Começou bem, acabou muito mal. À imagem do que mostrou ao longo da temporada, com e sem Martín Anselmi, o FC Porto que se apresentou em Atlanta pautou pela irregularidade, mostrando prestações completamente opostas nas duas metades da partida. Se, no primeiro tempo, a equipa portuguesa entrou bem e alcançou uma justa vantagem que até pedia números mais dilatados, o mesmo não se pode dizer do que aconteceu no regresso dos balneários, com a equipa a eclipsar-se e a consentir a reviravolta no espaço de sete minutos. A partir daí, os dragões mostraram grandes dificuldades em ligar o jogo com o ataque algo que, as espaços, mudou com a entrada de jogadores mais rápidos e verticais. Contudo, as oportunidades escassearam e a equipa da casa até terminou mais perto de marcar (2-1).
Por entre mais uma grande exibição de Cláudio Ramos e o tento apontado por Samu Aghehowa, a segunda exibição portista no Mundial de Clubes chegou com mais uma série de recordes negativos e as contas do apuramento estão cada vez mais complicadas. Com o golo de livre, a completar a remontada, Leo Messi passou a ser o terceiro jogador da história com mais golos de livre (68), estando apenas atrás de Pelé (70) e Juninho (77). Por outro lado, esta foi a primeira vitória de sempre de uma equipa norte-americana frente a clubes europeus e, desde 2012, que uma formação da UEFA não perdia um jogo oficial frente a uma equipa de outra associação continental.
Este jogo teve o condão de ser o quarto da temporada portista a terminar com derrota após reviravolta, juntando-se a Bodo/Glimt, Moreirense (na Taça de Portugal) e AS Roma. Há 52 anos que o FC Porto não consentia quatro derrotas com reviravolta na mesma temporada, sendo que o recorde do clube são seis, em 1945/1946. Mais: os dragões nunca tinha sofrido três derrotas com remontada na mesma época nas competições internacionais. Assim, o que fica é a imagem de um FC Porto que deixou de depender de si e só passa aos oitavos se vencer os Al Ahly e anular a desvantagem de três golos para o Palmeiras, que tem de ser derrotado frente ao Inter Miami. O primeiro lugar deixou de ser possível.
????Há 52 anos que o ????FC Porto não registava 4 derrotas com reviravolta: 1971/72 e 2024/25
⚡️O máximo do clube são 6 derrotas com 'remontada' em 1945/46 pic.twitter.com/uFc4PxGpTr
— Playmaker (@playmaker_PT) June 19, 2025
“Creio que na primeira parte, com a posição de Segovia e os outros quatro médios por dentro, custou emparelhar. Nos duelos passámos ao lado porque estavam a acontecer mais por dentro. Tentámos ajustar, conseguimos um pouco e quisemos corrigir ao intervalo, metendo o Mora com o Busquets e fazendo um quatro contra quatro. Estava claro que nos sobrava um jogador na última linha e quando corrigimos foi tarde, porque quis tentar manter na segunda parte os mesmos intérpretes. Faltou atitude para ganhar os duelos. Na parte tática sou responsável porque devíamos ter equilibrado a equipa antes. Derrota nos detalhes? Não, penso que não. Taticamente, não fomos o que tínhamos de ser. Tentámos corrigir a situação do Segovia. O Inter Miami é bom, não nos deixou recuperar a bola, e depois na segunda parte já foi tarde. Al Ahly? Há que ganhar por golos suficientes e esperar pelo resultado do outro jogo”, lamentou Anselmi em declarações à DAZN Portugal.