“Nada me vai parar”, garantiu esta terça-feira Donald Trump quando celebrava o que diz serem “os 100 dias mais bem-sucedidos de qualquer administração” da história dos Estados Unidos da América. A falar para um pavilhão com metade da lotação, em Michigan, o Presidente dos EUA voltou a vestir o fato do homem de campanha que há uma centena de dias conquistou os eleitores.
“Estamos aqui no coração da nossa nação para celebrar os primeiros 100 dias mais bem-sucedidos de qualquer administração da história do nosso país. Em 100 dias produzimos a mudança mais profunda da sociedade em 100 anos”, começou por dizer o 45.º e 47.º presidente dos EUA.
Além de aplaudir o Republicano, a multidão também festejou efusivamente quando foi partilhado um vídeo em que se viam imagens da deportação de imigrantes venezuelanos enviados dos EUA para uma prisão em El Salvador, descreve o The Guardian.
Apesar de ter enaltecido toda a obra já feita nos primeiros 100 dias, Trump não abordou as missões complicadas que tem em mãos para os próximos 1361 dias de mandato.
Ainda antes de chegar ao comício, o Presidente dos EUA assinou uma ordem para impedir que os fabricantes de automóveis que produzem nos Estados Unidos tenham de pagar tarifas múltiplas sobre veículos e peças importadas.
No discurso para os seus apoiantes, Trump — que tem dividido o tempo entre a Casa Branca, as suas casas e campos de golfe — regressou aos chavões da campanha, com insultos a Joe Biden e a Kamala Harris.
“Finalmente temos um defensor dos trabalhadores na Casa Branca. Em vez de colocar a China em primeiro lugar, estou a colocar o Michigan e os EUA em primeiro lugar”, descreveu, antes de dizer: “Sinto falta de vocês, sinto falta da campanha”.
A escolha de Michigan terá sido uma forma de reconhecer a importância do estado na vitória das eleições, mas também o seu potencial como beneficiário das tarifas que Trump quer implementar para apoiar a economia norte-americana.
O Republicano destacou as suas políticas de imigração como a principal marca destes 100 dias, sendo uma das maiores “promessas cumpridas” da campanha, disse. “Se as pessoas entram ilegalmente no nosso país, o padrão agora é diferente. Há um processo para os retirar. Eles conseguem o que os meus advogados quiserem”. “Os Democratas prometeram a invasão e a imigração em massa. Nós estamos a promover a deportação em massa”, disse.
Num momento em que o seu índice de aprovação é de 41% (o pior de sempre para um presidente ao fim de 100 dias), segundo um inquérito da CNN, Trump avisou os apoiantes: “Acabámos de começar. Vocês ainda nem viram nada”.
O Presidente dos EUA aproveitou também para atacar os tribunais: “Não podemos permitir que uma mão cheia de juízes comunistas obstruam o reforço das leis e assumam os deveres que competem apenas ao Presidente. Os juízes estão a tentar tirar o poder dado ao Presidente para manter o país seguro”.
Trump, depois de troçar com a capacidade mental de Biden, recuperou um tema antigo: as eleições de 2020, que continua a insistir que venceu, apesar de tal não ter acontecido.
“Nunca recuaremos. Nunca nos renderemos. Lutaremos, lutaremos, lutaremos e venceremos, venceremos, venceremos juntos. Juntos tornaremos a América grande novamente”, rematou.