Não era um cenário descartado, longe disso. Aliás, ainda antes do sufrágio, as hipóteses de Pedro Proença poder ser eleito para o Comité Executivo da UEFA estavam quase reféns de um autêntico milagre. Foi tudo o que não aconteceu. Mais: ao ter apenas sete votos, o atual presidente da Federação Portuguesa de Futebol saiu do Congresso de Belgrado como o candidato com menor expressão neste tipo de sufrágio. Se a derrota era esperada, a sua dimensão acabou por deixar latente o reflexo de toda a polémica que se viveu nos últimos dias quando foi conhecida a carta endereçada por Fernando Gomes, antigo líder da FPF que assumiu agora o cargo de presidente do Comité Olímpico de Portugal, a todas as 55 federações com direito de voto.
“Hoje o futebol português saiu derrotado! Perderam os jogadores. Perderam os treinadores. Perderam os árbitros. Perderam os dirigentes. Perderam os clubes. Perderam as associações distritais. Perderam as associações de classe. Perdeu a Liga. Hoje perdemos todos, mas deixo-vos uma garantia: em 2027, num contexto mais favorável, e com todos imbuídos do mesmo sentimento e unidos pelo mesmo objetivo, iremos colocar o futebol português no lugar que é nosso por direito próprio! Porque o futebol português tem de estar representado nas mais altas instâncias do futebol internacional. E esse será daqui para a frente, estou seguro disso, um desígnio nacional”, comentou Pedro Proença, em declarações citadas no site oficial da FPF.
Além da norueguesa Lise Klaveness, que já estava automaticamente eleita por ser a única mulher presente a sufrágio, os mais votados foram Frank Paauw (Países Baixos, 49), Gabriele Gravina (Itália, 48), Hans-Joachim Watzke (Alemanha, 48), Marijan Kustic (Croácia, 42), Ari Lathi (Finlândia, 41), Aivar Pohlak (Estónia, 37) e Armen Melikbekyan (Arménia, 29), ficando de fora Cezary Kulesza (Polónia, 21), Hugo Quaderer (Liechtenstein, 19), Dominique Blanc (Suíça, 11) e Pedro Proença, com apenas sete votos.
“Mais do que a Liga, é o futebol português. Estamos habituados a estar representados nos grandes fóruns, era o caso da Comissão Executiva da UEFA, e naturalmente, não sendo eleito, é um dia triste para Portugal. Devemos focar no futuro. Pedro Proença chegou agora à FPF, estou convicto que dia 11 vou chegar a presidente da Liga e que, em conjunto, vamos conseguir levar o futebol português ao patamar que merece, é aí que nos devemos centrar. É um dia triste mas estamos muito empenhados em conseguir que, em conjunto, levemos este grande produto, grande modalidade que apaixona tantas multidões ao patamar que merece e estarmos nos grandes centros de decisão como, no fundo, temos vindo a estar nos últimos anos”, comentou Reinaldo Teixeira, líder da Associação de Futebol do Algarve e candidato à presidência da Liga Portugal.
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“A não eleição do presidente da FPF para o Comité Executivo da UEFA é uma má notícia para o futebol português. Mas tal não nos deve imobilizar. É preciso recuperar a credibilidade e regressar às instâncias de decisão do futebol internacional. Conhecendo a capacidade de trabalho de Pedro Proença, estou certo de que isso acontecerá muito em breve. Valor e competência já temos; agora, temos de investir na união de todos os agentes, porque a missão e o país estão sempre em primeiro lugar”, apontou José Gomes Mendes, líder da Mesa da Assembleia Geral da Liga Portugal e também candidato à presidência do órgão.
Gilberto Madail acusa Fernando Gomes de “traição vil” ao futebol português
“É uma vergonha nacional. Foi uma traição grande feita por alguém que deveria defender os interesses da FPF e do futebol português e não o fez. Antes esbanjou e deu a outros para que fossem eles os candidatos [vencedores] e nós perdêssemos um lugar de grande importância na UEFA. Não é uma guerra. O que houve foi uma pessoa, o senhor Fernando Gomes, que foi falsa, atraiçoou o futebol português. Quando eu saí do Comité Executivo da UEFA poderia ter emitido um parecer negativo sobre ele – e, se calhar, tinha razões para isso – e não o fiz, porque em primeiro lugar estão os interesses do futebol nacional. Fomos relegados para países como Andorra ou outros assim do fundo do ranking da UEFA. Com esta traição cometida pelo senhor Gomes, que deveria ser demitido, ficamos numa situação de grande inferioridade”, lamentou também Gilberto Madaíl, antigo presidente da Federação antes da chegada de Fernando Gomes, à agência Lusa.