Messi, Messi, Messi. Incontornavelmente, esse foi o principal nome a marcar os dias que antecederam este Inter Miami-FC Porto, a contar para a segunda jornada do Campeonato do Mundo de Clubes. Afinal, foi precisamente frente aos dragões que o astro argentino se estreou na equipa principal do Barcelona, a 16 de novembro de 2003, na inauguração do Estádio do Dragão. De lá para cá, nos últimos 22 anos, Leo Messi e o FC Porto só se cruzaram em mais uma ocasião, quando os blaugranas bateram os azuis e brancos na Supertaça Europeia de 2011, no Mónaco (2-0). Apesar de la pulga ser uma das principais imagens de marca deste Mundial, o novo formato implementado pela FIFA teve a particularidade de colocar frente a frente herons e portistas pela primeira vez, algo que seria impensável noutra situação.
No que toca à equipa de Martín Anselmi — que na conferência de imprensa curvou-se perante a grandeza do compatriota —, a estreia não foi positiva, mas também não foi negativa, com o empate sem golos (0-0) frente ao Palmeiras a atirar para esta segunda partida parte das decisões do Grupo A, já que, no encontro inaugural, Inter Miami e Al Ahly também não saíram do nulo (0-0). Com Diogo Costa a recuperar de lesão — evoluiu para treino condicionado —, Cláudio Ramos aproveitou a estreia em jogos internacionais para mostrar que é uma aposta altamente válida para a baliza portista, numa altura em que parece inevitável segurar o titular da Seleção Nacional. Ainda assim, o principal percalço enfrentado pela comitiva portuguesa foi um atraso de três horas, devido ao mau tempo, no voo de Newark para Atlanta, a cidade que acolheu este encontro frente a uma das equipas da casa… que jogou a cerca de mil quilómetros de Miami.
Ficha de jogo
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Inter Miami-FC Porto (2-1)
2.ª jornada do Grupo A do Mundial de Clubes
Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta (Estados Unidos)
Árbitro: Cristián Garay (Chile)
Inter Miami: Óscar Ustari; Marcelo Weigandt (Tomás Aviles, 53’), Ian Fray (Jordi Alba, 79’), Maximiliano Falcón, Noah Allen; Sergio Busquets, Benja Cremaschi, Tadeo Allende (Fafà Picault, 79’), Telasco Segovia (Federico Redondo, 71’); Lionel Messi e Luis Suárez
Suplentes não utilizados: William Yarbrough, Rocco Ríos; David Martínez, Ryan Sailor, Baltasar Gallego, Santi Morales, Leo Afonso e Allen Obando
Treinador: Javier Mascherano
FC Porto: Cláudio Ramos; Martim Fernandes (Gonçalo Borges, 59’), Zé Pedro, Iván Marcano (Deniz Gül, 87’); João Mário, Alan Varela (William Gomes, 74’), Fábio Vieira, Francisco Moura (Otávio Ataíde, 87’); Gabri Veiga (Stephen Eustáquio, 59’), Rodrigo Mora e Samu Aghehowa
Suplentes não utilizados: Diogo Fernandes; Zaidu Sanusi, Nehuén Pérez, Vasco Sousa, André Franco, Tomás Pérez, André Oliveira, Pepê, Danny Namaso e Ángel Alarcón
Treinador: Martín Anselmi
Golos: Samu (g.p., 8’), Segovia (47’), Messi (54’)
Ação disciplinar: nada a registar
“Num formato de Mundial, com três partidas, todas são importantes. Se não tens um resultado bom, estás longe de te classificar. Mesmo que tenhamos um bom resultado neste jogo, também teremos de o ter no último jogo. Sempre pensei em como preparar um jogo contra Messi. Mas agora decidimos pensar em nós, em recuperar fisicamente, em como recuperar a bola. Isso será importante. Quanto mais tempo tivermos a bola, menos danos o Inter e Messi vão fazer. Mas, sim, ter a oportunidade de defrontá-lo é um desafio e até uma forma de celebrar a nossa profissão. Como argentino, Messi deu-nos muitas alegrias. Mas, ao ter que enfrentá-lo, para mim é mais um jogador que há que temos que defender bem. Sabemos que a bola não pode passar por ele e, quanto mais conseguirmos isso, mais nos vai aproximar da vitória. Temos de pensar em nós e saber que a nossa estratégia defensiva não depende de um jogador”, começou por dizer Anselmi numa conferência de imprensa que aconteceu já durante a madrugada desta quinta-feira.
