Era muito mais do que um simples jogo de futebol. Na Pedreira, o Benfica tinha a ingrata tarefa de estar obrigado a ganhar enquanto sabia que nem a maior das goleadas carimbava a conquista do Campeonato se o Sporting também vencesse em Alvalade. Ainda assim, existia a possibilidade de os encarnados serem campeões nacionais este sábado — e para que essa possibilidade continuasse a existir era obrigatório ganhar.
Uma semana depois do dérbi que voltou a deixar tudo empatado, ainda que o Sporting mantivesse a tal vantagem do confronto direto por ter vencido em casa na primeira volta, o Benfica visitava o Sp. Braga na Pedreira e Bruno Lage garantia que a equipa só estava concentrada no triunfo. Contudo, a ideia de perder o Campeonato a uma semana da final da Taça de Portugal e ficar dois anos seguidos sem ser campeão nacional era algo que ainda custava a engolir na Luz.
Ficha de jogo
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Sp. Braga-Benfica, 1-1
34.ª jornada da Primeira Liga
Estádio Municipal de Braga, em Braga
Árbitro: Miguel Nogueira (AF Lisboa)
Sp. Braga: Lukas Hornicek, Víctor Gómez (João Ferreira, 90+1′), Paulo Oliveira, Niakaté (Robson Bambu, 76′), Francisco Chissumba, João Moutinho, Uros Racic (Vitor Carvalho, 73′), Roger Fernandes, Rodrigo Zalazar (Gorby, 73′), Ricardo Horta, Afonso Patrão (El Ouazzani, 73′)
Suplentes não utilizados: Tiago Sá, Adrián Marín, Ismaël Gharbi, Gabri Martínez
Treinador: Carlos Carvalhal
Benfica: Trubin, Tomás Araújo (Tiago Gouveia, 73′), António Silva, Otamendi, Álvaro Carreras, Leandro Barreiro, Florentino (Belotti, 60′), Kökçü (Arthur Cabral, 87′), Aktürkoğlu (Bruma, 60′), Schjelderup (Di María, 60′), Pavlidis
Suplentes não utilizados: Samuel Soares, Samuel Dahl, Nuno Félix, Adrian Bajrami
Treinador: Bruno Lage
Golos: Rodrigo Zalazar (gp, 24′), Pavlidis (63′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Kökçü (33′), a Otamendi (45+3′), a Francisco Chissumba (52′), a João Moutinho (55′ e 66′), a Uros Racic (57′); cartão vermelho por acumulação a João Moutinho (66′)
“Esta não é a altura para fazer qualquer tipo de balanço. Ainda temos essa possibilidade de sermos campeões. O balanço será feito na devida altura. A equipa sentiu que podia ter vencido na semana passada, mas já ultrapassámos isso. Agora, o pensamento foi estarmos concentrados e motivados para o último jogo. Por vezes, a grande capacidade do treinador é convencer os jogadores a jogar de acordo com as nossas ideias, com o que gostamos. No entanto, também é muito importante entender as características dos jogadores. E temos de saber combinar isso e é o que pretendemos para amanhã novamente”, disse Bruno Lage na antevisão da partida.
Assim, sem os lesionados Fredrik Aursnes e Amdouni, o treinador encarnado promovia a titularidade de Leandro Barreiro e Schjelderup, com Di María a começar no banco depois de ter sido substituído ao intervalo do dérbi. No Sp. Braga, que tinha como missão praticamente impossível alcançar o terceiro lugar que o FC Porto já tinha como quase garantido, Carlos Carvalhal tinha o jovem Afonso Patrão como referência ofensiva, apoiado por Roger, Rodrigo Zalazar e Ricardo Horta.
8.º ⚽ golo de Zalazar esta época, o 4.º no campeonato: marca em jogo consecutivos
⚠ 3.º golo de Zalazar ao Benfica: já tinha marcado 2 na época passada, na Luz, na Taça pic.twitter.com/qdpyeHEKr2
— Playmaker (@playmaker_PT) May 17, 2025
O Benfica começou claramente melhor, com as linhas subidas e muita vontade de apressar a vantagem para, pelo menos, cumprir a própria tarefa. Leandro Barreiro teve uma enorme oportunidade para abrir o marcador ainda dentro dos instantes iniciais, ao aparecer isolado na cara de Lukas Hornicek para atirar rasteiro e ao lado (6′), mas Paulo Oliveira não demorou a cabecear na área encarnada para obrigar Trubin a uma enorme defesa na sequência de um canto na direita (10′).
A lógica do dérbi mantinha-se, com Pavlidis a demonstrar-se o jogador mais inspirado da equipa de Bruno Lage: o avançado grego poderia ter voltado a marcar, num lance em que evitou dois adversários antes de rematar ao lado (14′), e era sempre a solução dos colegas para receber a bola. Ainda dentro da primeira meia-hora, porém, o universo encarnado gelou.
