O objectivo primordial do executivo de Donald Trump, quando anunciou a imposição de tarifas elevadas aos automóveis — entre outros tipos de produtos — importados para os EUA sempre foi convencer os fabricantes a deslocar a produção para o seu país, para aí criar empregos e riqueza. Os resultados positivos desta estratégia ainda não abundam, mas o CEO do Grupo Volkswagen permitiu que o Governo norte-americano registasse uma vitória.

Até aqui, entre as marcas de luxo europeias (e alemãs), apenas a BMW e a Mercedes possuem fábricas nos EUA, respectivamente uma unidade fabril cada — para termo de comparação, a Toyota conta com 10 —, pelo que ao incrementar de 2,5% para 25% os impostos à importação de modelos europeus, Trump expôs a Audi a uma situação deveras complicada, em que perdeu competitividade face aos seus rivais directos e se antevê uma redução drástica do volume de vendas nos EUA. De realçar que a Audi possui uma linha de produção no México, de onde sai o Q5 rumo aos mercados americano e canadiano, mas o novo esquema de impostos de Trump penaliza o México — país que até hoje e graças ao acordo USMCA, não estava sujeito a impostos — com a mesma violência, pelo que nem este popular SUV está a salvo.

O CEO do Grupo Volkswagen, Oliver Blume, disse à imprensa alemã que está em negociações com o Governo norte-americano para construir uma fábrica nos EUA. Blume garante ter ”uma estratégia apontada ao futuro, concebida propositadamente para os EUA”, país que em condições normais deverá representar cerca de 30% do volume total de vendas. O CEO confirmou a existência de “conversações com o Governo norte-americano” para juntar uma fábrica da Audi à que o grupo já possui no país para a Volkswagen.

A fábrica da Volkswagen em Chattanooga, no Tennessee, produz o Passat e o Atlas (um SUV similar ao europeu Touareg, mas concebido sobre a plataforma do Tiguan Allspace), mas os restantes Taos, Tiguan e Jetta vêm de Puebla, no México. Chattanooga também começou recentemente a fabricar modelos eléctricos, como o ID.4. Resta saber como Blume está a pensar evitar os 25% que incidem sobre os veículos importados para os EUA e que também penalizam as diferentes peças necessárias para a construção dos veículos produzidos no país, o que obriga a um forte incremento no preço final de venda do modelo.