É a maior figura do cinema francês a ser apanhada no #MeToo: Gérard Depardieu foi condenado a 18 meses de prisão com pena suspensa por agressão sexual a duas mulheres durante a rodagem do filme As Persianas Verdes, proferiu o Tribunal Penal de Paris na manhã desta terça-feira, reporta o Le Monde. O advogado do ator já anunciou que vai recorrer da sentença.

Depardieu, que está atualmente a filmar em Portugal um filme realizado por Fanny Ardant, não esteve presente em tribunal, ao contrário do que tinha prometido o seu advogado, Jérémie Assous, na imprensa francesa.

No final dos quatro dias de julgamento do caso, em março, o Ministério Público pedira 18 meses de prisão com pena suspensa com três anos de suspensão condicional, “uma pena que tem em conta a total falta de remorsos do arguido”. O magistrado pedira igualmente 20 mil euros de indemnização, a obrigação de se submeter a um tratamento psicológico, a inscrição no registo de delinquentes sexuais e a privação de Depardieu dos seus direitos cívicos durante dois anos. O tribunal acedeu em conformidade com o pedido da acusação.

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As agressões em causa ocorreram durante a rodagem do filme As Persianas Verdes, de Jean Becker, em 2021. Uma das queixosas, uma decoradora e cenógrafa de 54 anos, disse em tribunal que o ator a tinha apalpado por todo o corpo enquanto a prendia entre as suas pernas e fazia comentários sexuais explícitos, reporta a Reuters. “Ele tocou em tudo, incluindo nas minhas mamas”, afirmou perante o juiz. “Eu estava aterrorizada, ele estava a rir-se.” A segunda queixosa garantiu ter sido apalpada por Depardieu durante a rodagem e na rua. Já o ator disse ao tribunal que não considerava que colocar a mão nas nádegas de uma pessoa fosse uma agressão sexual e que algumas mulheres ficavam chocadas com demasiada facilidade, negando sempre a agressão.

O juiz, citado pelo jornal Le Monde, disse que as explicações de Depardieu não foram convincentes.​ “O tribunal teve em conta a idade do arguido, a deterioração do seu estado de saúde e a sua posição sobre os factos, que contesta, uma vez que não parece ter compreendido o conceito de consentimento”, explicou o magistrado.

Depardieu, figura de proa do cinema francês, tem vindo a negar qualquer irregularidade na sua conduta e o julgamento cujo desfecho agora se conhece representa o primeiro caso que chega a tribunal das várias suspeitas que se levantaram em relação ao ator ao longo dos anos. No total, 13 mulheres acusaram o ator de agressão sexual, em atos ocorridos entre 2004 e 2022, durante as rodagens de 11 filmes e séries de televisão.

O ator aguarda também para ir a julgamento pela alegada violação da atriz Charlotte Arnould, num caso que remonta a 2018, quando a atriz, à época com 22 anos, acusou Depardieu de a ter violado em duas ocasiões. O caso ainda não teve desfecho nos tribunais.

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