O top 3 poderia ser fechado por uma de várias opções, conforme o peso da avaliação feita pendesse mais para os títulos, para as infraestruturas, para as modalidades ou para a vida interna do clube, mas há muito que o Sporting tem dois presidentes que entram sempre nas listas dos maiores de sempre: António Ribeiro Ferreira e João Rocha. Por razões diferentes, em eras diferentes, com currículos. Agora, sem que nada à partida o fizesse prever por ter apenas um mandato e meio, Frederico Varandas está nesse pódio. Mais: é o presidente com mais títulos nacionais ganhos no futebol, ainda empatado com Ribeiro Ferreira, e poderá isolar-se caso os leões conquistem a Taça de Portugal no domingo frente ao Benfica. Mas tem mais a favor.

Com uma situação financeira trémula e sobretudo uma necessidade enorme de restituir a imagem do clube na sequência de tudo o que aconteceu depois da invasão da Academia,  herdando um plantel que ainda teve capacidade de reverter rescisões como as de Bruno Fernandes ou Bas Dost mas que, com José Peseiro no comando por aposta da Comissão de Gestão, perdeu muito potencial face ao que tinha. O Sporting partia um pouco atrás, o Sporting ainda conseguiu uma época muito acima do expectável: Marcel Keizer foi contratado a meio da temporada, teve um arranque a todo o gás com dez vitórias consecutivas e terminou a época com dois títulos, batendo o FC Porto no desempate por penáltis na Taça da Liga e na Taça de Portugal.

A derrota com goleada frente ao Benfica na Supertaça sentenciou o caminho de Keizer, apesar de só ter saído mais tarde, mas as soluções Leonel Pontes e Silas não resultaram. Havendo pelo meio uma franja de massa adepta ainda “agarrada” a um passado chamado Bruno de Carvalho e também uma tensão crescente com as claques até ao corte dos protocolos, nem os sucessos nas modalidades com as conquistas da Champions de futsal (pela primeira vez) e de hóquei em patins serviam para disfarçar a pressão pela falta de rendimento do futebol. Em março de 2020, quando Ruben Amorim foi contratado a troco de dez milhões de euros (valor que iria aumentar no saldo final), a estreia foi feita com pouco mais de 20 mil pessoas em Alvalade e depois da maior manifestação na zona do Multidesportivo de Alvalade à Direção do clube. Ali era um ponto limite.

A pandemia trouxe outros dilemas na parte financeira, tendo em conta a falta de receitas com custos fixos que todos os clubes (e empresas) atravessaram, a época de 2019/20 acabou com um quarto lugar ainda com os estádios sem público, o início da temporada de 2020/21 também foi tudo menos auspicioso com a precoce eliminação no playoff da Liga Europa com o LASK Linz. Amorim tinha sido uma aposta quase all-in dos verde e brancos mas o tempo veio dar razão à escolha, com reflexos a vários níveis no Sporting: a equipa regressou à conquista dos Campeonatos, quebrando o maior jejum de sempre de 19 anos, conseguiu regressar à Liga dos Campeões, manteve a mesma competitividade mesmo numa época em que terminou em quarto, voltou a ganhar o Campeonato em 2024 com o scouting a dar cartas com Gyökeres e Hjulmand.

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Agora, em novembro, Varandas tinha um teste à ideia de que a estrutura e o próprio clube tinham chegado a um ponto de estabilidade em que quem viesse encontrava condições para ganhar. A aposta em João Pereira para suceder a Amorim correu mal e foi desfeita em seis semanas, com Rui Borges a ser a nova aposta no final de dezembro. A equipa não deixou de sentir ondas de choque pela falta do treinador que arquitetou todo o projeto (a que se juntou a saída do diretor desportivo, Hugo Viana), teve algumas quebras mas superou uma época atípica a todos os níveis para ganhar o bicampeonato 71 depois com três treinadores, muitas lesões e emoção até ao fim até ao triunfo diante do V. Guimarães – tendo ainda a final da Taça.

