Donald Trump enalteceu já nas redes sociais o “grande trabalho” da Guarda Nacional para tentar conter nas últimas horas os protestos anti rusgas contra imigrantes que se registam em Los Angeles e noutras zonas do estado da Califórnia. O elogio foi feito ainda antes dos 2.000 soldados mobilizados por decisão da Casa Branca chegarem, de acordo com informação do mayor (autarca) da cidade. Entretanto, a Guarda Nacional já começou a chegar à cidade para dar apoio aos agentes da polícia anti-imigração.
“Grande trabalho da Guarda Nacional em Los Angeles, após dois dias de violência, confrontos e agitação. Temos um Governador (Newscum) [chama-se Gavin Newsom mas Trump faz um trocadilho com “scum”/escumalha] e um Presidente da Câmara (Bass) incompetentes que, como de costume (basta ver a forma como lidaram com os incêndios e, agora, com o desastre da LENTIDÃO na concessão de licenças. O licenciamento federal está concluído!), incapazes de dar conta da tarefa”, escreveu o Presidente dos Estados Unidos na sua plataforma Truth Social.
Trump defendeu que a agitação está a ser promovida pela “Esquerda Radical” e por “instigadores e desordeiros muitas vezes pagos”, anunciando ainda a proibição de máscaras nos protestos, sem explicar como o vai fazer. “A partir de agora, NÃO SERÁ PERMITIDO o uso de MÁSCARAS nos protestos. O que é que estas pessoas têm a esconder, e porquê??? Mais uma vez, obrigado à Guarda Nacional por um trabalho bem feito!”, lê-se na publicação efetuada.
Pouco depois da publicação de Trump ao final desta manhã, a presidente da Câmara de Los Angeles, Karen Bass, reagiu na rede social X para agradecer às forças policiais locais e esclarecer que a mobilização da Guarda Nacional para o território ainda não foi concretizada.
“Quero agradecer à polícia de Los Angeles e às forças policiais locais pelo seu trabalho esta noite. Também quero agradecer a Gavin Newsom pelo seu apoio. Só para esclarecer, a Guarda Nacional não foi destacada para a cidade de Los Angeles”, frisou.
I want to thank LAPD and local law enforcement for their work tonight. I also want to thank @GovernorNewsom for his support.
Just to be clear, the National Guard has not been deployed in the City of Los Angeles.
— Mayor Karen Bass (@MayorOfLA) June 8, 2025
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou no sábado à noite o envio de 2.000 efetivos da Guarda Nacional para Los Angeles, informou a sua porta-voz, após confrontos na cidade californiana durante os protestos contra as detenções em massa de imigrantes ilegais.
“O presidente Trump assinou um memorando presidencial que prevê o envio de 2.000 efetivos da Guarda Nacional para remediar a ilegalidade que foi permitida florescer”, disse a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, culpando os líderes democratas ‘incompetentes’ da Califórnia.
Trump começou por ameaçar, através da sua rede social, Truth Social, “intervir” com o envio do exército para travar os protestos em Los Angeles, em reação a uma série de rusgas anti-imigração levadas a cabo nos últimos dois dias.
“Se o governador Gavin Newscum [‘nova escumalha’, alcunha de Trump para o governador democrata Newsom], da Califórnia, e a presidente da câmara de Los Angeles, Karen Bass [também democrata], não puderem fazer seu trabalho, o que todos sabemos que não podem, então o governo federal intervirá e resolverá o problema”, ameaçou o Presidente numa mensagem na sua rede social, Truth Social.
O aviso foi feito pouco depois de Tom Homan, nomeado por Trump como “czar da fronteira”, ter dito numa entrevista à Fox que a Casa Branca vai enviar a Guarda Nacional dos Estados Unidos para as ruas de Los Angeles, na sequência de dois dias de protestos provocados por múltiplas rusgas do Serviço de Imigração e Fronteiras (Immigration and Customs Enforcement, ICE) nas ruas e nos locais de trabalho.
“O governo federal está a assumir o controlo da Guarda Nacional da Califórnia e vai enviar 2.000 soldados”, confirmou Newsom este sábado através de um comunicado. “Esta medida é deliberadamente provocatória e só vai aumentar as tensões”, acrescentou o governador democrata, depois de criticar as rusgas que começaram na sexta-feira.
A Guarda Nacional é uma componente das forças armadas dos EUA e que responde quer às ordens de governadores estaduais, quer ao Presidente americano. É uma reserva estratégica, já que muitos dos seus membros servem a tempo parcial, tendo outros empregos em simultâneo. É geralmente mobilizada para situações de apoio em desastres naturais ou em cenários de agitação civil para assegurar o respeito pela lei, habitualmente em solo americano, mas também pode prestar apoio ao exército em operações no estrangeiro.
No sábado, a cidade de Paramount, na Califórnia, foi palco de confrontos entre manifestantes e agentes de vários serviços de segurança norte-americanos, deslocados em mais de 50 veículos federais, junto a uma empresa onde foi efetuada uma rusga anti-imigração clandestina.
Ativistas e membros da comunidade protestaram para tentar impedir as detenções, mas durante mais de duas horas os agentes federais repeliram os manifestantes com gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento. Foram registados vários feridos entre os manifestantes, atingidos por balas de borracha e granadas lançadas pelas autoridades, que utilizaram táticas militares para dispersar os manifestantes e retirar os detidos.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos também já reclamou da reação da população do estado às operações anti-imigração, marcada por vários atos de vandalismo contra o edifício federal em Los Angeles, assim como contra veículos do ICE na noite de sexta-feira, no final do primeiro dia de rusgas em pelo menos sete locais da cidade.
As operações foram apoiadas por agentes em uniformes camuflados e veículos blindados, que utilizaram gás para dispersar os manifestantes. O FBI confirmou num comunicado a participação de agentes seus nas rusgas de imigração. Também foram vistos agentes com identificação da DEA, a unidade anti-droga da polícia norte-americana.
Esta é a maior operação simultânea a ocorrer em Los Angeles e noutras cidades da Califórnia desde que Donald Trump chegou à Casa Branca com a promessa de deportações em massa. Nas últimas semanas, a Administração republicana efetuou várias alterações no seio do ICE com o objetivo de promover mais detenções. O objetivo do executivo norte-americano é efetuar, pelo menos, 3.000 detenções por dia.
(Artigo atualizado às 13h50 com novas declarações de Donald Trump e Karen Bass)