Foi há 25 anos que o Napster, uma plataforma em que ficheiros de música ficavam disponíveis gratuitamente para partilha assim que o download terminava, era lançado. Por ter sido visto como um facilitador da pirataria musical, operando à revelia de artistas e editoras, o serviço enfrentou a justiça norte-americana e teve de encerrar em 2001. Mas a marca continuou. E agora foi vendida por 207 milhões de dólares (cerca de 192 milhões de euros, à taxa de conversão atual) à empresa Infinite Reality, que aposta em tecnologias imersivas.

A compra foi anunciada esta terça-feira numa publicação no blog da Infinite Reality, que revela ter planos para transformar o Napster, agora um serviço de streaming de música, numa plataforma onde os artistas e os fãs podem interagir. Na prática, a ideia passa por criar espaços virtuais 3D que permitam aos fãs assistir a concertos ou a listening parties (“festas” nas quais são apresentados álbuns ou novas músicas) e dar a possibilidade aos músicos e às discográficas de vender merchandising (físico ou virtual).

“A internet evoluiu do computador para os telemóveis, dos telemóveis para as redes sociais e estamos agora a entrar na era imersiva. Ainda assim, o streaming de música permaneceu igual. É altura de reimaginar o que é possível”, disse Jon Vlassopulos, CEO do Napster, na publicação em que é anunciada a venda. “Quando pensamos em clientes que têm uma audiência — influenciadores, criadores de conteúdo — penso que é muito importante que tenham um espaço ligado à música e às comunidades musicais”, notou o responsável, em entrevista à CNBC.

O Napster foi lançado em 1999 por Shawn Fanning e Sean Parker. O serviço foi encerrado pouco depois, em 2001, após ações judiciais relacionadas com a facilitação de pirataria que foram interpostas por músicos (como a banda Metallica) e editoras que se queixavam de violações de diretos de autor, uma vez que as músicas eram partilhadas sem autorização. A empresa entrou com um pedido de falência em 2002, sendo que depois os ativos foram sendo vendidos a várias entidades, disse Jon Vlassopulos, que vai manter-se no cargo de CEO após a aquisição da Infinite Reality.

De acordo com o jornal The Guardian, após abrir falência, o Napster foi comprado pela empresa de engenharia de software Roxio e depois pela retalhista eletrónica Best Buy, que pagou 121 milhões de libras. Seguiu-se a Rhapsody, em 2011, que relançou a plataforma como um serviço de streaming de música (que atualmente ainda está disponível e custa 11 dólares por mês).

Em 2020, o Napster passou para as mãos da startup britânica MelodyVR, que desenvolveu uma aplicação que permitia aos fãs pagarem para assistir (com recurso à realidade virtual) a concertos de artistas como The Chainsmokers ou Emeli Sandé em plena pandemia. Dois anos depois, foi comprado pela empresa de blockchain Algorand, cujos investidores apostaram em Jon Vlassopulos, que chegou a ser vice-presidente e diretor do departamento de música do Roblox, para o cargo de CEO.

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A Infinite Reality, que agora comprou o serviço, foi fundada em 2019 e está sediada na Florida, nos EUA. Em janeiro, recebeu um financiamento de três mil milhões de dólares e passou a estar avaliada em 12,5 mil milhões de dólares. A empresa não revelou os investidores que participaram no investimento. A revista Variety indica que conta com o apoio de firmas como Liberty Media ou Lux Capital, mas também de nomes como Steve Aoki, Imagine Dragons, Rudy Gobert (jogador da NBA) ou Taylor Fritz (tenista).

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