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O ex-chefe do Estado-Maior da Armada Gouveia e Melo defendeu que o facto de não ter assumido para já se é ou não candidato à Presidência não é um impedimento a intervenções públicas ou à aceitação de convites para eventos onde expressa as suas opiniões sobre o país. O almirante defendeu esta posição numa edição especial do Podcast Soberania, do Diário de Notícias, em que sublinhou que não se sente obrigado a ficar calado.

“Se já tomei uma decisão, o que vos posso dizer é que já. Mas só assumirei após as legislativas”, começou por afirmar ao ser questionado sobre as críticas do assumido candidato Marques Mendes — que o acusou de andar a “fingir” e “a fazer de conta” — e o motivo para não avançar com o anúncio.

“O que diz o candidato que referiu é a opinião dele. Democraticamente tem direito a estas opiniões e eu, democraticamente, também tenho direito às minhas e é em função das minhas que determino quais são as ações que devo ter”, acrescentou.

Gouveia e Melo disse ainda que agora é tempo de os portugueses se concentrarem nas propostas dos partidos para as eleições legislativas, mas salientou que isso “não significa que não tenha opinião”. “Se os portugueses querem ouvir a minha opinião sobre um determinado assunto não me sinto obrigado a ficar calado. Agora tento ao máximo não interferir na política partidária e nas opções partidárias que estão em cima da mesa para os portugueses, a partir de agora, escolherem o que será a futura governação”, afirmou.

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A entrevista focou-se sobretudo em questões de soberania, defesa nacional e europeia. Sobre a necessidade de reforçar a Defesa, criticou Portugal e a Europa pela excessiva dependência nos Estados Unidos da América: “Estamos a acordar tarde. Mas não fomos só nós. Foi a Europa toda.” Gouveia e Melo sublinhou que é um problema que pode “agigantar-se.”

“Agora está toda a gente preocupada com a Defesa. Estamos a falar de 800 mil milhões de financiamento, estamos a falar que a Defesa vai tirar dinheiro ao Estado Social. Todas essas discussões estão em cima da mesa. Mas lembro-me que há um ano fiz um pequeno artigo sobre essa problemática e fui atacado por todo o sistema político”, afirmou.

Críticas que Marques Mendes também lhe deixou. “O candidato Marques Mendes terá as suas posições e terá que explicar as suas posições em termos do registo histórico. Eu, pelo menos, tenho essa vantagem de ter sido coerente. E dessa coerência me ter dado razão”, concluiu.