A Disney está envolvida numa nova polémica. A companhia foi acusada de promover a crueldade contra animais no filme O Abismo, de 1989, que está agora disponível na plataforma de streaming Disney+. A ficção científica contém uma cena que apresenta um rato real mergulhado à força num depósito cheio de líquido de fluorocarbonetos (com o objetivo de demonstrar que o roedor poderia inalar o líquido).
Na altura em que o filme foi lançado, esta cena foi cortada nas salas de cinema, nos DVD e na televisão pelo British Board for Film Classification (BBFC), ao abrigo da Lei dos Filmes Cinematográficos (Animais) de 1937. A organização seguiu a opinião da Royal Society for the Prevention of Cruelty to Animals (RSPCA, Sociedade Real para a Prevenção da Crueldade nos Animais, em português), a maior organização de defesa dos animais do Reino Unido, que afirmou que a “imersão forçada do rato causava terror” e constituía crueldade contra os animais.
Agora, a RSPCA criticou a Disney pela decisão de exibir esta cena de O Abismo na plataforma de streaming, mostrando-se preocupada “com o facto de existir atualmente uma lacuna que permite que cenas de abuso de animais consideradas inaceitáveis noutros locais sejam transmitidas livre e legalmente para as nossas casas” — afirmou David Bowles, diretor de assuntos públicos da organização, citado pelo The Telegraph.
Streaming platforms aren't bound by the same standards as film releases in cinema, DVD or traditional TV, so animal abuse can be shown. We hope a new code of conduct under the Media Act will close this loophole so animals in entertainment are treated with compassion and respect????
— RSPCA (England & Wales) (@RSPCA_official) May 23, 2025
“A controversa cena do rato deste filme há muito que preocupa a RSPCA e sempre foi considerada inaceitável pela BBFC, tornando-se difícil perceber a razão pela qual a Disney+ decidiu transmiti-la. Temos de garantir que as pessoas não estão a ser expostas a conteúdos que promovem ou mostram a crueldade contra os animais“, sublinhou ainda o responsável.
As plataformas de streaming não estão abrangidas pelas mesmas leis do que o cinema ou a televisão, pelo que tecnicamente não estão a violar nenhum código. A organização de solidariedade receia, assim, que isto provoque uma lacuna para a transmissão de maus tratos animais, apelando, por isso, a uma mudança na lei: “À medida que a forma como milhões de famílias consomem entretenimento muda, é vital que o quadro legal responda a isso e continue a proteger consistentemente as pessoas e os animais”.
“Esperamos que um novo código de conduta ao abrigo da Lei dos Meios de Comunicação Social ajude a colmatar esta lacuna. Precisamos de ver um certo grau de coerência entre as plataformas de streaming e outras formas de entretenimento mais tradicionais, para que as pessoas possam ter confiança quando veem filmes e outros programas”, conclui David Bowles.