O concurso Miss Universo 2025, a decorrer em Banguecoque, está a enfrentar uma crise, após um episódio transmitido em direto nas redes sociais. O diretor executivo da organização na Tailândia, Nawat Itsaragrisil, chamou “burra” à Miss México, Fátima Bosch, à frente de todas as concorrentes. O episódio, ocorrido na terça-feira, causou indignação e várias participantes deixaram a sala como forma de protesto coletivo.

De acordo com a BBC, a situação ocorreu durante uma reunião preparatória, quando o responsável acusou a modelo mexicana de não ter publicado conteúdos promocionais e de faltar a uma sessão de fotografias. Ao tentar defender-se, Bosch afirmou que tinha voz própria e pediu respeito, o que levou Nawat a elevar o tom, exigir que ela se calasse e até chamar a segurança para a retirar da sala. O diretor ameaçou, ainda, desqualificar qualquer concorrente que se levantasse em apoio à mexicana.

O vídeo do incidente espalhou-se rapidamente pelas redes sociais, onde muitas pessoas criticaram a postura do responsável e elogiaram a atitude de Fátima Bosch.

Entre as cerca de 75 modelos presentes na reunião, estava a atual Miss Universo, a dinamarquesa Victoria Kjær Theilvig, que abandonou a sala. “Desrespeitar outra mulher é mais do que uma falta de respeito. Não é assim que as coisas devem ser feitas”, disse, acrescentando que não fará a tradicional passagem da faixa à próxima vencedora se nada for feito.

A Organização Miss Universo (MUO, na sigla inglesa) condenou publicamente o comportamento de Nawat, acusando-o de humilhar e insultar e faltar ao respeito à concorrente.

Nawat esqueceu-se do “verdadeiro significado de ser um anfitrião genuíno”, afirmou o presidente da organização, Raul Rocha, anunciando que irá limitar “ao máximo” a participação do tailandês no concurso. “Gostaria de reiterar que Miss Universo é uma plataforma de empoderamento das mulheres, para que as suas vozes sejam ouvidas no mundo”, concluiu Rocha.

Fátima Bosch declarou, entretanto, que continuará a usar a sua voz e que não é “uma boneca para ser maquilhada, produzida e calada”, reforçando que representa “todas as mulheres e raparigas que lutam por causas”.

Por seu turno, Nawat negou ter insultado Bosch e alegou que as suas palavras foram mal interpretadas. “Desculpem se causei algum desconforto a alguém”, disse nas redes sociais.

Apesar do incidente, o concurso Miss Universo prosseguiu. Entre as concorrentes, está a portuguesa Camila Vitorino, eleita Miss Universo Portugal 2025 em junho. A vencedora será anunciada no dia 21 de novembro na capital tailandesa.

Camila Vitorino ficou na sala: modelo “não se sentiu confortável com a situação”

Contactado pelo Observador, Ricardo Monteverde, diretor da delegação portuguesa no concurso internacional admitiu que Nawat Itsaragrisil ultrapassou “linhas vermelhas” e a organização deveria “ter tido um cuidado maior, ainda para mais numa celebração para milhões de pessoas que estavam a acompanhar em todo o mundo”.

Camila Vitorino “não se sentiu confortável com a situação” e esteve em contacto permanente com a delegação portuguesa para seguir as orientações, embora “não quisesse passar por cima da organização”, sublinhou Ricardo.

Naquele momento, relata, pelo menos seis misses acompanharam Fátima para fora da sala, onde receberam “acolhimento e conforto”. As restantes, incluindo Camila, “acabaram por ficar, na dúvida se deviam continuar [na sala] ou sair”.

Apesar de não compactuar com a atitude de Nawat, “a grande maioria preferiu ficar, por se tratar de um evento oficial do Miss Universo. Como não sabiam se iam ser penalizadas na competição, acabaram por permanecer“, concluiu o diretor da delegação de Portugal.