O embaixador palestiniano na ONU, Riyad Mansour, emocionou-se esta semana enquanto descrevia, numa assembleia-geral da organização, as mortes de inúmeras crianças na Faixa de Gaza – algumas das quais por fome. “Isto é insuportável” e algo que “nenhum ser humano normal deveria tolerar“, lamentou, incapaz de conter as lágrimas.

“Dezenas de crianças estão a morrer de fome”, lamentou Riyad Mansour. O embaixador palestiniano na Organização das Nações Unidas (ONU) referiu “as imagens de mães abraçando os seus corpos imóveis, acariciando os seus cabelos, falando com elas, pedindo desculpa” e foi nesse momento que se emocionou.

“É insuportável. Como é que alguém pode fazer isto?“, perguntou, pedindo desculpa ao presidente da assembleia por estar a chorar. “Eu tenho netos. Sei o que significam para as suas famílias, e ver esta situação sem que tenhamos a coragem de fazer algo está para além da capacidade de qualquer ser humano normal tolerar”, disse o responsável.

Mansour também referiu o caso de Alaa al-Najjar, uma médica palestiniana que perdeu nove dos seus 10 filhos depois de estes terem chegado ao hospital onde trabalhava já mortos e queimados.

UNICEF admite mais de 50 mil crianças mortas ou feridas em Gaza

A UNICEF avançou esta quarta-feira que mais de 50 mil crianças poderão ter sido mortas ou feridas no âmbito da ofensiva militar de Israel contra Gaza, iniciada em outubro de 2023, denunciando um “massacre implacável”.

“No total, mais de 50 mil crianças podem ter sido mortas ou feridas desde outubro de 2023”, disse o diretor regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) para o Médio Oriente e Norte de África, Edouard Beigbeder.

Quantos mais corpos de crianças serão necessários? Que nível de horror é necessário transmitir em direto até a comunidade internacional atuar, usar a sua influência e tomar medidas ousadas e decisivas para pôr fim a este massacre implacável de crianças?”, questionou o representante da agência da ONU.

Beigbeder informou que – desde 18 de março, data em que Israel rompeu o cessar-fogo acordado em janeiro com o movimento islamita palestiniano Hamas e retomou as operações militares no enclave – 1.309 crianças morreram e outras 3.738 ficaram feridas.

O diretor regional da UNICEF denunciou ainda que dois “ataques atrozes” de Israel no fim de semana “fornecem ainda mais provas do preço incalculável que as crianças da Faixa de Gaza estão a pagar por causa desta guerra implacável“.

Na sexta-feira, vimos vídeos dos corpos queimados e desmembrados dos filhos da família Al Najar enquanto eram retirados dos escombros da sua casa em Khan Yunis. De 10 irmãos com menos de 12 anos, apenas um sobreviveu, sofrendo ferimentos graves”, disse Beigbeder, referindo-se à morte de nove filhos dessa destacada médica palestiniana, Alaa al Najar, num bombardeamento que visou a casa da pediatra.

Beigbeder denunciou ainda “as graves violações contra crianças, o bloqueio da ajuda humanitária, a fome, a constante deslocação forçada, bem como a destruição de hospitais, sistemas de água, escolas e lares”, situações observadas no enclave palestiniano. “Estamos perante a destruição da própria vida na Faixa de Gaza“, criticou.