A Miss Inglaterra abandonou a corrida a Miss Universo alegando que estava a ser exposta como mero produto de entretenimento a patrocinadores do evento, acusando também os organizadores de serem “vingativos e amargos”, insinuando que foi usada como um objeto decorativo numa montra durante a competição, segundo o The Guardian.

Num passeio pelas ruas de Hyderabad, cidade onde decorreu no passado sábado a final da edição de 2025, Magee ficou sensibilizada com o cenário que testemunhou e confessou que o seu instinto foi de ajudar as pessoas que lá vivem: “Eu nunca tinha visto uma realidade como a da Índia”. A  oportunidade foi-lhe negada, o que Milla considera ser o oposto daquilo que rege a essência do concurso e que a fez repensar sobre qual o seu verdadeiro papel. “Eu estendi a minha mão e disseram-me que eu não podia falar com eles porque são de classe baixa”.

Numa publicação na rede social Instagram, onde partilha uma entrevista dada ao The Sun, a inglesa explicou a sua decisão, confessando também que esperava ter uma oportunidade para falar sobre o seu propósito, o que não aconteceu: “Só podemos falar do nosso projeto quando chegamos à final da competição”. E Magee abandonou o concurso antes da grande final, afirmando que ela e as outras concorrentes sentiram que tinham sido apresentadas como entretenimento para aqueles que tinham investido no Miss Universo, como uma espécie de forma de “agradecimento”.

Enquanto lá esteve, contou ao The Sun, apenas jantava com os patrocinadores do evento, o que a revoltou: “Eu não estava lá para falar com os que financiam o sistema, estou lá para falar sobre aquilo em que acredito”.

Publicação da página de Instagram de Milla Magee

Num desses jantares, um homem aproximou-se e disse: “Da próxima vez que estiver em Londres ou em Inglaterra, liga-me”, o que deixou a Miss Inglaterra desconfortável, refere o The Guardian.

Milla Magee diz que participou na competição de “misses” pois confiava no seu propósito de apoiar causas e instituições e acreditava que seria uma plataforma para promover o seu projeto pela inclusão da Reanimação Cardiopulmonar (CPR sigla em inglês) no programa escolar.

Em comunicado, os organizadores do concurso falam em “declarações falsas e difamatórias” que eram “completamente infundadas e inconsistentes com a realidade do tempo” que Milla Magee passou com eles. Julia Morley, a diretora da organização, contrariou a versão da Miss em entrevista ao jornal The Hindu, alegando que a jovem “disse que precisava de ir embora porque a mãe não estava bem”, e acreditando que saiu da competição porque a própria achava “que não tinha hipótese “.

Milla mostrou-se indignada com as respostas de Morley: “O que Julia disse foi vingativo e muito amargo e foi uma declaração ridícula. Eu não saí porque pensei que não ia ganhar. Saí porque queria defender aquilo em que acredito e o que se passava não condizia com os meus valores”.

Tendo em conta a sua experiência, a britânica de 24 anos afirma ter vivido uma narrativa falsa sobre o sistema do concurso que promove “beleza com propósito”, sustentando que este “deveria ser sobre defesa de causas e o que cada uma defende”. Insiste em que seria uma “ótima oportunidade para, num palco global, poder falar sobre Go Far with CPR”, o seu projeto. “Não se trata de eu estar no palco, não se trata do que eu visto. Não se trata da minha aparência”, reafirmou.

Aquando da sua saída, Magee diz que foi “inundada” com mensagens de mulheres que participaram em concursos a dizer “que sentiam exatamente a mesma coisa”, e pediu à organização que se modernize. “Têm uma grande responsabilidade em reconhecer o que eu disse, reconhecer e ouvir as razões pelas quais eu saí, não apenas fazer uma declaração tão rápida e irresponsável e dizer que foi porque eu não achei que iria vencer”, lamentou. E acrescentou ainda, que havia “muitas lágrimas por trás dos sorrisos” nos desfiles e que não iria “promover uma mentira”.

Texto editado por Dulce Neto