A Procuradoria-Geral da República (PGR) vai aguardar mais alguns dias pelos documentos solicitados antes de decidir o rumo a dar à averiguação preventiva relacionada com a aquisição de imóveis por parte de Pedro Nuno Santos.

“As pessoas não são obrigadas a entregar os elementos que são solicitados. Mas nós admitimos que a falta de elementos pode ter a ver com a campanha eleitoral”, disse à agência Lusa o procurador-geral da República, em Faro, à margem da sessão solene do Dia do Advogado. Segundo Amadeu Guerra, a questão será “analisada mais uma vez para a semana, eventualmente ainda esta semana”.

“Não sou eu que vou fixar o prazo. São os colegas do DCIAP [Departamento Central de Investigação e Ação Penal”, esclareceu Amadeu Guerra.

O Ministério Público (MP) abriu há mais de um mês uma averiguação preventiva na sequência de receção de denúncias na qual é visado o secretário-geral do PS, Pedro Nuno Santos.

Ministério Público abre averiguação preventiva a Pedro Nuno Santos

O Observador avançou em primeira mão a notícia da abertura da averiguação preventiva no dia 16 de abril, sublinhando que nesse procedimento estavam em causa suspeitas relacionadas com a aquisição de um imóvel em Lisboa e de outro em Montemor-o-Novo.

A averiguação preventiva está a cargo do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), no qual o Ministério Público investiga a criminalidade económico-financeira mais complexa.

De acordo com Amadeu Guerra, este caso pode ou não ter a ver com outra averiguação sobre Pedro Nuno Santos que chegou a ser aberta no Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) Regional do Porto a partir de denúncias anónimas e que foi arquivada sem que tenham sido feitas diligências.

Caso Pedro Nuno Santos. Arquivamento do DIAP do Porto impede averiguação preventiva aberta no DCIAP?

Ao que o Observador apurou, os factos alegados nas denúncias que levaram a PGR a anunciar no mês passado a abertura da averiguação preventiva não são exatamente os mesmos que estavam associados à averiguação sobre Pedro Nuno Santos no DIAP Regional do Porto.

Entre as matérias invocadas para a nova averiguação — e que não figuravam no procedimento conduzido no Porto — estarão a compra do imóvel em Montemor-o-Novo, bem como a doação de 0,5% da empresa Tecmacal, do pai do secretário-geral do PS.

Na sequência desta situação, Pedro Nuno Santos chegou a expressar publicamente a sua disponibilidade para prestar declarações ao DCIAP a fim de esclarecer as suspeitas levantadas sobre a origem dos fundos que financiaram a aquisição das suas casas. O Observador já questionou a PGR sobre esta matéria, mas até ao momento não obteve ainda respostas às questões enviadas.