⏱️ 33’ | Braga 1 – 0 Benfica
◉ A partida está repartida na Pedreira, com o #SLB sem conseguir impor o seu jogo#SCBSLB #LigaPortugal pic.twitter.com/XRXJnf5WcN
— GoalPoint (@_Goalpoint) May 17, 2025
Ricardo Horta caiu na área do Benfica, pediu grande penalidade de Tomás Araújo e Miguel Nogueira, depois de ser chamado a analisar as imagens do VAR, assinalou falta do jovem lateral sobre o avançado. Na conversão, Rodrigo Zalazar não deu qualquer hipótese a Trubin e abriu o marcador (24′), deixando os encarnados com uma montanha ainda maior para escalar — até porque, em Alvalade, o Sporting continuava empatado sem golos contra o V. Guimarães.
O Benfica tentou reagir, assumindo a posse de bola e assentando arraiais no meio-campo adversário, mas a verdade é que raramente conseguia finalizar jogadas e não conseguia escapar a uma lateralização inconsequente do jogo. Do outro lado, o Sp. Braga ia aproveitando alguma desconcentração encarnada e até poderia ter aumentado a vantagem já nos descontos, com Roger a rematar forte para uma grande defesa de Trubin (45+4′). Ao intervalo, o Benfica estava a perder na Pedreira e o Sporting estava a 45 minutos de ser bicampeão nacional.
⏱️ INTERVALO | Braga 1 – 0 Benfica
◉ Águia precisa de ganhar, mas está a perder, mostrando muito nervosismo
◉ Minhotos mais rematadores e perigosos#SCBSLB #LigaPortugal pic.twitter.com/RzjZaYjJ78— GoalPoint (@_Goalpoint) May 17, 2025
Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o jogo regressou dos balneários algo partido, com Pavlidis a rematar por cima na sequência de um lance individual (48′) e Zalazar a atirar de fora de área para Trubin defender (49′). Pouco depois, ouviu-se na Pedreira a desilusão provocada pelo golo marcado por Pedro Gonçalves em Alvalade, que deixou a tarefa encarnada ainda mais hercúlea, e Bruno Lage reagiu com medidas extremas.
Di María, Belotti e Bruma entraram de uma vez, à passagem da hora de jogo, e o Benfica começou a assumir uma ideia de risco máximo com a equipa muito subida e muito espaço solto nas costas da defesa, algo que o Sp. Braga ia tentando aproveitar com transições rápidas. A insistência encarnada, porém, acabou por dar frutos: Di María aproveitou um alívio curto e deixou em Pavlidis, que atirou em força para bater Hornicek (63′).
29.º ⚽ golo de Pavlidis esta época, o 19.º na Liga: ultrapassa Samu como 2.º melhor marcador prova ⬆ pic.twitter.com/R6J3qMTPUs
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De seguida, tudo ficou ainda mais complexo para o Sp. Braga. João Moutinho viu dois cartões amarelos em pouco mais de dez minutos e foi expulso, deixando os minhotos em inferioridade numérica numa altura em que ainda nem tinham tido tempo para reagir ao golo sofrido. Carlos Carvalhal fez as primeiras substituições a cerca de 20 minutos do fim, lançando também El Ouazzani, Vitor Carvalho e Gorby de uma vez, e Bruno Lage trocou Tomás Araújo por Tiago Gouveia.
Até ao fim, porém, já nada mudou — ou até piorou, já que Gyökeres aumentou a vantagem do Sporting em Alvalade. As alterações de Carlos Carvalhal equilibraram a equipa e a verdade é que o conjunto de Bruno Lage não voltou a criar verdadeiro perigo, limitando-se a ter muita bola no último terço contrário sem beneficiar de situações de finalização, apesar de ter terminado o jogo com três pontas-de-lança após a entrada de Arthur Cabral.
Num dia em que precisava de ganhar e esperar por um deslize do Sporting, o Benfica não foi além de um empate com o Sp. Braga na Pedreira e terminou a temporada com menos dois pontos do que os leões, que são bicampeões nacionais. No momento decisivo, os encarnados capitularam. E entregaram o título de bandeja, sem sequer dar luta, quando todos esperavam que combatessem até ao derradeiro apito final.
???????? FINAL | Braga 1 – 1 Benfica
◉ Águia não vai além de empate na Pedreira
◉ Minhotos marcaram 1º ante nervosismo da águia
◉ #SLB pressionou até final ante Braga com 10
◉ Ratings e Match Report em https://t.co/QZuwKyuNke#SCBSLB #LigaPortugal pic.twitter.com/O9qZGYIX92— GoalPoint (@_Goalpoint) May 17, 2025