A derradeira batalha antes do Jamor. Numa altura em que muito se começa a falar da final da Taça de Portugal e no local que poderá suceder ao histórico Jamor, Rio Ave e Sporting entraram esta terça-feira em campo para disputar o primeiro bilhete para a última partida da temporada em solo nacional. Antes da hipotética romaria ao Estádio Nacional, os leões chegavam ao Estádio Capital do Móvel — casa emprestada dos vilacondenses até ao final desta época — em vantagem na eliminatória, depois de terem triunfado em Alvalade num duelo em que Geny Catamo esteve em destaque (2-0). Para além disso, a jornada do último fim de semana mostrava um Sporting em melhor forma, depois de ter batido o Moreirense em casa (3-1), ao passo que o Rio Ave não conseguiu mais do que um empate na receção ao Santa Clara (1-1).
Na véspera desta segunda mão, Rui Borges aproveitou a conferência de imprensa para abordar as dificuldades e sublinhar que a eliminatória ainda não estava fechada. Nesse sentido, uma eventual rotação no onze inicial não passava de uma miragem, perspetivando-se que o treinador do conjunto verde e branco optasse pela equipa que tem jogado habitualmente nas partidas do Campeonato Nacional.
Ficha de jogo
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Rio Ave-Sporting, 1-2 (1-4 agregado)
2.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal
Estádio Capital do Móvel, em Paços de Ferreira
Árbitro: Hélder Carvalho (AF Santarém)
Rio Ave: Cezary Miszta; João Tomé, Jonathan Panzo, Andreas Ndoj (Konstantinos Kostoulas, 81’), Marious Vrousai; João Novais (Ole Pohlmann, 55’), Demir Tiknaz (Vítor Gomes, 77’), Brandon Aguilera (Theofanis Bakoulas, 46’); André Luiz, Clayton Silva e João Graça (Tiago Morais, 55’)
Suplentes não utilizados: Matheus Teixeira; Karem Zoabi, João Pedro e Martim Neto
Treinador: Petit
Sporting: Rui Silva; Jeremiah St. Juste (Maxi Araújo, 83’), Ousmane Diomande, Gonçalo Inácio; Iván Fresneda, Zeno Debast (Ricardo Esgaio, 53’), Morten Hjulmand, Matheus Reis; Francisco Trincão (Biel Teixeira, 68’), Viktor Gyökeres (Conrad Harder, 68’) e Pedro Gonçalves (Geny Catamo, 46’)
Suplentes não utilizados: Franco Israel; Eduardo Quaresma, Eduardo Felicíssimo e Geovany Quenda
Treinador: Rui Borges
Golos: Inácio (11’), Gyökeres (50’) e André Luiz (66’)
Ação disciplinar: cartão amarelo a St. Juste (33’), Ndoj (47’), André Luiz (72’) e Bakoulas (73’)
“Espero um jogo difícil, embora tenhamos a vantagem de 2-0, é um resultado muito perigoso. Acredito que o Rio Ave vá entrar forte para conseguir lutar por um lugar na final. Temos de continuar com o rigor que temos vindo a ter em todos os jogos e tentar resolver a eliminatória o mais rápido possível. Não queremos estar expectantes. Queremos ser o mesmo Sporting que temos sido. Podíamos ter feito mais golos no jogo em casa. É uma equipa que faz-se prevalecer pelos seus adeptos. Vai ser um jogo difícil onde a outra equipa vai sonhar sempre. É um jogo onde se disputa um lugar na final da Taça. Nunca lá estive e é um sonho. Vamos para ganhar e tentar resolver o mais rapidamente possível”, referiu Borges.
“O resultado negativo deixa o Sporting mais confortável, mas continuamos a alimentar o nosso sonho, sabendo que é uma partida complicada. A esperança é dar a volta à eliminatória, até porque já vi muitas coisas a acontecer no futebol e o impossível por vezes torna-se possível. O adversário é intenso, dinâmico e forte nos duelos. Estivemos a avaliar os dois jogos que realizámos e os jogadores sabem que é preciso ter coragem nos duelos porque o Sporting é muito forte na profundidade. Temos de ter personalidade, principalmente quando estivermos com a posse da bola, porque vai haver espaço e é fundamental ter critério e coragem para o explorar”, retorquiu Petit.
