Ambiente frio, distanciamento, um toque de tensão no ar. Depois de toda a polémica levantada pela carta que Fernando Gomes enviou aos presidentes das 55 federações nacionais que integram a UEFA para descartar o apoio a Pedro Proença na corrida ao Comité Executivo da UEFA, que viria depois a gerar múltiplas reações no país que chegaram ao próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, os novos líderes da Federação Portuguesa de Futebol e do Comité Olímpico de Portugal voltaram a estar no mesmo espaço esta quarta-feira, em Belgrado, numa reunião do Comité Executivo do órgão que tutela o futebol europeu. Tudo o que se poderia imaginar em relação ao afastamento entre ambas as figuras mas agora estava em jogo mais do que uma relação melhor ou pior, tendo em conta que Portugal poderia perder a sua posição.
Marcelo espera que diferendo entre presidentes da FPF e COP se resolva internamente
Esse era o grande ponto em cima da mesa: a votação de Pedro Proença para o Comité Executivo da UEFA, numa corrida com 11 candidatos para sete vagas a que se juntaria ainda Lisa Klaveness, norueguesa que surgia como única candidata para a posição feminina no órgão. À partida, e sobretudo depois da polémica que a carta de Fernando Gomes (que fazia parte do Comité, tendo apresentado a demissão de todos os cargos que tinha no seguimento do triunfo nas eleições do COP) provocou, a eleição do atual líder da Federação Portuguesa de Futebol surgia como um cenário complicado sendo que, de acordo com algumas fontes que foram explicando o que estava em causa ao Observador, já antes desse episódio seria uma luta difícil. Ou seja, se as condições para um sufrágio eleitoral não eram as melhores, a polémica com o antecessor piorou tudo.
“Irritado? Nada disso, nada disso… A perder alguém, será só o futebol português que vai perder. Palavras de Marcelo Rebelo de Sousa? É normal esse tipo de declarações nestas alturas. Está tudo bem, tudo tranquilo. Confiante para uma nomeação? Estamos sempre confiantes, claro que sim”, tinha referido Pedro Proença em declarações à SIC no aeroporto, antes da partida para a Sérvia com o vice Rui Caeiro, antigo braço direito na Liga Portugal que passou agora para a Federação Portuguesa de Futebol e que ficará não só com o pelouro da “nova era na relação com a Liga Portugal” mas também com a pasta do Mundial-2030. Mas quem eram afinal os “concorrentes” que iriam também a votos com o novo presidente da Federação?
What is the UEFA Executive Committee? ⬇️#UEFACongress
— UEFA (@UEFA) April 3, 2025
Candidatos ao Comité Executivo num mandato de quatro anos (12 para 8 vagas)
- Lise Klaveness (Noruega) – eleita por ser a única mulher a sufrágio
- Dominique Blanc (Suíça)
- Gabriele Gravina (Itália, que procurava a reeleição)
- Cezary Kulesza (Polónia)
- Marijan Kustic (Croácia)
- Ari Lathi (Finlândia)
- Armen Melikbekyan (Arménia)
- Frank Paauw (Países Baixos)
- Aivar Pohlak (Estónia)
- Pedro Proença (Portugal)
- Hugo Quaderer (Liechtenstein)
- Hans-Joachim Watzke (Alemanha, que procurava a reeleição)
#UEFACongress has begun voting for the Executive Committee – 11 candidates for 7 member positions for a four-year term:
– Dominique Blanc ????????
– Gabriele Gravina ????????
– Cezary Kulesza ????????
– Marijan Kustić ????????
– Ari Lahti ????????
– Armen Melikbekyan ????????
– Frank Paauw ????????
– Aivar Pohlak ????????
-…— UEFA (@UEFA) April 3, 2025
Candidatos ao Comité Executivo num mandato de dois anos (5 para 2 vagas)
- Vadims Lasenko (Letónia)
- Rafael Louzán Abal (Espanha)
- Andrii Shevchenko (Ucrânia)
- Bjorn Vassalo (Malta)
- Moshe Zuares (Israel)
Proença sabia que estava “sozinho”. Pior: estava sozinho e num ambiente que era tudo menos favorável, até pela própria presença de Fernando Gomes, que marcava presença por ser membro do Conselho da FIFA e iria também conhecer o seu sucessor via UEFA no cargo. Começava a tornar-se um cenário incontornável e a votação, feita com quatro federações a serem chamadas de cada vez para receberem o boletim e seguirem para o local onde colocavam as cruzes, confirmou aquilo que era esperado. Entre as 11 candidaturas, Pedro Proença não foi um dos eleitos e, mais de uma década depois, Portugal deixou de estar representado através do seu presidente no Comité Executivo da UEFA, como não acontecia desde o período entre 2011 e 2013 quando Gilberto Madaíl deixou a liderança da Federação e Fernando Gomes ganhou as eleições.
