Iker Casillas, antigo guarda-redes do FC Porto, reclama o pagamento de mais de 3,7 milhões de euros por incapacidade de trabalho depois de ter sofrido um enfarte do miocárdio durante um treino com os dragões. O conflito judicial do jogador contra a seguradora Fidelidade e o clube começou em outubro de 2021, já que as duas entidades defendem não ser possível provar que o esforço físico durante o treino foi o único motivo do problema de saúde que terminou a carreira de Casillas.

De acordo com o jornal Público, que conta a história esta quinta-feira, a ideia de uma resolução amigável não está em cima da mesa e Iker Casillas não abdica dos 3,7 milhões de euros em prestações. A Fidelidade terá já transferido 1,5 milhões de euros, o teto máximo da seguradora para acidentes de trabalho, enquanto que o FC Porto indica que já pagou mais de um milhão de euros em salários numa altura em que o guarda-redes já não jogava e ainda não tinha terminado a carreira, considerando não ter obrigações adicionais.

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Tudo aconteceu em maio de 2019. Na altura, aos 37 anos e durante um treino do FC Porto, Iker Casillas sentiu-se mal e foi encaminhado de urgência para a CUF Porto. Depois das avaliações iniciais, foi submetido a um cateterismo para desobstruir a artéria direita, que estava tapada por um coágulo. Teve ainda de colocar um stent, um aparelho que impede que a válvula com defeito volte a fechar. Durante meses, não existiram certezas sobre a continuidade ou o fim da carreira do guarda-redes — até que, em agosto e três meses depois do problema de saúde, Casillas acabou mesmo por anunciar que iria deixar os relvados.

Segundo o jornal Público, que teve acesso a todo o processo, o espanhol foi forçado a terminar a carreira por ter sido desaconselhado a praticar exercício físico intenso, não devendo ultrapassar os 130 batimentos cardíacos por minuto. Adicionalmente, terá de tomar medicação para o resto da vida, sem que seja garantido que não voltará a sofrer um episódio cardíaco. No caso que continua a decorrer, a defesa de Iker Casillas lembra que o jogador tem meios de subsistência mais do que suficientes até “todo o tempo que lhe resto no mundo”, pelo que o pedido de indemnização prende-se com “um ponto de justiça”, por considerar que foi o enfarte do miocárdio que provocou um fim abrupto numa carreira que ainda não iria terminar — até porque o jogador tinha renovado contrato com o FC Porto dois meses antes.

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Assim, Iker Casillas acredita ter direito a receber a prestação que diz respeito a uma Incapacidade Permanente Absoluta para o Trabalho Habitual, no valor de 2,5 milhões de euros e corresponde a 70% da remuneração até 30 de junho de 2021, data até à qual o espanhol tinha contrato assinado com o FC Porto. A partir daí, a defesa do guarda-redes indica que existe ainda o direito à prestação por Incapacidade Permanente Parcial, para além de outros 1,2 milhões de euros que dizem respeito às prestações por incapacidade temporária absoluta.

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Depois de meses de relatórios médicos e avaliações de peritos, foi constituída uma junta médica composta por três especialistas: um indicado pelo jogador, outro pela Fidelidade e ainda um terceiro, independente, pelo tribunal. Aí, os cardiologistas apontados pelo espanhol e pelo tribunal concordaram na ideia de que é provável que o esforço físico foi o motivo da rutura na artéria coronária, enquanto que o médico indicado pela seguradora defendeu que não é possível assumir essa ligação direta.

A favor de Iker Casillas está ainda o relatório elaborado pelo Conselho Médico-Legal, um órgão executivo do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, onde se lê que o esforço do treino foi “causa adequada” para o enfarte. Certo é que, até esta quinta-feira e à notícia do jornal Público, ainda não há qualquer data para um julgamento.

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