A interligação está ativa, mas não há trocas comerciais de eletricidade entre Portugal e Espanha desde que foi retomada a normalidade (ainda relativa) nos dois sistemas elétricos.
A cautela na gestão das redes de transporte é percetível, sobretudo do lado espanhol onde se verificou a causa, ainda por identificar, daquele que é considerado o pior apagão na Europa em 20 anos. Uma escolha de tecnologias mais conservadora, com um grande recurso às centrais de gás natural numa altura em que haveria muita renovável disponível, marcou as opções do gestor da rede espanhola. Muito mais do que a REN (Redes Energéticas Nacionais), a Red Elétrica (REE) tem estado no centro do passar de culpas, com muitas notícias sobre avisos desvalorizados pela administração da empresa para riscos de apagões e de injeção em excesso de renováveis na rede.
Para afastar qualquer falta de inércia no sistema, e impedir as oscilações de frequência, a REE evitou o excesso de sol e de vento e excluiu também as centrais nucleares, cujo rearranque após o fecho forçado demora mais tempo que outras unidades. A consequência foi um preço médio mais alto do que o português 31,38 euros por MWh (megawatt hora) para a eletricidade que foi contratada ontem e consumida esta quarta-feira contra 20,54 euros por MWh deste lado.
Por cá, Portugal usou em força a energia hidroelétrica, mas também a eólica e um pouco menos de solar. As renováveis representaram 77% da produção nacional e também do consumo já que não houve qualquer importação. Houve também algum gás natural.
Esta quarta-feira, as redes continuam sem trocas, mas desta vez a eletricidade em Portugal transacionada em mercado ficou mais cara do que a espanhola — 18,85 euros por MWh contra 13,29 euros por MWh — como que a dar razão aos argumentos dos que defendem as importações elétricas de Espanha. Não porque Portugal precise da produção espanhola — como o demonstraram estes dois dias (ainda que graças a uma grande ajudas das barragens cheias) — mas porque ela fica mais barata.