Pelo meio, várias coisas foram mudando no clube. A reestruturação financeira foi consolidada, o Sporting recuperou os VMOC que estavam no Millennium BCP e no Novo Banco (ficando assim com quase 90% do capital social da SAD, o que permite a breve/médio prazo alienar parte sem perder a maioria), a parte mais institucional estabilizou por completo, as obras de renovação do Estádio José Alvalade vão entrar numa fase nova com o fim do fosso, a criação de dois mil lugares, a aposta em novos espaços e o investimento na recompra do Alvaláxia sabendo também que o complexo Campo Novo junto ao Pavilhão trará uma nova vida naquela zona. Em paralelo, as modalidades continuam a obter bons resultados, com o andebol a chegar onde nunca chegara na Champions antes do provável bicampeonato, o voleibol a recuperar o título sete anos depois, o hóquei em patins a ganhar a Taça 35 anos depois estando agora na luta pelo Campeonato e o futsal a vencer a Taça de Portugal e a Taça da Liga antes da aposta num inédito pentacampeonato nacional.

Tudo isso tem outro impacto graças ao futebol, onde Varandas igualou os oito títulos de Ribeiro Ferreira tendo três Campeonatos Nacionais, uma Taça de Portugal, três Taças da Liga e uma Supertaça. Ribeiro Ferreira, além de seis Campeonatos (o último ganho dois meses depois de morrer ainda jovem, com 47 anos vítima de uma doença grave) e duas Taças de Portugal na fase mais hegemónica de sempre do clube com os famosos Cinco Violinos, a aposta em Cândido de Oliveira para coordenador do futebol e escolhas de sucesso como o técnico Randolph Galloway, é o líder com mais troféus no futebol. João Rocha, além dos sete títulos no futebol (três Campeonatos, três Taças de Portugal e uma Supertaça), ficará também como o líder com maior longevidade no cargo e por uma invulgar capacidade de colocar o clube como principal potência desportiva na prática, nas infraestruturas e nos títulos. Agora, Varandas conseguiu abrir uma nova era.

Enquanto esta Direção aqui estiver, sabem quando é que o Sporting será gerido de fora para dentro? Nunca. Muito mais importante do que a habitual comunicação corriqueira para inglês ver, é a comunicação interna entre estrutura, treinador e jogadores. O presidente irá falar para fora quando entendermos que é o melhor momento e que defende os interesses do Sporting”, destacou Varandas em dezembro, antes da saída de João Pereira e a chegada de Rui Borges.

Entre decisões que de forma consciente dividiram adeptos, alheio a todas as pressões de fora sobretudo antes da chegada de Ruben Amorim, o antigo diretor clínico do clube, que ganhou as eleições de 2018 com maior número de votos mas menor número de votantes (aí ganhou João Benedito), devolveu a estabilidade ao clube através dos resultados e foi esvaziando franjas mais críticas. Agora, na antecâmara do mais do que provável anúncio de recandidatura às eleições de 2026, tem um novo desafio: chegar ao tricampeonato. E a época de 2025/26 será um novo desafio para o líder verde e branco, que terá o primeiro mercado de transferências sem Ruben Amorim e Hugo Viana (substituído numa reformulação da estrutura por Bernardo Palmeiro como diretor geral e por Flávio Costa como diretor do scouting), que já teve uma primeira página com a venda de Geovany Quenda e Dário Essugo ao Chelsea e que trará a espinhosa tarefa de substituir Gyökeres.

Visconde de Alvalade: 1906-1910

Advogado nascido em Santarém e formado bacharel em Coimbra, foi um dos principais fundadores do clube quando já vivia no Lumiar. Começou por liderar o Campo Grande Foot-Ball Club mas acompanhou o afastamento do neto, José Alvalade, para fundar o Sporting. Deu terrenos, uma casa e dinheiro para o nascimento do clube. Fez os primeiros estatutos. Acabaria por morrer em 1920.

Caetano Pereira: 1910 e 1912-13

Praticante de ginástica e natação, entrou no clube para acompanhar mais de perto os três filhos desportistas. Foi o primeiro líder a repetir a presidência em dois momentos distintos. Importou da Alemanha o símbolo desenhado para o clube, indigitou os capitães, melhorou as infraestruturas e reformou alguns serviços. Introduziu o Conselho Fiscal e Disciplinar e o Conselho Técnico nos segundos estatutos. Organizou também o primeiro jogo com entradas pagas.

José Alvalade: 1910-12

Foi o grande impulsionador para o nascimento do clube e o autor da célebre “Queremos que o Sporting seja um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa”, ainda hoje tão utilizada. Jogou futebol, críquete e ténis nos leões, dotou o clube das melhores instalações do país e foi determinante na construção do Stadium Lisboa.

