O professor de inteligência artificial (IA) e investigação em física no instituto norte-americano MIT Max Tegmark afirma que, depois de realizar cálculos, descobriu uma probabilidade de 90% de uma IA altamente avançada representar uma ameaça existencial. Num artigo publicado em conjunto com três estudantes, os autores recomendam às empresas de IA que utilizem a equação do efeito Compton — criado pelo físico norte-americano Arthur Compton, que sustentou os cálculos de Robert Oppenheimer para o teste Trinity, que antecedeu a bomba atómica em 1945 — para acautelar preocupações de segurança.
De acordo com Tegmark, o cálculo resulta na probabilidade de uma IA altamente avançada, com poderes totais superiores à inteligência humana, poder escapar ao controlo humano. O especialista, que é presidente do Future of Life Institute, uma organização sem fins lucrativos que quer uma tecnologia que evolua beneficiando a humanidade, alerta para que as organizações que utilizam IA realizem os mesmos cálculos antes de optar por sistemas de superinteligência.
Os resultados foram publicados pelo The Guardian e o especialista reagiu através das redes sociais. “Se investigadores de empresas e países recalcularem esta constante e concordarem que é muito alta, haverá vontade política para impor padrões de segurança”, disse.
The Guardian just covered our new paper on calculating the "Compton constant", the probability that future superintelligence will escape human control and take over Earth. If researchers across companies & countries recompute this constant and agree that it's too high, there will… pic.twitter.com/iwdJjLO1eO
— Max Tegmark (@tegmark) May 10, 2025
Em novembro, Tegmark esteve em Lisboa para a Web Summit e conversou com o Observador sobre os padrões de segurança que considera necessários. “Qualquer indústria tem padrões de segurança, certo? Se quiser abrir um restaurante, tenho a certeza de que a cidade de Lisboa tem alguns critérios de segurança. Não é possível ter ratos na cozinha e coisas do género. A parte mais importante é mesmo que deve haver padrões de segurança. E, para perceber o que devem ser, é preciso ter alguns especialistas de IA e deixá-los falar uns com os outros, de certeza que vão resolver alguma coisa.”