Quando Carlo Ancelotti viajou para Londres para se reunir com os responsáveis da Confederação Brasileira de Futebol, ninguém tinha dúvidas: estava encontrado o novo selecionador. No entanto, as informações que iam sendo passadas à imprensa eram manifestamente exageradas e, de futuro técnico, o italiano passou a ser um “não técnico”. Tudo parecia voltar à estaca zero, abrindo portas a outros nomes que estavam mais do que tentados a assumir a posição, com Jorge Jesus à cabeça (Abel Ferreira também foi ventilado mas teria de haver um acordo com o Palmeiras). Era nesse ponto que se estava. Até hoje. Mais uma vez, tudo mudou.

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Depois de duas semanas em que a figura de Jorge Jesus foi sendo apontada como estando no topo da lista de possibilidades ainda pela passagem de sucesso pelo Flamengo, a derrota do Real Madrid no clássico frente ao Barcelona acabou por precipitar um novo cenário simples de perceber: os merengues assumem já em termos internos que a conquista do título não passa de uma miragem, consideram que chegou ao fim a segunda era de Ancelotti no comando da equipa e avançaram para aquele que será o seu sucessor, Xabi Alonso. Mais: ficou decidido que o antigo técnico do Bayer Leverkusen irá liderar a equipa já no Mundial de Clubes, que tem início a 14 de junho (os espanhóis terão Al Hilal, Pachuca e Salzburgo como adversários nos grupos).

Com isso, Carlo Ancelotti ficava “livre” para assumir qualquer compromisso, tendo em conta que irá sair na semana entre 25 e 31 de maio, após o final da Liga espanhola (Xabi Alonso será apresentado a 1 de junho, de acordo com a imprensa espanhola). O interesse mútuo foi retomado e agora, de acordo com o que avança o The Athletic, o acordo ficou mesmo fechado, com o transalpino a assumir a canarinha a partir de junho.

“Trazer o Carlo Ancelotti para comandar o Brasil é mais do que um movimento estratégico. É uma declaração ao mundo de que estamos determinados a recuperar o lugar mais alto do pódio. É o maior técnico da história e, agora, está à frente da maior seleção do planeta. Juntos, escreveremos novos capítulos gloriosos do futebol brasileiro”, comentou Ednaldo Rodrigues, líder da Confederação Brasileira de Futebol, após a confirmação por parte do organismo da contratação do treinador que tinha ainda mais um ano de contrato com o Real Madrid mas que terá chegado a um acordo com Florentino Pérez para a saída. Assim, a estreia de Carletto, que substitui Dorival Júnior, está marcada para dia 5 de junho, com o Equador, num encontro a contar para a fase de qualificação para o Mundial de 2026, nos EUA, no México e no Canadá.

Aos 65 anos, Carlo Ancelotti é um dos treinadores mais titulados de sempre da história do futebol e esteve nos últimos quatro anos no Real Madrid com a conquista de 11 títulos: duas Ligas dos Campeões, duas Ligas, uma Taça do Rei, duas Supertaças de Espanha, duas Supertaças europeias e dois Mundiais de clubes, sendo que antes, entre 2013 e 2015 na primeira passagem pela capital espanhola, já tinha ganho uma Champions, uma Supertaça Europeia, um Mundial de Clubes e uma Taça do Rei. Antes e depois, o italiano passou por Reggiana, Parma, Juventus, AC Milan (onde ganhou duas Ligas dos Campeões), Chelsea, PSG, Bayern, Nápoles e Everton. Só como treinador, depois de uma carreira com vários troféus como jogador, Carletto ganhou 31 títulos com vitórias nas ligas top 5: Itália, Espanha, Inglaterra, França e Alemanha.

Apesar dos vários convites que foi recebendo ao longo da carreira, a que se juntou uma alegada proposta milionária da Arábia Saudita, esta é a primeira vez que Carlo Ancelotti assume o comando de uma seleção. Neste caso, o objetivo principal é claro: confirmar a qualificação para o próximo Campeonato do Mundo e poder quebrar o jejum de títulos dos pentacampeões mundiais, que enfrentam um dos maiores períodos sem títulos depois das vitórias em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Nas últimas edições, a canarinha ficou nos quartos em 2006, 2010, 2018 e 2022, tendo ido até às meias em 2014 onde foi goleado pela Alemanha.

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