Mota Marques: 1913-14

Hábil ginasta, esteve no Campo Grande Foot-ball Club e passou para o Sporting. Além de ter equilibrado as finanças, inaugurou a sede na rua Garrett, criou a Comissão de Revisão dos Estatutos, introduziu o hino “Menelik” e contratou Artur José Pereira, primeiro futebolista pago no país que veio do Benfica e mais tarde viria a fundar o Belenenses.

Queirós dos Santos: 1914-18

Vindo do Grupo Sport Lisboa, fez parte da primeira equipa de sempre do Sporting (tanto jogava como lateral como era avançado), foi capitão e membro do Conselho Técnico mas também integrou a “equipa invencível” de Luta de Tração à Corda. Aprovou os terceiros estatutos do clube. Também foi árbitro e fundou o “Jornal de Sports”. Ganhou na sua vigência um Campeonato de Lisboa.

Mário Pistacchini: 1918 e 1918-21

Foi médio direito na terceira categoria do clube. Revelou-se fundamental para a construção das instalações do Campo Grande, emprestando dinheiro, e sempre foi apologista e apoiante dos grandes projetos para o Sporting. Contratou pela primeira vez um treinador (Charles Bell) e aprovou os quartos estatutos, que autorizavam filiais e delegações pelo país. Ganhou também um Campeonato de Lisboa como líder.

António Soares Júnior: 1918, 1921 e 1927-28

Pertencente aos “Sócios Cooperadores de Mérito”, destacou-se como desportista e abriu a secção de ciclismo (tinha sido campeão nacional de velocidade) no clube. Recebeu o nome da taça do encontro que restabeleceu as pazes entre Sporting e Foot-ball Clube do Porto, em 1923-24 (o Sporting venceu esse encontro mas deu o troféu ao adversário). À semelhança dos dois líder antecessores, venceu um Campeonato de Lisboa.

Garcia Cárabe: 1921-22

Nasceu em Sevilha mas desde cedo se radicou em Portugal. Durante o seu reinado, foram instituídos o Boletim e as Filiais do clube (a número 1 em Tomar), além de ter levado a equipa à Andaluzia na primeira deslocação da equipa ao estrangeiro. Mudou-se depois para Faro, onde presidiu o Sporting Clube de Farense, tornando o clube filial número 2. Para não destoar, também ganhou um Campeonato de Lisboa.

Júlio de Araújo: 1922-23 e 1924-25

O senhor dos mil desportos: praticou atletismo, natação, hóquei em campo, ténis e futebol. Conseguiu criar um método eficaz para angariar sócios (passaram de 300 para 3000) e esteve ligado à evolução de infraestruturas e outros projetos como Boletim, Filiais e Conselho Técnico. Criou o Posto Náutico e o Sporting tornou-se quase imbatível na natação. Conquistou dois Campeonatos de Lisboa e um Campeonato de Portugal.

Sanches Navarro: 1923-24 e 1926-27

Foi um dos fundadores da equipa de futebol do Real Ginásio e do Clube Naval de Lisboa, onde praticou remo. Teve funções na Federação e na Associação de Futebol de Lisboa, além de 20 anos como dirigente do Sporting. No seu reinado, o clube ficou proprietário das instalações do Campo Grande e teve de contrair um empréstimo interno de 41 contos, devido a problemas financeiros. Não ganhou títulos no futebol.

Salazar Carreira: 1925-26

Chegou a ser Inspectos-Geral dos Desportos entre funções em federações e associações de variados desportos. Destacou-se no atletismo, entre outros, e introduziu no Sporting o râguebi, o voleibol e o andebol. Ao ver um jogo de râguebi do Racing, em França, inspirou-se na camisola listada que ainda hoje o clube tem. Escreveu “Os Dez Mandamentos do Sporting”. Ganhou um Campeonato de Lisboa.

Joaquim Oliveira Duarte: 1928-29 e 1932-42

Segundo presidente com maior longevidade no cargo, conquistou o primeiro Campeonato Nacional, três Campeonatos de Portugal, oito Campeonatos de Lisboa e uma Taça de Portugal. Praticou remo, natação e pólo aquático (foi campeão). Foi o responsável pelo 1.º Congresso Leonino. Equilibrou o clube numa fase difícil e conquistou inúmeros troféus em mais de uma dezena de desportos. Ao contratar Szabo, antecipando-se ao FC Porto, garantiu um dos períodos de maior sucesso no futebol.

