Preencher uma lacuna na oferta audiovisual de não ficção em Espanha, enquanto ambicionava tornar-se a plataforma de referência no mundo cultural e na divulgação científica na Península Ibérica. Esta era a missão da plataforma de streaming CaixaForum+, quando foi lançada em Espanha, no final de 2022. Dois anos depois, a plataforma da Fundação ”la Caixa” chegou a Portugal, lançada com o apoio do BPI, e por cá tem ficado, apostando na divulgação de conteúdos da área das ciências e das artes, alguns deles criados a pensar no público português.
Em abril, a plataforma disponibilizou novos conteúdos. Saiba quais!
Plataforma totalmente gratuita
Sem fidelizações nem promoções, a CaixaForum+ é um serviço totalmente gratuito. Para poder assistir aos conteúdos divulgados nesta plataforma, apenas precisa de criar uma conta, à qual pode aceder em qualquer altura e em qualquer lugar, sem ter um número limitado de dispositivos que pode ter ligados à plataforma.
O poder da arte em mudar o mundo
No Dia das Mentiras, houve uma grande verdade: a estreia exclusiva na CaixaForum+ do documentário Equipo Crónica: Arte de trinchera. Um grupo artístico espanhol, criado no início dos anos 60 por Manolo Valdés, Rafael Solbes e Juan Antonio Toledo, que desafiou o regime de Franco através das suas obras de pop art. Agora, seis décadas depois, Manolo Valdés, o último dos membros do Equipo Crónica ainda vivo, é o protagonista deste documentário, recordando, a partir do seu estúdio em Nova Iorque, as preocupações artísticas, políticas e sociais do grupo. O documentário é ainda composto por uma entrevista de arquivo a Rafael Solbes e por testemunhos de artistas, especialistas em arte moderna, colecionadores e um cineasta. Com realização de Rafa Sesa e Felipe Villaplana, Equipo Crónica: Arte de trinchera, que estreou no Festival DocsValencia, convida-nos a questionar se a arte pode, realmente, mudar o mundo.
A sétima arte em italiano
A comemorar a sua 18.ª edição, a Festa do Cinema Italiano arranca, este ano, em Lisboa, de 9 a 17 de abril, prosseguindo com eventos e projeções de filmes em mais de 20 cidades. Por cá, além da capital, também Porto, Coimbra, Almada, Cascais, Oeiras, Setúbal, Funchal, Angra do Heroísmo, Loulé, Lagos, Beja, Aveiro e Figueira da Foz abrem as portas a este festival. Também no CaixaForum+, este evento vai marcar presença, com uma estreia exclusiva em Portugal: até 9 de maio, é possível assistir a alguns dos títulos mais destacados de edições passadas da Festa do Cinema Italiano. “Futura ou o que está por vir?”, “Comícios de amor”, “Era uma vez a Máfia” e “Das profundezas” são os títulos especialmente selecionados para inaugurar a colaboração entre a CaixaForum+ e a Il Sorpasso, associação organizadora da Festa do Cinema Italiano.
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Da curadoria à arte à beira-rio
Uma produção da própria CaixaForum+: Comisariar, da ideia à exposição. Trata-se de uma série documental de quatro episódios, em que os curadores de arte são os protagonistas. Entre eles, destacam-se Caterina Almirall e Mei Huang, vencedoras do Comisart — programa da Fundação ”la Caixa” para promover a curadoria emergente. Em Comisariar, da ideia à exposição, são explicados os processos teóricos, criativos, conceptuais e de produção envolvidos na curadoria. “Comissariar é investigar”, “O processo de seleção de obras”, “Trabalhar o design expositivo” e “Últimos passos antes de inaugurar” são os títulos dos episódios desta série documental de produção original da CaixaForum+.
Uma sátira ao poder
Quase a fechar o mês, a CaixaForum+ contou com outra estreia exclusiva: a curta-metragem The King is Dead. Em 2022, Imma Prieto, curadora e historiadora de arte, desafiou o dramaturgo e cenógrafo Robert Wilson a adaptar a peça Ubú Rey, no Es Baluard Museu d’Art Contemporani de Palma, em Palma de Maiorca, Espanha. Wilson reuniu a primeira encenação da peça seminal Ubu Roi, de Alfred Jarry, e a adaptação sob o título Mori el Merma, de Joan Miró com a colaboração da companhia de teatro experimental La Claca, na década de 1970. É deste facto aliado ao de Wilson, em pequeno, ter dito a um professor que quando fosse grande queria ser rei de Espanha, que Andrés Duque parte para a criação deste filme documental. The King is Dead revisita a figura do monarca a partir do teatro do absurdo e da obra de três autores: Nikolái Gogol, Alfred Jarry e Samuel Beckett. Para a realização desta curta-metragem, Andrés Duque pediu a Robert Wilson que lessa, em câmara, excertos de Diários de um Louco, de Nikolái Gogol, e pediu autorização para gravar ensaios de Ubú Rey (2022), prestando, ainda, homenagem a Beckett, uma das influências de Wilson. O resultado? Um tríptico satírico, de 25 minutos, em que se reflete sobre a condição filosófica de estar no poder.
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