À conquista da Vila. Foi com este objetivo que Sporting e Oliveirense subiram ao ringue do Pavilhão Municipal de Famalicão. Em jogo estava a discussão do terceiro troféu interno da temporada: a Taça de Portugal. Numa final inédita, leões e unionistas voltaram a encontraram-se numa final meio ano depois de terem disputado a Taça Continental, numa final que sorriu à equipa de Oliveira de Azeméis (2-4). Antes da final, a Oliveirense deixou pelo caminho o Juventude Pacense nas meias-finais (0-5), ao passo que o Sporting superou o rival Benfica em mais um dérbi emotivo (2-4). Depois da final continental, os verde e brancos mostraram-se categóricos na fase regular do Campeonato Nacional, goleando nas duas partidas (7-1 em casa e 5-1 fora).

À quarta, a história mudou: Sporting vence Benfica com reviravolta e está na final da Taça de Portugal

“Foi um jogo de muitas emoções, contra o Benfica é sempre assim, como vimos hoje [quarta-feira]. Sabíamos que tínhamos de estar com o foco nos 50 minutos e acho que foi uma das nossas grandes virtudes. Não conseguimos manter esse equilíbrio em outros momentos anteriores. Não é fácil, quando se está atrás do marcador, manter o foco no processo. Eu gosto de memória de peixe, tanto no erro, como na vitória. Agora, o que interessa é o jogo seguinte, contra uma grande equipa [Oliveirense], e vamos tentar fazer as coisas bem para poder levantar o caneco, que é o objetivo que nos trouxe aqui”, analisou Edo Bosch depois do triunfo nas meias-finais.

“Estivemos iguais a nós próprios, sentimos isso no estágio, nas reuniões, na viagem e na forma como entrámos no balneário. Quando conseguimos ser assim, somos uma equipa capaz de fazer o que demonstrámos aqui hoje [quarta-feira]. Na primeira parte, fomos ganhando confiança, encaixámos bem nas marcações e fizemos dois golos em transição, que vinha a ser um apanágio nosso e que andava perdido nos últimos jogos. Na segunda, tivemos um bom controlo, profundidade nas transições e um desempenho fantástico a nível defensivo. Acima de tudo, dou os parabéns aos jogadores pelo rigor e por levarem o clube a uma terceira final este ano. Só estando nesta final é que podemos disputar o troféu e esperemos que seja uma viragem de página para o que resta da época”, perspetivou Nuno Resende.

Na final desta quinta-feira, o Sporting entrou a todo o gás e, com apenas 39 segundos de jogo, inaugurou o marcador, através de um tiro de Toni Pérez (1′). Na resposta, Lucas Martínez quase empatou, valendo a primeira intervenção de Ângelo Girão (2′). Pouco depois, Diogo Abreu apareceu isolado na cara do internacional português, tentou a picadinha, mas a bola embateu em cheio na trave (10′). Com a Oliveirense a carregar em busca do empate, o golo acabou por aparecer na reta final do primeiro tempo, com Bruno di Benedetto a aparecer ao segundo poste a completar um passe de Nuno Santos (17′). Pouco depois, Diogo Abreu conduziu uma transição rápida e isolou o francês que, na cara de Girão, fez o 1-2 (20′). A fechar, Nolito Romero desferiu um remate forte e rasteiro longe, voltando a empatar a partida (22′).

Na segunda metade, os leões voltaram a entrar forte e, logo no início, Alessandro Verona quase completou nova reviravolta, com Xano Edo a defender (27′). Na resposta, Toni Pérez escorregou em zona proibida, Bruno di Benedetto aproveitou para se isolar e, em novo duelo com Girão, fez o hat-trick (28′). A partir daí o Sporting assumiu as despesas da partida e, com Rafa Bessa e Pérez em grande plano, voltou a empatar a final, numa jogada em que o português desferiu um grande remate, de longe, que entrou no ângulo da baliza de Edo (44′). Até ao final do tempo regulamentar, o jogo entrou num ritmo alucinante, com a bola a beijar os ferros das duas balizas, mas o empate não foi desfeito (3-3).

No prolongamento, os unionistas começaram mais fortes, com Martínez (51′) e Facundo Navarro (52′) a obrigarem Girão a duas intervenções, mas os leões responderam com um tiro de Rafael Bessa para defesa de Xano Edo (53′) e, logo a seguir, com um remate de Verona de muito longe, que desviou em Lucas Martínez e traiu o português (54′). Nos últimos segundos da primeira parte, o Sporting voltou a revelar-se letal, com Romero a encontrar Facundo Bridge sozinho ao segundo poste, para o 5-3 (55′). A 3.29 do fim, Bridge “arrancou” a décima falta a Matías Platero e, chamada de novo à responsabilidade, Di Benedetto desperdiçou, rematando de pronto para defesa de Girão (57′). Com o 5×4 no ringue, Navarro viu cartão azul depois de derrubar Nolito quando este surgia isolado (59′). Na cobrança, o argentino viu Edo fazer uma grande defesa (59′) e, a seis segundos do fim, João Souto fechou as contas com uma picadinha (60′)

Com o resultado sentenciado (6-3), o Sporting conquistou a Taça de Portugal de hóquei em patins pela quinta vez e colocou fim a um jejum que perdurava há 35 anos. Os leões são agora o terceiro clube mais titulado da história da prova rainha, atrás dos rivais Benfica (15) e FC Porto (19). Em termos individuais, Ângelo Girão, Toni Pérez e João Souto conquistaram o último troféu que lhes faltava ao serviço do Sporting, nesta que é a sua última época ao serviço dos verde e brancos — o guarda-redes vai reformar-se, os restantes vão sair. Já Edo Bosch conquistou o segundo troféu como treinador principal, depois de ter vencido a Taça Continental de 2022, no Valongo, o que lhe permitiu colocar fim ao historial recente de derrotas em finais.