“Nem todas as equipas supostamente mais fortes se têm superiorizado na prova. Nós sabemos o que queremos. Com o Palmeiras não tivemos o ritmo que queríamos. Viemos de férias, de paragens e isso é incomparável com uma atividade contínua. Recuperámos os jogadores por estes dias e é isso que continuamos a fazer. Vamos defrontar uma equipa que gosta de ter a bola, tem jogadores que fazem magia dentro de campo. Temos de controlar o jogo através do nosso posicionamento com bola. Quando não a tivermos, temos de a recuperar o mais rápido possível. Temos de ser intensos e agressivos sem a bola, só assim podemos pensar em olhar para a frente e conquistar os três pontos. A essência do FC Porto é ser protagonista e é isso que queremos ser. As equipas sul-americanas são sempre competitivas e têm fome de competir até ao fim, nunca dão uma jogada ou um jogo como perdido. São equipas grandes, com muita história e títulos importantes. As equipas europeias estão a acusar a paragem no calendário. Vai ser uma segunda jornada muito interessante”, analisou.
Two Argentine managers leading their teams in a #FIFACWC clash. ???????? pic.twitter.com/2ewPzqdQFE
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As horas que antecederam a partida foram marcadas por um grande ponto de interrogação a envolver o principal protagonista deste encontro: Messi foi visto a queixar-se da coxa esquerda no início do último treino e esteve em dúvida bem perto do apito final. Ainda assim, o argentino terá conseguido recuperar e marcou presença no onze de Javier Mascherano, que teve duas novidades: Marcelo Weigandt rendeu Tomás Áviles no centro da defesa e Benja Cremaschi reforçou o miolo, por troca com Federico Redondo. No banco, Jordi Alba e Allen Obando regressaram de lesão e foram as grandes novidades. Nos portistas, Martín Anselmi optou por não fazer qualquer alteração e lançou a equipa que atuou diante dos sul-americanos, com Ramos e Martim Fernandes no centro da defesa, e sem Diogo Costa no banco.
Num imponente Mercedes-Benz Stadium — que tem o mítico teto retrátil inspirado nas asas de um falcão, um ecrã circular maior que a Torre Eiffel e as entradas são feitas através de reconhecimento facial — muito despido, o Inter Miami entrou destemido e, num lance em que até havia fora de jogo, um passe espectacular de Messi para Luis Suárez quase originou o primeiro golo (2′). A pulga continuou a aproveitar o espaço entrelinhas concedido pelos portistas mas, contra a corrente do jogo, Noah Allen pisou João Mário dentro da área norte-americano e, algum tempo depois, Cristián Garay lá assinalou o castigo máximo. Na cobrança, Samu Aghehowa fez a paradinha e atira para a meia-direita de Óscar Ustari, que adivinhou o lado, tocou na bola, mas não evitou o golo, com o esférico a passar por baixo do seu corpo (8′). A partir daí, os herons voltaram a assumir as despesas da partida, perante a passividade de um FC Porto na expectativa, e, depois de mais um passe milimétrico de Messi, Suárez isolou-se, mas voltou a perder o duelo com Ramos (19′).
SAMMMUUUUUU ????
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Com o jogo a ritmo baixo e as duas equipas na expectativa, embora a bola tenha continuado nos pés da turma rosa, os dragões foram melhorando com o aproximar do intervalo, mas Cláudio Ramos continuava imperial na baliza, negando o golo Cremaschi com uma defesa pouco ortodoxa com o pé esquerdo (35′). Na resposta, Francisco Moura subiu no terreno e cruzou rasteiro para a área, Samu deixou para Rodrigo Mora que, depois de se enquadrar, atirou para o golo, mas Maximiliano Falcón impediu que a bola entrasse, cortando em cima da baliza, numa fase em que Ustari estava batido (39′). A fechar a primeira parte, Alan Varela recebeu em zona frontal, ganhou espaço, puxou para o pé direito e, de fora da área, desferiu um grande remate que acertou em cheio no poste direito da baliza norte-americana, rechaçando, depois, para as costas de Ustari, que conseguiu impedir que a bola entrasse (44′). Assim, os dragões saíram para o intervalo na frente (0-1).
