O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, propôs esta segunda-feira, novamente, reunir os chefes de Estado russo, Vladimir Putin, ucraniano, Volodymyr Zelensky, e norte-americano, Donald Trump, numa cimeira “em Istambul ou Ancara”.
“O meu maior desejo […] é reunir Putin e Zelensky em Istambul ou Ancara e trazer Trump para o lado deles. Se eles aceitarem, eu juntar-me-ei, para tornar Istambul um centro de paz”, disse Erdogan, no final de uma segunda reunião entre as delegações russa e ucraniana em Istambul.
O chefe de Estado turco considerou que “a realização da reunião é, por si só, um sucesso, após os acontecimentos de domingo”, referindo-se, em particular, ao ataque com drones lançado por Kiev contra aeródromos militares situados em território russo.
Esta operação, inédita desde o início do conflito, visou quatro aeródromos militares russos e atingiu várias dezenas de aviões, incluindo bombardeiros estratégicos, até à Sibéria, muito longe da frente de batalha, de acordo com os serviços de segurança ucranianos (SBU).
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Numa conferência de imprensa, depois da segunda ronda de negociações diretas entre as partes, em Istambul, o ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umerov, anunciou que a Ucrânia e a Rússia concordaram trocar todos os prisioneiros de guerra gravemente feridos ou doentes e libertar a totalidade dos militares com idades entre os 18 e os 25 anos.
“Concordámos em trocar todos os prisioneiros de guerra gravemente feridos e doentes”, afirmou.
Umerov anunciou também outro acordo para a troca dos restos mortais de 6.000 soldados de cada lado caídos atrás das linhas inimigas.
O ministro ucraniano indicou que a delegação entregou à parte russa uma lista com os nomes de centenas de crianças ucranianas deportadas por Moscovo dos territórios ocupados pela Rússia na Ucrânia. Kiev considera o regresso destes menores uma condição fundamental para o progresso em direção à paz.
“Esta questão é uma prioridade fundamental para nós. Se a Rússia estiver realmente empenhada no processo de paz, o regresso de pelo menos metade das crianças desta lista será um sinal positivo”, observou.
A este propósito, em Moscovo, o Kremlin adiantou que Putin debateu com a defensora dos direitos infantis, Maria Lvova-Belova, a devolução das crianças ucranianas às famílias e também o regresso das crianças russas da Ucrânia.
Putin e Lvova-Belova, contra os quais pesa uma ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por deportação de crianças ucranianas, concordaram também com a criação de um novo órgão para ajudar as famílias.
Lvova-Belova indicou que atualmente 25% das crianças “estão injustificadamente” em orfanatos.
“Podia ter sido prestada assistência para não separar [o menor], podia ter sido trabalhado com a família”, reconheceu a responsável, que afirmou ter sido possível, nos últimos meses, promover o regresso de milhares de menores às suas famílias.
A reunião entre Putin e Lvova-Belova coincidiu com a segunda ronda de negociações diretas entre as delegações da Rússia e da Ucrânia em Istambul, na Turquia.
A Ucrânia acusa a Rússia de transferir para território russo cerca de 20.000 crianças sem o consentimento de famílias ou tutores, enquanto Moscovo nega estas acusações e afirma ter protegido menores que se encontravam em situação vulnerável em zonas de combate.
Lvova-Belova assegurou anteriormente que as autoridades russas estavam dispostas a entregar as crianças deslocadas às famílias na Ucrânia, se estas fizessem o respetivo pedido.
Em abril de 2024, Moscovo anunciou um acordo com Kiev para a troca de 48 crianças, 29 das quais regressaram à Ucrânia e 19 à Rússia.