Foi a ferros, foi saindo a partir de trás em alguns momentos, foi entre muitas dificuldades – mas foi. Numa época em que se esperava mais do FC Porto depois da dobradinha conseguida em 2023/24, a Final Four da Liga dos Campeões surgia como uma primeira tábua de salvação que podia ainda trazer tantos títulos como a anterior e até com maior “peso”. Foi por isso que, após o triunfo no prolongamento com o Benfica, os jogadores azuis e brancos festejaram quase como se fosse já uma “vitória”. Ricardo Ares, esse, preferia não olhar para esse triunfo no clássico, recordando por mais do que uma vez que nada estava alcançado.

Um irmão abriu, outro fechou: FC Porto vence Benfica no prolongamento e volta à final da Liga dos Campeões

“O jogo teve muitos momentos diferentes. No início fomos muito superiores, merecíamos ter marcado um ou dois golos. O Benfica tem boas individualidades e um coletivo forte, pelo que a chave passava por controlar muito bem o 4×4 deles. Fizemo-lo muito bem. Tivemos dez transições em superioridade e eles apenas quatro, o que significa que soubemos anular o seu ataque. Isto são as meias-finais da Liga dos Campeões mas a chave em qualquer final ou competição é que a equipa que defende muito bem, taticamente e com coração, acaba por ganhar. Poucos sorrisos? Ainda não alcançámos nada. Já estou a pensar no adversário que vamos ter e em baixar a euforia. O passado, seja bom ou mau, não vale nada. Estou muito feliz por estar final da Champions mas temos de baixar a euforia para lutar bem por ele”, alertara o técnico dos dragões.

Fazia sentido ou não estivesse pela frente aquela que tem sido uma espécie de besta negra na presente época, o Óquei de Barcelos. Com mais uma exibição muito competente, os minhotos bateram os espanhóis do Nóia por 3-1 e voltavam a uma final europeia mais de duas décadas depois da derrota com o Barcelona no tempo extra (2-1 em 2002), tendo pela frente um FC Porto que esta temporada tinha sido um “cliente habitual” com três vitórias em cinco encontros incluindo a final da Supertaça logo no arranque da época de 2024/25.

“No início da época disse que o objetivo era aproximarmo-nos novamente dos crónicos grandes. Não é fácil igualá-los neste contexto competitivo, porque as condições não são as mesmas. Tento potencializar aquilo que são os meus jogadores e este enorme clube, com enorme tradição no hóquei em patins. Tenho grandes jogadores e a minha função é potenciá-los com algum, pouco, conhecimento que tenho. Final da Champions como objetivo? Enquanto aqui estiver, vamos entrar em todos os jogos para ganhar. Não os vamos ganhar todos, obviamente. Não era uma questão de ser ou não um objetivo, era uma questão de ser impensável para as pessoas de fora. Eu sou um treinador ambicioso e quero fazer história neste clube, sendo campeão europeu”, destacara Rui Neto depois da meia-final que levou também muita gente a Matosinhos.

O encontro começou com poucas oportunidades, entre um FC Porto a colocar mais risco no jogo e um Óquei de Barcelos a defender de forma organizada para depois sair pela certa. Os minutos foram passando sem golos, apesar de um remate forte de Carlo Di Benedetto que bateu com estrondo no poste da baliza de Conti Acevedo (13′), e foi preciso esperar até ao 17.º para a primeira festa em Matosinhos, com Edu Lamas a ver bem a presença de Di Benedetto na área para o desvio oportuno que fez o 1-0 (17′). Hélder Nunes atirou à barra (22′), Xavi Malián teve duas grandes intervenções nos minutos finais antes do intervalo em que se viu um aumento da agressividade dos minhotos, mas a partida iria pela vantagem mínima para o descanso.

Essa reação teve prolongamento na segunda parte, com o Óquei de Barcelos a aproveitar um cartão azul a Carlo Di Benedetto após revisão do VAR para empatar em power play por Miguel Rocha, melhor marcador da prova que não conseguiu transformar o livre direto (27′) mas aproveitou um erro da defesa portista para fazer o 1-1 (28′). As bancadas ficavam ainda mais ao rubro, com os muitos adeptos minhotos a fazerem-se ouvir e bem perante a resposta dos adeptos azuis e brancos. Já no recinto, o encontro entrou numa fase mais morna, com o risco a baixar entre os dois conjuntos apesar de um remate de Rampulla que ainda bateu no poste (43′). Só mesmo no último minutos haveria algo a mudar o rumo dos acontecimentos, com o pedido de VAR a funcionar e Edu Lamas a ver azul por enganchamento no patim de Rampulla e a dar a oportunidade a Miguel Rocha de chegar à reviravolta de livre direto, mais uma vez travado por Xavi Malián (50′).

As decisões seguiriam mesmo para prolongamento, com os dragões a terem o primeiro minuto ainda em desvantagem numérica mas sem que os minhotos conseguissem criar grandes oportunidades para chegarem à reviravolta. Aliás, ao longo dos dez minutos de tempo extra, a vontade de defender bem para não sofrer acabou por imperar face à intenção de resolver tudo sem recorrer às grandes penalidades. Foi isso mesmo que aconteceu, com Xavi Malián e Conti Acevedo a vestirem a capa de possíveis heróis num desempate que podia cair para qualquer um dos lados mas foi para os minhotos, que venceram por 2-0 com Pedro Silva e José Querido a serem os únicos capazes de converter as respetivas tentativas entre sete remates.