A Uber vai lançar na próxima segunda-feira, dia 2 de junho, um projeto-piloto — denominado Uber Commute — para incentivar os moradores da Margem Sul a deixarem o carro em casa e recorrerem aos transportes públicos para viajar para Lisboa. A iniciativa, diz a empresa, “facilitará a deslocação dos cidadãos de e para todas as estações de comboio e barco que ligam a Margem Sul à capital”.
O projeto, que tem uma “dimensão exploratória”, só estará disponível por um tempo limitado: até 30 de junho. Questionado pelo Observador sobre a possibilidade de um alargamento, Francisco Vilaça, diretor-geral da Uber em Portugal, afirma que a empresa pretende “avaliar de forma concreta a adesão e o comportamento dos utilizadores, de modo a perceber se faz sentido avançar com soluções semelhantes de forma mais permanente ou alargada no futuro, à semelhança do que já acontece com sucesso noutras cidades da Europa”.
Para já, a iniciativa está disponível, “em diversos moldes e com resultados positivos”, em cidades europeias como Madrid, Londres ou Berlim, Munique, Dusseldorf e Heidelberg (na Alemanha) e nos Estados Unidos, mais especificamente em Los Angeles. “Esperamos que, também em Portugal, este piloto contribua para fomentar mudanças sustentadas no quotidiano dos cidadãos”, diz Francisco Vilaça.
Em Portugal, o Uber Commute ficará apenas disponível nas modalidades Uber Green (veículos 100% elétricos) e Uber Share (viagens partilhadas). A empresa explica essa opção com o compromisso de criar “soluções que promovam a mobilidade verde, partilhada e multimodal”. “Queremos promover opções com menor pegada ecológica e mais eficiência no transporte de passageiros”, nota, fazendo menção àquele que é um dos principais objetivos do projeto, promover uma mobilidade “mais sustentável, eficiente e económica para os utilizadores”.
Esta escolha reforça o papel da Uber enquanto agente ativo na transição para uma mobilidade mais verde em Portugal”, afirma a empresa, num comunicado em que indica que já investiu cinco milhões de euros para promover a mobilidade verde no país e “pretende duplicar este valor nos próximos anos”.
Francisco Vilaça admite que “a mudança de hábitos implica sempre um esforço adicional”, após ser questionado pelo Observador sobre a possibilidade de existir alguma resistência ao projeto por parte dos cidadãos, mas salienta que é por isso que a iniciativa “inclui um desconto de 50% (até 2 euros por viagem), válido para todas as estações de comboio e barco da Margem Sul que permitem uma ligação direta a Lisboa”. O desconto é válido, indica a Uber, “em 10 viagens por pessoa”.
“Sabemos que a conveniência e os custos têm peso na decisão e acreditamos que, para muitos, esta combinação de transporte público com viagem eficiente de e até casa poderá, na verdade, substituir a necessidade de manter e utilizar um carro todos os dias, o que é consideravelmente mais dispendioso a médio e longo prazo“, defende o diretor-geral da Uber em Portugal.
O responsável salienta também que o objetivo é “oferecer uma alternativa viável às pessoas que têm potencial de mudar, mas que até agora sentiam obstáculos logísticos — como o acesso às estações” e viam-se obrigadas a privilegiar o uso do carro. “Se conseguirmos facilitar essa ligação de forma prática, confortável e económica, acreditamos que muitos que hoje apenas consideram a alternativa do carro poderão reavaliar as suas opções de mobilidade, tendo o transporte público no centro da decisão. E mesmo que não seja possível para todos, cada carro a menos nas pontes e na cidade de Lisboa é uma vitória para o coletivo”, acrescenta.
A escolha da Margem Sul é justificada pela empresa, justamente, por ser uma das principais portas de entrada em Lisboa, através da ponte 25 de Abril (“que regista diariamente mais de 75 mil veículos e apresenta elevados níveis de congestionamento, especialmente nas horas de ponta”) e da Vasco da Gama (por onde passam “37 mil veículos” todos os dias).
Uma nova fase do projeto-piloto, que se estreia em Portugal na Margem Sul, está prevista para outubro, numa nova cidade. Ao Observador, Francisco Vilaça avança que “diferentes hipóteses” ainda estão a ser avaliadas. “Tal como na Margem Sul, a seleção terá por base critérios como densidade populacional, desafios de tráfego e potencial de complementaridade com o transporte público”, revela.