As perspetivas de saída do autocarro de Alvalade nem resvalaram muito a comparar com o ano passado, num título comemorado num contexto diferente, mais tarde e na sequência da derrota do Benfica em Famalicão, a chegada ao Marquês de Pombal foi tardia pela euforia desmedida ao longo de todo o trajeto de milhares e milhares de adeptos que foram enchendo as ruas lisboetas até ao centro dos festejos. Muito fogo de artifício, demasiados petardos, tochas e potes de fumo sem fim num ambiente de festa que começava no autocarro que levava os jogadores e que tinha músicas do clube. Por volta da 1h da manhã, outra explosão começava.

A festa do leão: Sporting foi ao Marquês comemorar com milhares de adeptos o bicampeonato 71 anos depois

Este tipo de festejos servem muitas vezes para perceber as personalidades de cada jogador, uns mais tímidos e reservados, outros mais extrovertidos e embebidos pelo ambiente festivo. Mais uma vez, não foi exceção. E num ambiente relaxado, descontraído e de brincadeira, voltaram a sobrar algumas “verdades”.

Rui Borges foi um exemplo paradigmático disso mesmo. Depois de ter entrado com a taça de campeão ao lado do capitão, Morten Hjulmand (que esteve sempre a dar o exemplo em palco, orgulhoso pelo feito que a equipa alcançou mas quase a tomar conta do seu grupo), o técnico dirigiu algumas palavras aos adeptos verde e brancos que enchiam o Marquês. “Obrigado é pouco para vos agradecer tudo o que fizeram por este grupo. Vocês foram as pessoas mais importantes”, referiu, antes de ser interrompido por Pedro Gonçalves, de novo um dos chefes da festa que agarrou no microfone e falou no “campeão da tasca”, recordando alguns comentários que se tornaram virais a propósito da postura do treinador leonino nas conferências.

Obrigado, obrigado, obrigado! Vamos todos para a taberna festejar. Bicampeões, bicampeões, bicampeões!”, rematou Rui Borges, que mais tarde daria um longo e sentido abraço a Frederico Varandas, presidente do Sporting, numa outra imagem que marcou a noite de festa.

Também Pedro Gonçalves, o dono do microfone que voltou a chamar a si grande parte das atenções tendo ao lado Daniel Bragança (Gyökeres também foi de quando em vez mais à frente, às vezes para atirar coisas soltas como “Em abril, águas mil. Em maio, vou dançar com o Esgaio”). E foi também o internacional português que voltou aos golos oito meses depois no decisivo triunfo com o V. Guimarães a ficar com “o” momento.

“Só quero dizer uma coisa. Disseram que jamais seríamos bicampeões sem adeptos. Disseram que jamais seríamos bicampeões sem o Amorim. Disseram que jamais seríamos campeões sem o Hugo Viana. Dizem que jamais seremos tricampeões sem o Viktor [Gyökeres]. E agora o que vos quero dizer? Vamos ver…”, atirou, numa adaptação que tinha ficado da frase de Ruben Amorim há um ano antes de fazer o drop the mic. Nota: até mesmo o internacional português parece dar como inevitável a saída do atual líder da Bota de Ouro…

Também Morten Hjulmand, que foi ao Marquês pela primeira vez como capitão depois da saída de Sebastian Coates no último verão, falou aos adeptos e em português. “Tranquilo, vou falar tranquilo… Digam-me uma equipa que ganhou o Campeonato com três treinadores… Só nós! Eu tenho 25 anos, o Sporting não era bicampeão há 71 anos. Bicampeão!”, recordou o capitão, que mostrou ter a lição estudada também em relação à importância do título em termos históricos para o Sporting e do facto de não haver uma equipa campeã no plano nacional com três treinadores na mesma temporada há mais de 55 temporadas.

Seguiram-se as músicas, do Sporting e as habituais de festa como “We Are the Champions” dos Queen ou “Sky Full of Stars” dos Coldplay (que se ouviu quando começou o espectáculo de fogo de artifício lançado da zona do Parque Eduardo VII), num final de noite já longo mas que coroou o bicampeonato antes de um dia de folga, o regresso aos treinos na manhã desta segunda-feira antes da ida à Câmara Municipal ao final da tarde e a preparação para o próximo desafio: a final da Taça de Portugal frente ao Benfica no Jamor.