No regresso ao relvado, a equipa de Anselmi entrou a dormir e, com pouco mais de um minuto de jogo, sofreu o empate, num lance em que Marcelo Weigandt combinou com Tadeo Allende e cruzou para o coração da área, onde o ex-Casa Pia Telasco Segovia apareceu, vindo de trás, a desferir um grande pontapé de primeira (47′). Pouco depois, o Inter Miami beneficou de um livre à entrada da área, por alegado bloqueio de Zé Pedro a Messi e, na cobrança, o argentino voltou a fazer das suas e completou a reviravolta com um fantástico pontapé ao ângulo superior direito da baliza portista (54′). A reação dos dragões continuou sem aparecer e o técnico argentino tentou revitalizar o ataque com Gonçalo Borges no lugar de Gabri Veiga, bem como com a entrada de Stephen Eustáquio, para a saída de Martim.
Segovia empata a partida.
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Messi.
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Apesar das alterações, o conjunto português continuou sem criar perigo na segunda parte e poucos foram os seus vislumbres ofensivos, com os norte-americanos a conseguirem gerir o jogo a seu bel-prazer. Sem ideias e com muitas dificuldades no último terço, Anselmi optou por colocar mais um homem rápido no ataque: William Gomes. Com o sistema alterado e uma defesa a quatro, as melhorias foram poucas, apesar de algumas arrancadas pelos flancos, essencialmente através de Borges. Num lance desenhado por Mora, Samu cabeceou ao lado (81′). Pouco depois, já com Otávio Ataíde e Deniz Gül em campo, o internacional espanhol teve espaço à entrada da área, mas o remate saiu muito por cima (90′). No longo período de descontos — de sete minutos —, o Inter Miami lutou pela sobrevivência e quase esteve perto do terceiro golo, com Cláudio Ramos a defender o remate de Fafà Picault com mais uma grande parada (90+7′). O resultado esteve longe de ser o melhor e os dragões chegam à última jornada dependentes de terceiros e obrigados a vencer (2-1).
A pérola
- Estava em dúvida, foi titular, jogou os 90 minutos — mais descontos — e voltou a ser decisivo. Aos 37 anos, Leo Messi continua a fazer o que melhor sabe, apesar de se ter afastado dos holofotes dos grandes palcos europeus e de ter rumado à MLS. O Inter Miami nem era para estar neste Campeonato do Mundo de Clubes, mas está e ameaça ultrapassar a fase de grupos ao tom do cérebro do seu capitão. Na primeira parte, os principais desenhos ofensivos da sua equipa saíram dos seus pés. Na segunda, “cavou” uma falta a Zé Pedro e, numa espécie de penálti à entrada da área, marcou um golaço… à Messi.
O joker
- Numa altura em que os grandes do futebol português anseiam por um médio capaz de assumir o jogo da sua equipa, a pergunta que fica é: como é que Telasco Segovia passou-lhes em vão? O médio venezuelano esteve no Casa Pia durante uma temporada e meia e acabou por rumar ao Inter Miami a troco de… 2,5 milhões de euros. Esta quinta-feira, quis o destino que fosse um dos protagonistas da derrota dos azuis e brancos, apontando um espectacular golo a abrir a segunda parte.
A sentença
- O resultado foi bom para uns e mau para outros. Como é apanágio no futebol, uma equipa sorriu e a outra ficou a lamentar-se de si mesma. Neste caso, foi o Inter Miami que levou a melhor e, com quatro pontos ao cabo de duas jornadas, só precisa de um empate frente ao Palmeiras para seguir em frente. Curiosamente, os brasileiros também dependem desse resultado, pelo que não se espera que o FC Porto tenha a vida facilitada. Neste Grupo A, um ponto ao cabo de duas jornadas é manifestamente pouco para os dragões, que estão obrigado a bater o Al Ahly para, no mínimo, deixarem uma boa imagem em território norte-americano.
A mentira
- Apesar de jogar em casa, o Inter Miami teve que fazer uma deslocação de cerca de mil quilómetros para “receber” o FC Porto em Atlanta e, como seria de esperar, a adesão de espectadores voltou a ficar aquém. Com o anel superior fechado, como é habitual nos jogos de futebol realizados no Mercedes-Benz Stadium, a assistência não passou dos anéis inferiores, algo que a FIFA tentou contornar com os planos apresentados na transmissão televisiva. Números oficiais? 31.783 espectadores. Para um estádio com capacidade acima dos 70 mil, no futebol americano, e com mais de 42 mil para este Mundial, é muito pouco… De notar que a partida começou às 15 horas locais, num dia de trabalho.