Na teoria poderia ser um sprint, na prática tornou-se uma maratona. Apesar de estar a voltar a um nível mais alto como acontecera no início da temporada, Nuno Borges ainda teve de sofrer na primeira ronda de Roland Garros para derrotar o francês Kyrian Jacquet em cinco sets. Não foi o primeiro triunfo em Grand Slams que passou pela “negra”, bastando recordar as grandes vitórias frente a Ben Shelton no US Open de 2022 ou a John Isner no Roland Garros de 2023, mas foi aquele em que tinha uma maior vantagem à partida. No fim, acabou confirmada. A jogar contra um nome da “casa”, o português perdeu dois parciais no arranque (6-3 e 7-6, com 7-3 no tie break) mas foi a tempo de melhorar o rendimento, não falhar em alguns pontos cirúrgicos que iam depois resultando em breaks e fechar o encontro em mais de 3h30 por 6-4, 6-3 e 6-3.
“Não houve momento chave para mim, foi uma luta até ao fim. Senti que quanto mais cansado fiquei, melhor servi. No fim do jogo se calhar não servi tão bem, porque já estava mesmo à rasca, mas encontrei um bocadinho mais de ritmo e calma no serviço. Consegui passar um bocadinho a pressão para o lado dele na resposta, senti que comecei a meter mais qualidade nas respostas e foi uma coisa que foi acontecendo, mas não houve nenhum momento chave. Consegui passar essa pressão para o outro lado. Pouco a pouco fui merecendo mais ganhar o encontro. É um alívio gigante. Eu estava muito à rasca da perna esquerda. Foi um dia inteiro à espera de conseguir entrar em campo, acho que tudo isto também acumula. Estava pronto para jogar, muito antes de ter sido necessário, mas lá está, não há nada a fazer neste aspeto e acho que tudo isso ajuda a que seja mais um alívio e, também, muita alegria”, admitiu à RFI após o jogo.
Nuno Borges está na segunda ronda de Roland Garros após reviravolta épica, de 0-2 para 3-2! pic.twitter.com/2XzPpFv5Cp
— B24 (@B24PT) May 25, 2025
Nuno Borges estava apenas pela segunda vez na carreira numa segunda ronda de Roland Garros, tendo pela frente um obstáculo extra chamado calendário, que o colocava a cruzar logo com Casper Ruud, norueguês que se encontrava num bom momento e que recentemente ganhou o Masters de Madrid (em Roma acabou por cair nos quartos frente a Jannik Sinner). Era mais um top 10 que desafiava o tenista maiato. “Para já, está tudo tranquilo. Estou dorido e cansado mas felizmente tenho tempo até ao próximo encontro. Vou focar-me só nisso, em fazer por ficar pronto para o próximo desafio. O Casper é dos melhores jogadores em terra batida do momento. Vou tentar desfrutar do momento e procurar jogar o meu melhor. Vai ser dos maiores desafios da minha carreira. No nosso outro encontro tive imensas dificuldades ao defrontá-lo. Não estou à espera que seja mais fácil desta vez, até porque vai ser à melhor de cinco sets“, realçara à agência Lusa.
INCRÍVEL! ????
No Grand Slam de Roland Garros Nuno Borges vence Casper Rudd, 8.º do ranking mundial e finalista em Paris nas edições de 2022 e 2023#COPortugal pic.twitter.com/jFFAcQJ37N— Comité Olímpico de Portugal (COP) (@COPPORTUGAL) May 28, 2025
Apesar dessas condicionantes, a história estava mesmo ao virar da esquina. Mesmo perdendo o set inicial, Nuno Borges puxou dos galões, deixou Casper Ruud sem capacidade de resposta e fez história em Paris, tornando-se esta quarta-feira não só o primeiro português a bater um top 10 em torneios do Grand Slam mas também o primeiro de sempre a atingir a terceira ronda do torneio de terra batida parisiense. Na próxima ronda, Borges, 41.º do mundo, terá pela frente o australiano Alexei Popyrin, 25.º do ranking ATP que venceu também esta quarta-feira o chileno Alejandro Tabilo pelos parciais de 7-5, 6-3 e 6-4.
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???????? Nuno Borges tomba ???????? Casper Ruud, #7 ATP e 2x vice-campeão de #RolandGarros, por 2-6 6-4 6-1 6-0 e soma a maior vitória de sempre.
⭐ Primeiro homem português a bater um top-10 num Grand Slam de SEMPRE! ???? pic.twitter.com/qlq0HpFuux
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Ainda assim, o resultado mostra um filme que não começou da melhor forma. Sem conseguir colocar tantas vezes como queria o primeiro serviço, a ter alguns passing shots falhados e a revelar precipitações no risco do amortie, Nuno Borges sofreu um primeiro break logo a abrir, conseguiu depois quebrar o serviço do jogador norueguês para o 3-2 mas sofreu logo de seguida o contra break, perdendo o parcial inicial por 6-2 ainda longe daquilo que consegue fazer em terra batida. O português tinha de reagir e houve dois momentos chave no segundo set para equilibrar as contas: o break com apenas um ponto cedido que fez o 3-2 no quinto jogo e o 6-4 fechado na décima partida depois de ter anulado dois pontos de break ao norueguês.
Nuno Borges leads 2 sets to 1 against number 7 seed Casper Ruud ???? #RolandGarros pic.twitter.com/XPGNgBBfNz
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Tal como o encontro entre Carlos Alcaraz e Fábián Marozsán, estava tudo empatado mas com uma grande diferença: enquanto o espanhol teve apenas um ligeiro percalço que não impediu o “passeio” até à terceira ronda com os parciais de 6-1, 4-6, 6-1 e 6-2, Casper Ruud perdera por completo o controlo da partida para Nuno Borges, que arrancou dois sets quase perfeitos frente a um escandinavo que se queixava primeiro da terra que ficava presa nas bolas (justificado pela árbitra pela chuva que caiu antes de ser fechado o teto do Suzanne-Lenglen) e depois de um problema no gémeo da perna esquerda, que levou mesmo a que recebesse assistência entre o terceiro e o quarto sets, que terminaram com um “atropelo” por 6-1 e 6-0, que fecharam o jogo em apenas 2h17 minutos contra o finalista vencido das edições de 2022 e 2023.
Wow.
29 year-old Nuno Borges, world #41, gets Portugal’s best EVER men’s win a Grand Slam.
Defeats world #8, Madrid champ and two time #RolandGarros runner up Casper Ruud, who looked clearly injured in the last two sets, 2-6, 6-4, 6-1, 6-0 to reach the 3rd round. pic.twitter.com/0ccAuvm01h
— José Morgado (@josemorgado) May 28, 2025
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]