Para que não existissem dúvidas, Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, anunciou às 11h10 que todos os votos estavam feitos, pedindo aos intervenientes que ficassem na sala para verem através das imagens que eram projetadas no ecrã gigante a contagem dos 55 boletins que tinham sido preenchidos. Uma mesa, cinco pessoas, sete lugares para 11 candidatos, uma música de fundo que tinha a capacidade de promover ainda mais aquele nervoso miúdo na zona abdominal. Apesar de saber que à partida não seria um dos eleitos, havia aquela esperança que é inata a qualquer pessoa de que surgisse uma surpresa, até tendo em conta que Pedro Proença não era um desconhecido na UEFA, depois de ocupar o cargo de presidente da Associação de Ligas Europeias, um cargo que deixou quando passou da Liga para a FPF. No entanto, não houve volte-face. Mais: a votação final ficou abaixo de todas as outras que alguma vez tinham existido para este cargo.
Votações para o Comité Executivo num mandato de quatro anos
- Frank Paauw (Países Baixos) – 49 votos, eleito
- Gabriele Gravina (Itália) – 48 votos, eleito
- Hans-Joachim Watzke (Alemanha) – 48 votos, eleito
- Marijan Kustic (Croácia) – 42 votos, eleito
- Ari Lathi (Finlândia) – 41 votos, eleito
- Aivar Pohlak (Estónia) – 37 votos, eleito
- Armen Melikbekyan (Arménia) – 29 votos, eleito
- Cezary Kulesza (Polónia) – 21 votos, não eleito
- Hugo Quaderer (Liechtenstein) – 19 votos, não eleito
- Dominique Blanc (Suíça) – 11 votos, não eleito
- Pedro Proença (Portugal) – 7 votos, não eleito
???? This is who was elected/re-elected to the UEFA Executive Committee for a four-year term:
– Gabriele Gravina* ????????
– Marijan Kustić ????????
– Ari Lahti ????????
– Armen Melikbekyan ????????
– Frank Paauw ????????
– Aivar Pohlak ????????
– Hans-Joachim Watzke* ????????*Candidates re-elected #UEFACongress
— UEFA (@UEFA) April 3, 2025
Votações para o Comité Executivo num mandato de dois anos
- Rafael Louzán Abal (Espanha) – 32 votos, eleito
- Moshe Zuares (Israel) – 31 votos, eleito
- Bjorn Vassalo (Malta) – 18 votos, não eleito
- Andrii Shevchenko (Ucrânia) – 15 votos, não eleito
- Vadims Lasenko (Letónia) – 11 votos, não eleito
???? This is who was elected to the UEFA Executive Committee for a two-year term:
– Abal Rafael Louzán ????????
– Moshe Zuares ????????— UEFA (@UEFA) April 3, 2025
Em paralelo, foram também conhecidos os novos membros da UEFA no Conselho da FIFA, cargo que deixou de contar com Fernando Gomes esta quinta-feira, sendo que neste caso não houve necessidade de haver uma votação por só haver candidatos para o número exato de vagas. “Queria dizer-vos a todos, hoje e em primeira mão, que esta manhã informei pessoalmente o presidente da FIFA [Gianni Infantino] e o presidente da UEFA [Aleksander Ceferin], líderes das maiores organizações desportivas do mundo e onde tenho assento no órgão de liderança maior, por eleição dos meus pares, que cessarei funções de imediato”, declarou o agora presidente do Comité Olímpico de Portugal à agência Lusa, confirmando o que já tinha anunciado.
???? This is who was elected/re-elected as members of the FIFA Council for a four-year term:
– Răzvan Burleanu* ????????
– Georgios Koumas* ????????
– Bernd Neuendorf* ????????
– Dejan Savićević* ????????
– Pascale Van Damme ????????Subsequently, ????????Claudius Schäfer has been confirmed for the position…
— UEFA (@UEFA) April 3, 2025
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