É a primeira vez que Luís Montenegro responde demoradamente a Pedro Nuno Santos sobre matéria de alianças no day-after. Nos últimos dias, com crescente intensidade e frequência, o socialista tem dito várias vezes que uma aliança entre o Montenegro e Rui Rocha representa um enorme risco para o país. Esta tarde, em Famalicão, o social-democrata acusou o secretário-geral do PS de não ter mais nada para oferecer ao país do que agitar velhos e novos papões.
“No dia seguinte, nós vamos garantir a coligação de braço dado com os portugueses. Não vale a pena virem com papões. Só anda com papões quem não tem soluções. Aqui não mora nenhum papão; mora a solução”, atirou o primeiro-ministro, sempre muito aplaudido pelas várias centenas de militantes e simpatizantes da AD que decidiram passar pelo Mercado Municipal de Famalicação.
Antes, Montenegro começara o seu discurso por dizer que sentia a “responsabilidade de ser o farol deste país e de levar para este país para a frente”, ideia que retomaria na fase final da sua intervenção. “Nós levamos a luz. Estamos a iluminar o caminho. Do outro lado, vemos os profissionais do retrovisor, sempre a olhar para trás. Não temos nenhum problema com história, mas só olhamos para trás de relance, para nos inspirarmos. Na campanha, nós falamos de ideias e os outros é só o comentário super-lateral, daquilo que não interessa, que ilustra quem não tem anda para a apresentar.”
JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR
Outro ponto importante do discurso do social-democrata foi a insistência na mensagem da “lei e ordem“, que vinha a perder alguma força nas intervenções mais recentes. Com Chega a dar sinais de alguma estabilidade das intenções de voto (algo que está a surpreender o núcleo duro da campanha da AD), Montenegro voltou a carregar no discurso sobre imigração e sobre segurança.
“Há onze meses, o país que estava sem controlo. Numa balbúrdia. E agora ninguém quer falar disso. É uma assunto relativamente consensual. Até aqueles que só sabem dizer mal, deixaram de falar sobre esse tema”, sublinhou Montenegro, antes de fazer o mesmo com o tema da segurança: “Quando dissemos ao país que não podíamos dormir à sombra da bananeira, vieram dizer ‘este homem é um extremista’. Alguns até me chamaram ‘Xerife Montenegro’. Agora, ninguém falar sobre segurança. Porquê? Porque só tinham a dizer: ‘Parabéns ao Governo’”, provocou o primeiro-ministro e líder do PSD.
Mesmo a terminar, o social-democrata voltou a sugerir que os portugueses devem ter receio de uma eventual reedição da ‘geringonça‘ à esquerda. “Há um único voto que garante um governo com legitimação da vontade popular, que não é contrário à vontade do povo, um governo que tenha condições para executar o seu programa nos quatro anos da legislatura”, dramatiza Montenegro. “Confiem em nós: deem-nos uma maioria maior.”
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Melo deixa recado para dentro: “A coligação que o CDS tem é com o PSD; não é com mais ninguém”
Antes do cabeça de cartaz, fora Nuno Melo a assumir as despesas da campanha da AD. A jogar em casa — Melo é um orgulhoso famalicense —, o líder do CDS e ministro da Defesa não deixou ele próprio de fazer uma referência crítica à possibilidade de se estar a formar, à vista de todos, uma aliança entre Luís Montenegro e Rui Rocha.
Num breve apontamento que quase passava despercebido no contexto geral do discurso de Melo, o democrata-cristão foi clarinho: “As pessoas sabem com o que contam com a coligação da AD. Diria mais: a coligação que o CDS tem é com o PSD; não é com mais ninguém”. Era um claro recado para dentro de casa, e que deve ser lido também à luz de uma campanha em que o CDS está a ser praticamente ignorado enquanto parceiro de coligação.
Quanto ao mais, Melo repetiu a linha argumentativa que vai usando sempre que tem oportunidade de discursar: o ataque a Pedro Nuno Santos. “Quem não serviu para ministro pudesse ser agora melhor primeiro-ministro: “Este é o PS mais extremado da democracia portuguesa. Para governar, só poderia dar mão com o PCP, BE, Livre e com o PAN. Não queremos este pesadelo para Portugal. O grande teorizador da geringonça chamava-se Pedro Nuno Santos. Nós só governamos ganhando.”
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