Amália Rodrigues acelerou a internacionalização enquanto estrela do fado ao assentar arraiais em 1952 no clube La Vie en Rose em Nova Iorque, onde atuou ao longo de quatro meses. 73 anos depois, a Orquestra Sinfónica Portuguesa segue os seus passos ao estrear-se também nos EUA com um concerto de tributo à fadista.
Depois de estrear Amália na América – Além do Fado a 22 de setembro do ano passado no Centro Cultural de Belém, a Orquestra Sinfónica Portuguesa volta a munir-se das vozes de Cristina Branco, Raquel Tavares e Ricardo Ribeiro para uma atuação a 11 de outubro no Carnegie Hall, icónica sala de espetáculos de Nova Iorque fundada em 1891.
Sob a direção do maestro Jan Wierzba, os cerca de 90 músicos que concretizam esta performance vão interpretar um misto de temas do cancioneiro popular português que Amália Rodrigues fez suas e canções da Broadway que a fadista gravou nos Estados Unidos, transformadas com novos arranjos e adaptações da responsabilidade dos orquestradores Carlos Azevedo, Daniel Bernardes, Filipe Raposo, Pedro Duarte e Pedro Moreira.
Espetáculo montado pela Égide – Associação Portuguesa das Artes em parceria com a OPART, esta iniciativa é o culminar das celebrações dos 40 anos da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), que arrancaram a 20 de maio com a conferência “Breathing with the Ocean”, ao que se seguiu um concerto inspirado n’A Trilogia de Nova Iorque, do escritor Paul Auster, no Palácio Nacional da Ajuda.
Após a passagem por Nova Iorque em 1952, Amália Rodrigues voltaria aos EUA já nos anos 60, ou seja, após os concertos no Olympia de Paris e com ainda maior estatuto internacional. A primeira ida seria em 1966, apresentando-se com a Orquestra Filarmónica de Los Angeles no Hollywood Bowl, nessa mesma cidade, e no Lincoln Center, em Nova Iorque. Seguir-se-iam várias outras digressões atravessando o Atlântico, sendo que em 1975 tocaria no Carnegie Hall, 50 anos antes da Orquestra Sinfónica Portuguesa fazer agora o mesmo.
Para Nuno Morais Sarmento, presidente da FLAD, tal iniciativa destina-se, em parte, a reunir parte da diáspora portuguesa em torno da cultura portuguesa e do símbolo que foi e é Amália Rodrigues. Tal proposta, afirmou na tarde desta quarta-feira numa sessão em que o Observador esteve presente, faz parte do objetivo da fundação de “abrir pontes, reforçá-las e partilhá-las”, não se deixando perder “nestas águas agitadas” de um tempo “em que se encerram pontes, em que há uma certa tendência de contracionismo, de isolamento e fechamento”.
É por isso que, além do concerto no Carnegie Hall e da agenda de eventos que a FLAD manterá até 11 de outubro, existe o intuito de, a propósito desse evento artístico, realizar outras iniciativas nos Estados Unidos pela mesma altura.
Uma delas é realizar a atualização de estudo que a fundação mantém ativo sobre a situação dos lusodescendentes nos EUA, revela David Lopes, coordenador das comemorações dos 40 anos da FLAD, devendo ser apresentado em Washington DC.
Outra é o culminar de uma série de lançamentos de livros da coleção Coast to Coast, em que “um autor americano e um autor português são desafiados a escrever sobre o mesmo tema”, adianta. Sabe-se que entre os temas a desenvolver estão “Economia e Literatura”, “Oceano e Literatura” e “Diáspora e Literatura”, sendo que David Lopes só levanta o véu quanto ao primeiro.
A exploração das interseções entre economia e literatura ficará a cabo do ex-ministro da Economia e atual economista-chefe da OCDE, Álvaro Santos Pereira, e de Marcello Estevão, antigo economista-chefe da Reserva Federal americana de origem brasileira e norte-americana.
[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 2.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui.]