Eduardo Costa: 1929

Foi jogador e capitão de equipas de futebol do Sporting e ainda praticou esgrima. Reeditou o Boletim do Sporting, fez os quintos estatutos e instalou a sede do clube na Calçada de São Francisco, liderando o clube numa altura de grave crise financeira e desportiva. Fez também parte do Conselho Técnico da Associação de Futebol de Lisboa.

Álvaro José de Sousa: 1929-31

Assumiu a presidência ainda numa altura em que se fazia sentir a crise de 1928-29. Presidiu à Comissão Organizadora das Bodas de Prata e foi nessa altura que houve um corte de relações com Benfica e Casa Pia devido a uma guerra entre Federação e Associação de Futebol de Lisboa. Retirou o número 3 de sócio em homenagem a Francisco Stromp, o mais novo capitão de sempre. Ganhou um Campeonato de Lisboa.

Artur Silva: 1931

Foi escolhido em Julho de 1931, quando era um alto funcionário da Câmara Municipal de Lisboa, talvez para resolver o problema dos terrenos que o Sporting ocupava no Campo Grande. Só assistiu às primeiras reuniões, tendo depois sido substituído até à renúncia pelo vice-presidente Carlos Correia Pinto da Silva.

Carlos Correia: 1932

Devido à falta de disponibilidade de Artur Silva, acabou por comandar o clube numa maior duração mas apenas assumiu a presidência entre fevereiro e março de 1932, para assegurar a transição para Álvaro Retamoza Dias após a demissão de Artur Silva. Foi autor e encenador da revista “O Solar dos Leões” e colaborou com o Boletim do Sporting.

Retamoza Dias: 1932

Capitão das secções de atletismo, ciclismo e motorismo, presidiu ao primeiro jogo de andebol de 11 do Sporting. Teve um contributo decisivo na construção da “Vila Estágio”, primeiro centro de estágios do país, e no arrendamento do Stadium de Lisboa. Mais tarde foi presidente do Congresso da Federação Portuguesa de Ciclismo.

Augusto Amado de Aguilar: 1942-43

Licenciado em Direito, ficou conhecido pela maneira dura como defendia o clube perante a Direção-Geral de Desportos e o Ministro da Educação Nacional. Contribuiu para iniciativas e contribuições financeiras. Após análise arrasadora dos anteriores mandatos, impôs novos métodos administrativos e de elaboração de orçamentos. Ganhou um Campeonato de Lisboa.

Diogo Alves Furtado: 1943

Presidiu à Comissão Administrativa que foi imposta ao Sporting por intervenção e nomeação do Ministério da Educação Nacional. Médico de renome, professor na Faculdade de Medicina, diretor do Hospital Militar da Estrela ou dos serviços de neurologia dos Hospitais Civis, fez parte de vários elencos diretivos e presidiu o Conselho Geral.

Cunha e Silva: 1943-44

Conquistou um Campeonato Nacional. Um dos líderes com menos tempo  em função e menos registos a assinalar. Ainda assim, mereceu destaque nos dez meses que esteve no cargo pelo desenvolvimento e promoção do bom funcionamento do Fundo de Recrutamento. Além do campeonato nacional, conquistou a Taça Império.

Augusto Barreira de Campos: 1944-46

Transitou do elenco anterior, onde tinha sido vice-presidente. Conseguiu a permanência no Stadium de Lisboa (que daria depois o José Alvalade) junto de Salvação Barreto, líder da Câmara Muncipal de Lisboa. Reatou relações com o rival Benfica, fez o quarto emblema e criou as primeiras escolas de natação em Portugal. O futebol ganhou no seu reinado um Campeonato de Lisboa e uma Taça de Portugal.

Ribeiro Ferreira: 1946-53

Seis Campeonatos Nacionais, duas Taças de Portugal e um Campeonato de Lisboa dizem quase tudo. Foi indigitado presidente por unanimidade. Durante sete anos no cargo, contratou Cândido de Oliveira, teve das melhores equipas de sempre (Cinco Violinos) e ganhou seis em sete Campeonatos. Remodelou os estatutos, criou o Conselho Geral mais abrangente, fomentou o aumento dos núcleos (deixou o clube com 12 mil sócios) e arrancou o novo estádio.

Góis Mota: 1953-57

Foi o pai do lema do clube – “Esforço, Dedicação, Devoção e Glória: eis o Sporting” – e deu forte impulso nas filiais em África. Licenciado em Direito e destacado membro do regime na época, conduziu a construção do estádio José Alvalade, inaugurado a 10 de Junho de 1956, ponto alto dos festejos das Bodas de Ouro. Ganhou um Campeonato Nacional e uma Taça de Portugal.

