A Disney está envolvida numa nova polémica. A companhia foi acusada de promover a crueldade contra animais no filme O Abismo, de 1989, que está agora disponível na plataforma de streaming Disney+. A ficção científica contém uma cena que apresenta um rato real mergulhado à força num depósito cheio de líquido de fluorocarbonetos (com o objetivo de demonstrar que o roedor poderia inalar o líquido).

Na altura em que o filme foi lançado, esta cena foi cortada nas salas de cinema, nos DVD e na televisão pelo British Board for Film Classification (BBFC), ao abrigo da Lei dos Filmes Cinematográficos (Animais) de 1937. A organização seguiu a opinião da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA, Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade nos Animais, em português), a maior organização de defesa dos animais do Reino Unido, que afirmou que a “imersão forçada do rato causava terror” e constituía crueldade contra os animais.

Agora, a RSPCA criticou a Disney pela decisão de exibir esta cena de O Abismo na plataforma de streaming, mostrando-se preocupada “com o facto de existir atualmente uma lacuna que permite que cenas de abuso de animais consideradas inaceitáveis noutros locais sejam transmitidas livre e legalmente para as nossas casas” — afirmou David Bowles, diretor de assuntos públicos da organização, citado pelo The Telegraph.

“A controversa cena do rato deste filme há muito que preocupa a RSPCA e sempre foi considerada inaceitável pela BBFC, tornando-se difícil perceber a razão pela qual a Disney+ decidiu transmiti-la. Temos de garantir que as pessoas não estão a ser expostas a conteúdos que promovem ou mostram a crueldade contra os animais“, sublinhou ainda o responsável.

As plataformas de streaming não estão abrangidas pelas mesmas leis do que o cinema ou a televisão, pelo que tecnicamente não estão a violar nenhum código. A organização de solidariedade receia, assim, que isto provoque uma lacuna para a transmissão de maus tratos animais, apelando, por isso, a uma mudança na lei: “À medida que a forma como milhões de famílias consomem entretenimento muda, é vital que o quadro legal responda a isso e continue a proteger consistentemente as pessoas e os animais”.

“Esperamos que um novo código de conduta ao abrigo da Lei dos Meios de Comunicação Social ajude a colmatar esta lacuna. Precisamos de ver um certo grau de coerência entre as plataformas de streaming e outras formas de entretenimento mais tradicionais, para que as pessoas possam ter confiança quando veem filmes e outros programas”, conclui David Bowles.