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Morreu Nuno Guerreiro, cantor da Ala dos Namorados

Este artigo tem mais de 1 ano

O cantor português celebrizou-se no projeto Ala dos Namorados, além de enveredar numa carreira a solo. Tinha 52 anos e estava internado num hospital de Lisboa há alguns dias com uma "infeção grave".

Afamado pela sua voz de contratenor, Nuno Guerreiro celebrizou-se enquanto vocalista da Ala dos Namorados, com temas como "Loucos de Lisboa" e "Solta-se o Beijo"
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Afamado pela sua voz de contratenor, Nuno Guerreiro celebrizou-se enquanto vocalista da Ala dos Namorados, com temas como "Loucos de Lisboa" e "Solta-se o Beijo"

Carmo Correia

Afamado pela sua voz de contratenor, Nuno Guerreiro celebrizou-se enquanto vocalista da Ala dos Namorados, com temas como "Loucos de Lisboa" e "Solta-se o Beijo"

Carmo Correia

Morreu Nuno Guerreiro, avançou a SIC Notícias e confirmou o Observador junto de fonte próxima do cantor. Não foram adiantadas causas de morte, tendo sido, no entanto, revelado ao Observador que o óbito terá ocorrido pelas 14:20 desta quinta-feira, 17 de abril.

O Cineteatro Louletano, com o qual o artista colaborava na equipa de produção, adiantou entretanto que Nuno Guerreiro estava internado no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, devido a uma “infeção grave”. A informação foi revelada no âmbito de um aviso do cancelamento do espetáculo Sul, que deveria decorrer esta noite, citando a morte do cantor como causa para essa decisão.

A morte de Nuno Guerreiro foi publicamente adiantada pelo presidente da câmara de Loulé — cidade de onde o cantor era natural — na sua conta de Facebook. “Morreu Nuno Guerreiro. Estamos destroçados. A Câmara Municipal de Loulé emitirá um comunicado nas próximas horas”, publicou Vítor Aleixo.

Afamado pela sua voz de contratenor, Nuno Guerreiro celebrizou-se enquanto vocalista da Ala dos Namorados, projeto criado por João Gil, Manuel Paulo, e João Monge de enorme sucesso nos anos 90 e 2000. Loucos de Lisboa, Fim do Mundo e, particularmente, Solta-se o Beijo — cujo álbum do mesmo nome, lançado em 1998, foi disco de platina — foram alguns dos temas que o inscreveram no cancioneiro nacional.

Nascido em Loulé, a 5 de setembro de 1972, tinha originalmente como objetivo seguir outra corrente artística ao ingressar na Escola de Dança do Conservatório Nacional, em Lisboa, terá sido aí que, num ensaio para um espetáculo de Carlos Paredes, no Teatro de S. Luiz, o lendário guitarrista se apercebeu do potencial da sua voz, convidando-o para cantar. Foi assim, de resto, que Nuno Guerreiro chamou a atenção dos seus futuros companheiros da Ala dos Namorados e de Rodrigo Leão, tendo participado no seu primeiro álbum, Ave Mundi Luminar.

Além do trabalho com o “supergrupo”, Nuno Guerreiro dedicou-se também a uma carreira a solo, lançando os álbuns Carta de Amor (1999), Tento Saber (2002) e Gangster Mascarado (2011). O seu último longa-duração data de 2022, Na Hora Certa, contando com letras de Tiago Torres da Silva e músicas escritas por Pedro Jóia.

Ao contrário de outros membros originais da Ala dos Namorados, o cantor manteve-se sempre ligado ao projeto, ingressando na nova formação em 2012 depois do grupo ter cessado a sua atividade em 2008. Como tal, a sua voz está plasmada em todas as músicas de Brilhará, de 2023, álbum também marcado pelo regresso de João Gil.

De destacar ainda o projeto Zeca Sempre, criado com Olavo Bilac e Tozé Santos, do qual foi editado em 2011 um álbum, O que faz falta — Zeca Afonso, tendo subtítulo “as mensagens intemporais de José Afonso, numa nova sonoridade”. Vira de Coimbra, No Lado do Breu, Redondo Vocábulo, Menino do Bairro Negro e Saudades de Coimbra são alguns dos temas que integram o álbum.

Mais recentemente, Nuno Guerreiro tinha dado dois concertos no final de março (30 e 31), no Cineteatro Louletano, em Loulé. Em palco, apresentou-se com a banda Mau Feitio, com Ricardo J. Martins na guitarra portuguesa, João Palma no acordeão, Vítor Bacalhau na guitarra clássica e Vasco Moura no baixo elétrico, além da participação da Banda Filarmónica da Sociedade Recreativa Artistas de Minerva. O projeto já tinha somado alguns concertos, nomeadamente no festival Caixa Alfama, em Lisboa, em setembro de 2024.

Os concertos, inspirados na obra de Carlos Paredes, foram gravados em vídeo ao vivo para futura edição de um DVD. “É tanto o orgulho, é tanta a felicidade, que ainda estou meio adormecido e a acordar de um sonho!
Foram mágicos e intensos estes concertos!”, escreveu o cantor na sua conta oficial de Facebook após ambas as atuações.

“Percebi que havia um talento incrível no Algarve, mas que nem sempre têm a visibilidade que merecem. Então, comecei a investigar, a conhecer músicos, a perceber o que estava a acontecer na cena musical da região. E descobri artistas absolutamente incríveis”, afirmou Nuno Guerreiro em março passado, em entrevista a A Voz do Algarve.

Antes, Nuno Guerreiro participou numa homenagem a Sara Tavares — com quem cantou Solta-se o Beijo — nos Globos de Ouro de 2024. Foi nessa ocasião, aliás, que Catarina Furtado, autora da letra desse tema, viu o cantor pela última vez, tendo-o conhecido durante a adolescência no Conservatório Nacional.

“Aquilo que ele deixa é uma voz inconfundível, uma capacidade de emocionar, porque vi muitas vezes o público muito emocionado com aquela voz meio de anjo, meio de humano. Levava-nos para sítios onde podíamos de facto estar acima da Terra”, reagiu à Rádio Observador.

“Acompanhei as pessoas a ficarem completamente inebriadas com a voz única. Não se podia ouvir a sua voz na rádio sem se saber imediatamente que era o Nuno Guerreiro. Era um menino homem, com muitos medos, de uma generosidade muito grande”, disse ainda.

Na mesma entrevista à publicação A Voz do Algarve, Nuno Guerreiro revelava que ira lançar uma versão da música “Os Verdes Anos”, em homenagem ao guitarrista Carlos Paredes.

“Este é um tema que tem um significado muito especial para mim. Em 1992, fui convidado para cantar nos concertos do Carlos Paredes no Teatro São Luiz. Foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Sem querer, foi também o que me levou à Ala dos Namorados, porque o Manuel Paulo estava lá e ouviu-me cantar”, recordou.

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