Cazal-Ribeiro: 1957-58

Já tinha sido vice-presidente para as Relações Exteriores e secundou a gestão do novo estádio, beneficiando dos variados contactos a nível empresarial. Empresário, foi deputado na Assembleia Nacional e vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Uma década depois, chegou à presidência da Federação Portuguesa de Futebol. Conquistou também um Campeonato Nacional.

Brás Medeiros: 1958-61 e 1965-73

Esteve dois mandatos distintos na presidência do Sporting. Fez o 2.º Congresso, reforçou os estatutos e reorganizou a administração do clube. Não conseguiu aliviar por completo a situação financeira mas manteve a hegemonia no atletismo, no andebol e no ciclismo, graças a nomes como Joaquim Agostinho, Carlos Lopes e Fernando Mamede. No futebol, ganhou dois Campeonatos Nacionais e uma Taça de Portugal.

Gaudêncio Silva: 1961-62

Antigo atleta em hóquei em campo, hóquei em patins e tiro, dedicou-se vários anos à arbitragem e dirigiu a Comissão Administrativa da Federação Portuguesa de Patinagem. Esteve presente em vários Jogos Olímpicos, em 1972 e 1976, como chefe de comitiva. Foi um dos 43 garantes para a construção do estádio. Conta também com um Campeonato Nacional.

Joel Pascoal: 1962-63

Militar de carreira, foi um símbolo do ecletismo, tendo praticado desportos da vela ao ténis, passando por esgrima, ginástica e remo. Idealizou, instaurou e presidiu o grupo “Os Cinquentenários”. Foi também presidente da Associação de Futebol de Lisboa, da Federação Portuguesa de Natação e do Sporting Clube de Lourenço Marques. Ganhou ainda uma Taça de Portugal.

Viana Rebelo: 1963-64

O mandato deveria terminar a 28 de abril de 1964 mas foi prolongado até 29 de Maio para conquistar a única competição europeia da história do clube: a Taça das Taças. Foi um dos apoiantes da estafeta Chama da Pátria. Também militar, fez o Centro de Estágio em Alvalade e novos estatutos, colocando o Conselho de Presidentes.

Homem de Figueiredo: 1964-65

Atleta multifacetado do Sporting (futebol, salto em altura, 400 metros e 800 metros, hipismo, tiro, ténis, natação, caça), pertenceu à Arma de Cavalaria (1930) e ingressou na Aeronáutica em 1953. Foi um membro destacado do grupo Stromp. O mandato foi abalado pelo caso Carlitos e pelos maus resultados desportivos.

Valadão Chagas: 1973

Um presidente único na história do clube porque assumiu a função… durante menos de um dia: na tomada de posse, foi convidado por Marcelo Caetano para ir para o governo e aceitou, assumindo o cargo de Secretário de Estado. No entanto, apenas renunciou oficialmente ao cargo cinco dias depois.

Manuel Nazareth: 1973

Tinha sido votado como vice mas ficou como líder interino após a saída de Valadão Chagas para o governo, apenas para fazer a transição. O Sporting atravessava uma das maiores crises da história mas assumiu a missão, cumpriu todos os orçamentos, desenvolveu a política social do clube, teve boa relação com os rivais e resolver o conflito com Peres. Ganhou uma Taça de Portugal no futebol.

João Rocha: 1973-86

Presidente com mais anos no cargo e um dos líderes mais emblemáticos, por querer realizar uma obra que mudasse todos os outros clubes. Fez o primeiro projeto de clube-empresa (que não avançou por causa do 25 de Abril) e deu uma dimensão enorme ao clube, dos títulos (1.210 no total de tudo) ao património. No futebol foram três Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal e uma Supertaça.

Amado de Freitas: 1986-88

Economista, foi vice-presidente em dois momentos (com pasta das finanças e, depois, também com o futebol, ambas com João Rocha) antes de ser líder do clube. Foi um presidente discreto e rigoroso, que viveu momentos agitados com a preocupação de controlar as contas. Esteve nos 7-1 ao Benfica. Ganhou uma Supertaça no futebol.

Jorge Gonçalves: 1988-89

As promessas das “unhas de leão” deram a vitória ao Bigodes nas eleições mais concorridas de sempre mas, mais tarde, percebeu-se que nem pequenas garras chegaram a Alvalade. Teve três técnicos, alguns flops (e contratações falhadas como Rijkaard) e zero resultados (no futebol e nas finanças). O Sporting vivia uma das maiores crises de sempre.

