banco de Portugal está um pouco mais otimista em relação ao crescimento económico em 2025 mas, ainda assim, a nova projeção – 2,3% – divulgada nesta quinta-feira fica aquém dos 2,5% que o ministro das Finanças acredita que a economia poderá crescer neste ano. A nova previsão do Banco de Portugal é uma décima mais elevada do que aquela que tinha sido feita em dezembro, que apontava para um crescimento de 2,2%.

“A economia portuguesa cresce 2,3% este ano, abrandando para 2,1% e 1,7% em 2026 e 2027“, afirma o Banco de Portugal no Boletim Económico trimestral divulgado nesta quinta-feira – sendo que a previsão para 2026 passa a ser uma décima inferior do que se previa em dezembro. “Este ritmo continuará a superar a média da área do euro, beneficiando em 2025-26 do alívio das condições financeiras, da aceleração da procura externa e de uma execução de fundos europeus mais concentrada no próximo ano”, afirma o supervisor financeiro, acrescentando que “o crescimento mais baixo de 2027 justifica-se com o fim do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR)”.

Apesar da revisão em alta, a previsão do Banco de Portugal é mais pessimista do que aquilo que previu, há poucas semanas, o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que disse que a economia portuguesa deverá crescer 2,5% em 2025 “se não sofrer nenhum choque económico externo”.

No Boletim Económico divulgado nesta quinta-feira, o Banco de Portugal salienta que “o consumo e o investimento poderão beneficiar de um aumento da confiança, mas a sua concretização exige uma redução da incerteza interna e externa”. “Os riscos adversos em torno da projeção para a atividade acentuaram-se e prevalece uma incerteza elevada sobre a evolução da economia mundial“, salienta o supervisor financeiro.

Na inflação, os números do Banco de Portugal apontam para uma estabilização do crescimento dos preços exatamente no objetivo de 2%. Depois de uma inflação de 2,7% em 2024, o ritmo de subida dos preços (harmonizado para comparação europeia) desce para 2,3% em 2025 e, depois, em 2026 e 2027, estabilizar nos tais 2%.

Centeno volta a alertar para risco de política orçamental que estimule economia em demasia

Ao contrário do que aconteceu em dezembro, este boletim não inclui novas projeções para o saldo orçamental – depois de em dezembro, o supervisor liderado por Mário Centeno ter em dezembro admitido um défice das contas públicas neste ano.

Banco de Portugal. Centeno prevê défice das contas públicas e alerta para risco de falhar metas europeias por causa da despesa

Desta feita, o Banco de Portugal salienta, como já tinha feito, que “com o PIB acima do potencial e com o grau de restritividade da política monetária do BCE a diminuir, o papel da política orçamental ganha relevância na manutenção da estabilidade macroeconómica”. E Centeno deixa o aviso: “é essencial que a orientação da política orçamental não estimule um excesso de procura agregada e assegure margem para enfrentar inversões do ciclo económico“.

“Esta orientação é importante também numa perspetiva estrutural e de longo prazo”, acrescenta o Banco de Portugal.

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Na conferência de imprensa de apresentação do boletim económico, Mário Centeno repetiu a mensagem que já tinha transmitido numa conferência bancária na semana passada, voltando a citar Fernando Pessoa: “Não sei o que o amanhã trará”.

Fazendo referência à “incerteza interna e externa”, Mário Centeno salientou que a economia portuguesa tem condições financeiras favoráveis e taxas de poupança mais elevadas, mas “é preciso sempre relembrar que todos estes equilíbrios se colocam num momento em que temos uma posição cíclica extremamente favorável na economia portuguesa”.

“É importante prepararmo-nos para eventuais alterações desta situação cíclica, porque sabemos que as economias têm flutuações e é preciso estar preparado para quando elas existirem”, afirmou o governador do Banco de Portugal.

Queda do Governo e eleições antecipadas pioram a economia? “Melhorar não melhora…”

“Melhorar não melhora“, respondeu Mário Centeno, nesta quinta-feira, questionado pelos jornalistas na conferência de imprensa sobre se a queda do Governo e a marcação de novas eleições antecipadas poderia prejudicar o desempenho da economia.

“Os agentes económicos adoram previsiblidade, estabilidade e capacidade de projetar o futuro”, afirmou Mário Centeno na apresentação do Boletim Económico trimestral do Banco de Portugal. “A variável que mais sofre com a incerteza é o investimento e portanto nós devemos não subjugar os processos democráticos à economia mas temos de compreender que a situação de que beneficiamos neste momento, um quadro previsível de estabilidade financeira, se estes pilares forem afetados por esta incerteza a situação pode tornar-se mais complexo”.

Porém, depois de ter começado a resposta por dizer, entre sorrisos, que “e vão três [eleições]: 2022, 2024 e agora 2025“, Centeno lembrou que, no passado recente, “o que temos visto é que a economia portuguesa tem tido condições de resiliência e não antecipamos que venham a ser postas em causa”.