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— Rio Ave FC (@RioAve_FC) April 22, 2025
A grande novidades nos onzes iniciais foi o regresso de Pedro Gonçalves à titularidade cinco meses e meio depois, com o internacional português a saltar para o ataque, compondo o trio ofensivo ao lado de Viktor Gyökeres e Francisco Trincão. Para além de Pote, Rui Borges fez mais três mexidas no onze, com Jeremiah St. Juste a entrar para o centro da defesa e Iván Fresneda e Matheus Reis para os corredores laterais, saindo Eduardo Quaresma, Geovany Quenda, Maxi Araújo e Geny Catamo. Na equipa da casa, Petit fez duas alterações em relação ao jogo com o Santa Clara, com Jonathan Panzo a alinhar ao lado Andreas Ndoj no centro da defesa, o que obrigou Konstantinos Kostoulas a sentar-se no banco de suplentes. Para além disso, o antigo médio viu Nelson Abbey lesionar-se no aquecimento, o que levou Marious Vrousai a saltar para dentro de campo.
Cumprido o minuto de silêncio em memória do Papa Francisco que, enquanto confesso admirador de futebol e fervoroso adepto do San Lorenzo, deixou a frase que dá título a esta crónica (“O futebol torna-nos felizes… mesmo que sejamos um pé de chumbo“), a primeira ocasião de perigo pertenceu ao Rio Ave, com Clayton Silva a receber a bola na direita e a fazer a paralela para dentro, mas o seu remate acabou nas mãos de Rui Silva (2′). A partir daí só deu Sporting, com Matheus Reis a romper pela esquerda e atirar cruzado para uma primeira intervenção de Cezary Miszta (7′). Pouco depois, o guarda-redes polaco voltou a levar a melhor, impedindo o golo de Gyökeres que surgia isolado (9′). Foi na sequência de um canto de Zeno Debast que os leões inauguraram o marcador, com o avançado sueco a desviar ao primeiro poste e Gonçalo Inácio a completar para dentro (11′).
A partir daí, a turma de Alvalade continuou a dominar a partida, perante um conjunto rioavista sem capacidade de incomodar a baliza do guarda-redes internacional português. Pouco depois, a receita quase se repetiu, com Debast a cobrar um canto à maneira curta e, depois de combinar com Trincão, a cruzar para o cabeceamento de Gyökeres por cima (28′). A resposta da equipa de Petit também surgiu de bola parada, com Demir Tiknaz a cobrar um livre para a área, com André Luiz a rematar ao lado depois de o corte de Ousmane Diomande ter ressaltado no companheiro sueco (34′). Desta forma, os leões regressaram ao balneário na frente do marcador e com a eliminatória resolvida (0-1).
Para a segunda parte saltaram do banco Theofanis Bakoulas e Catamo, que entraram para os lugares de Brandon Aguilera e Pote. A partida manteve-se na mesma toada e, na primeira ocasião, o Sporting voltou a chegar ao golo: Geny Catamo apareceu a rematar, à entrada da área, para defesa incompleta de Miszta e, na recarga, Gyökeres atirou para o fundo da baliza (50′). Já com Ricardo Esgaio, Ole Pohlmann e Tiago Morais em campo, a partida entrou num ritmo de gestão, com este último a reduzir, mas tinha partido para a jogada em posição irregular e o resultado manteve-se como estava (61′). As ameaças continuaram a surgir e, depois de uma grande jogada de Olinho, a bola beijou a barra e caiu em cima da linha de baliza de Rui Silva (64′). Pouco depois, o golo acabou mesmo por aparecer, com os rioavistas a trocarem a bola ao primeiro toque e Clayton a deixar de calcanhar para a finalização certeira de André Luiz (66′).
Borges respondeu de pronto ao golo sofrido e continuou a refrescar a equipa, colocando Biel Teixeira e Conrad Harder no ataque. Já com o novo trio ofensivo, o leão voltou a criar perigo numa jogada em que Catamo isolou Fresneda, mas o lateral espanhol perdeu no duelo com Miszta (74′). Ainda houve tempo para Harder desferir dois remates à figura do polaco (77′ e 79′) e de o histórico Vítor Gomes entrar em campo, a par de Konstantinos Kostoulas e Maxi Araújo, mas o resultado não sofreu mais alterações, em parte por conta de Rui Silva, que negou o empate a Vrousai no fim (87′). Deste modo, o Sporting garantiu mais um triunfo ante o Rio Ave e está pelo segundo ano seguido na final da Taça de Portugal.