Sousa Cintra: 1989-95

Entre sucessos e alguns erros, ainda hoje é reconhecido pela coragem e dedicação ao clube (andou nos Balcãs durante a guerra para tentar assinar com Pandev). Não teve grandes resultados no futebol mas tinha todas as equipas e escalões, mantendo o ecletismo vencedor no Sporting e aumentando o número de sócios, as assistências e a qualidades das equipas.

Santana Lopes: 1995-96

Foi o reinado mais curto das últimas décadas e, em paralelo, um dos mais ruinosos: acabou com o futebol feminino, voleibol, hóquei em patins e basquetebol (este por referendo aos sócios), instituiu uma quota extraordinária e cometeu alguns erros no mercado. Não resistiu ao chamamento político e saiu um ano depois, apesar de ter ganho uma Taça de Portugal (no primeiro jogo como líder do clube) e uma Supertaça.

José Roquette: 1996-00

Foi cooptado em Abril e eleito em Outubro. Criou a SAD e desenvolveu o tão falado projeto Roquette, com o objetivo de lançar a semente para o novo estádio e academia, modernizando toda a estrutura e criando uma gestão profissional no clube. Quebrou o jejum de títulos mas não regenerou o futebol e as finanças como prometera. Ganhou o Campeonato Nacional de 2000, que quebrou o célebre jejum de 18 anos.

Dias da Cunha: 2000-05

Chegou cooptado e só foi eleito dois anos depois. Esteve na inauguração do estádio e da Academia, teve uma das melhores equipas deste século (2001/02, com Mário Jardel e companhia), desenvolveu o “project finance” com a banca mas acabou por sair com a demissão de José Peseiro e as contas no vermelho. Ganhou um Campeonato Nacional, uma Taça de Portugal e duas Supertaças no futebol.

Soares Franco: 2005-09

Foi o último líder cooptado. Só teve um técnico (Paulo Bento), voltou à Champions, ganhou duas Taças e Supertaças mas falhou o objetivo principal de ganhar o título. Vendeu todo o património não desportivo e começou um processo de reestruturação financeira. Acabou por não se recandidatar após algumas derrotas em assembleias gerais.

José Eduardo Bettencourt: 2009-2011

Ganhou com 90% dos votos mas cedo mostrou sinais de debilidade: acabou o processo de reestruturação (que acabaria por ser completamente refeito mais tarde), lançou outros projetos mas falhou e muito no futebol, com constantes trocas de treinadores, diretores do futebol, jogadores e administradores da SAD. Nas contas, foram-se registando prejuízos acumulados ao nível da sociedade do futebol.

Godinho Lopes: 2011-2013

Fez a revisão de estatutos, uma auditoria financeira externa, lançou novas academias pelo mundo mas acabou por sair sem cumprir os dois maiores pressupostos da candidatura: voltar a levar a equipa de futebol ao sucesso (teve a pior época de sempre) e deixar o clube financeiramente sustentável a médio prazo (teve passivos na ordem dos 50 milhões de euros em duas épocas consecutivas.

Bruno de Carvalho: 2013-2018

Ganhou uma Taça de Portugal, uma Supertaça e uma Taça da Liga no futebol, mas foi noutras áreas que se destacou no primeiro mandato: arrancou com a construção do pavilhão, que estará pronto em abril; aumentou e revitalizou o ecletismo; fez disparar o número de sócios e assistências médias no estádio; e recuperou uma alma perdida. No entanto, a queda foi sendo evidente e os últimos meses, sobretudo desde fevereiro, levaram a sua liderança para uma espiral de erros e episódios negros como a guerra aberta com os jogadores, a invasão à Academia, a derrota na final da Taça de Portugal e oito rescisões. Nem os quatro títulos ganhos nas modalidades evitaram que fosse o primeiro líder destituído da história do clube.

Frederico Varandas: 2018-?

Não teve um início fácil no futebol, com várias experiências tentadas e falhadas apesar de ter ganho uma Taça da Liga e uma Taça de Portugal, conseguiu títulos importantes nas modalidades como as primeiras Ligas dos Campeões do futsal e o regresso à glória europeia no hóquei em patins, mudou de forma radical aquilo que foi o mandato com a chegada de Ruben Amorim, que apesar de ter saído em novembro de 2024 deixou as sementes para um período como não se via há muito com o bicampeonato e três títulos em cinco anos.