Os dividendos do banco em Angola, participado pelo BPI, permitiram compensar neste primeiro trimestre a quebra dos resultados do banco na atividade em Portugal – onde uma descida das taxas de juro e da margem financeira fez reduzir os proveitos da instituição. Apesar desse efeito, os resultados consolidados do BPI subiram 13%, apesar da descida simétrica (de 13%) dos resultados em Portugal. Sobre o Novo Banco, o líder do banco BPI diz que não sabe se o processo de venda de 30% do capital em bolsa “está parado ou se continua”.

O lucro na atividade em Portugal foi de 98 milhões de euros no primeiro trimestre de 2025, embora os ganhos totais do banco tenham ascendido a 137 milhões quando se incorporam as atividades internacionais, sobretudo o dividendo pago pelo angolano BFA. O produto bancário do banco, que além da margem financeira inclui as comissões, baixou 8%.

João Pedro Oliveira e Costa, presidente do BPI, diz em conferência de imprensa que à medida que os trimestres vão avançando existe cada vez mais um “repricing” dos créditos no balanço do banco – o que tenderá a “estreitar” a margem financeira e reduzir os lucros do banco. Como os clientes têm créditos indexados a diferentes taxas (desde as Euribor até às taxas mistas/fixas), a revisão das prestações não acontece toda ao mesmo tempo.

Ainda assim, afirmou o gestor, esta é uma tendência de compressão da margem financeira que vai continuar nos próximos trimestres. “A redução da margem financeira será transversal ao setor, há poucos mecanismos para contrariar e a concorrência entre instituições bem capitalizadas e estrutura normalizada (custos, risco) vai incentivar ainda mais esta queda”.

João Pedro Oliveira e Costa prevê que, à medida que o ano avançar, “quando começarmos a comparar trimestre após trimestre, vai haver uma redução constante – até final de 2025 a margem financeira vai ser sempre inferior, todos os trimestres, sem exceção”.

“É um bocadinho provinciano falar em centros de decisão nacional”, diz presidente do BPI sobre eventual compra do Novo Banco

BPI diz que não sabe venda do Novo Banco em bolsa “está parada ou se continua”

O líder do BPI, em conferência de imprensa de apresentação de resultados, diz que não sabe se o Novo Banco continua a ter planos de vender 30% do capital em bolsa nos próximos meses. “A notícia que eu tenho é que o Novo Banco tem em curso um processo de IPO [oferta pública inicial], penso que foi falado que seria até ao verão mas de facto não tem aparecido mais nenhuma notícia”, afirma João Pedro Oliveira e Costa.

“Não sei se [o processo] está parado ou se continua, não tenho mais informação”, acrescentou o responsável, adiantando que o Novo Banco vai apresentar resultados trimestrais nos próximos dias e “eventualmente aí haverá algum tempo de esclarecimento”. “Vamos ver o que é que se vai passar, do nosso lado mantemo-nos muito focados em nós próprios”, afirma o líder do BPI, um banco que nunca escondeu que poderia estar interessado em comprar a instituição.

João Pedro Oliveira e Costa afirmou, também, que a adesão ao financiamento hipotecário aos jovens, com garantia pública, tem sido “acima do esperado“. “Fui mais cético no início mas hoje considero uma medida positiva“, afirma o líder do BPI, lembrando que esta medida “deve ser acompanhada por outras medidas, por mais construção, senão estamos a pressionar o mercado ainda mais”.

O BPI já recebeu mais de 4.750 pedidos e o valor de crédito concedidos ao abrigo deste programa supera 240 milhões de euros. “A percentagem de aprovação e rejeição é igual aos outros produtos e é muito baixo”, explicou João Pedro Oliveira e Costa, lançando um repto a que haja mais construção. “Neste momento eu metia as fichas todas num grande programa de construção. Era por aí que eu avançaria”, afirma o banqueiro.