Duelo de campeões. A última partida desta quinta-feira (madrugada de sexta-feira em Portugal) reservou uma partida entre o campeão europeu PSG e o campeão sul-americano Botafogo, num desafio que teve ainda a particularidade de colocar frente a frente vários portugueses. Inevitavelmente, o favoritismo estava quase todo do lado parisiense, que chegou a esta partida em grande forma e com uma maior solidez na sua equipa, perfilando-se como o principal candidato a erguer o Mundial de Clubes. A estreia, frente ao Atl. Madrid, confirmou-o (4-0). Do outro lado estava o fogão que, na primeira jornada, venceu em casa do Seattle Sounders (2-1) e deu um passo importante rumo aos oitavos de final, que podiam ficar carimbados neste desafio, tanto para um lado como para o outro. Ainda assim, a missão brasileira passava por conseguir um bom resultado, antes de enfrentar os brasileiros.
The leaders of Group B face off at the Rose Bowl. ????️#FIFACWC pic.twitter.com/2fAjPzA7Eh
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“Se amanhã fosse a Bola de Ouro, colocaria o Vitinha no banco. Não me importo com prémios individuais. O meu favorito é o Dembélé, mas entendo tudo isso que está ao redor da Bola de Ouro. É normal, é o que vende. Há outros jogadores que podem ganhar. Vitinha, Hakimi, Fabián Ruiz, Marquinhos, Pacho, Nuno Mendes… todos os meus. Mas não me interessa. Interesso-me pelo futebol. A equipa é muito mais importante que a Bola de Ouro. Botafogo? É ótimo jogar contra equipas de ponta. O Botafogo tem um histórico incrível e conquistou a Libertadores nesta temporada. Tenho a certeza de que jogar contra nós será uma grande motivação para eles. Estamos a preparar-nos como sempre, não mudámos muito, mesmo a jogar contra uma equipa de ponta. A preparação é a mesma. Teremos que estar preparados para qualquer imprevisto durante a partida”, perspetivou Luis Enrique.
“Acho que o cemitério do futebol está cheio de favoritos. É um jogo, há probabilidades, mas nós preparamos os jogos da mesma forma. Quero que a minha equipa faça certas coisas, corrija o que fez de errado — e no último jogo não foram poucas coisas. Vimos as fragilidades do adversário e a partir disso vamos lutar pelos três pontos. Se entrar nesse campo do favoritismo, é uma área emocional que não se controla. Impacto é o que quero retirar. O adversário é quem é, mas também ganha, perde e empata. Se diser que somos favoritos, podemos ir para o jogo confortáveis. Se disser que somos piores, eles podem ir com medo. Quero que eles [os jogadores] sejam eles mesmos. Só isso”, assumiu Renato Paiva.
Mundial de Clubes: Paris SG x Botafogo
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Sem Ousmane Dembélé, que continua a recuperar de lesão e trabalha isolado do grupo, o técnico espanhol fez várias alterações na equipa, com Lucas Beraldo e Lucas Hernández a entrarem para a defesa e Warren Zaïre-Emery e Senny Mayulu para o meio, com Vitinha e Gonçalo Ramos a segurarem a titularidade, ao passo que Nuno Mendes e João Neves sentaram-se no banco. Já o treinado português fez apenas uma alteração, com Gonzalo Mastriani e sair da equipa depois de uma exibição apagada na primeira jornada, por troca com Allan, num claro reforço do meio-campo, numa tentativa de anular a intensidade e a posse de bola dos parisienses.
No emblemático Rose Bowl, que foi palco do triunfo do tetra do Brasil no Campeonato do Mundo de 1994 — frente a Itália —, os parisienses repetiram a sua saída de bola que tem ficado característica, com o médio português a atirar o esférico para junto da bandeirola de canto. Ao segundo minuto, Kvicha Kvaratskhelia dispôs da primeira oportunidade da partida, mas John Victor travou o remate (2′). Com uma linha de cinco — e por vezes de seis — implementada à frente da sua área, o glorioso conseguiu conter os ataques do PSG e, com as marcações mais subidas, começaram a criar dificuldades aos rouge et bleu na construção. Depois da paragem para hidratação, o Botafogo arriscou e foi feliz: Jefferson Savarino encontrou Igor Jesus na profundidade, o 99 ganhou a Willian Pacho e atirou fora do alcance do Gigi Donnarumma para o primeiro golo (36′), e festejou com o habitual Kamehameha, do Dragon Ball.
IGOR JESUS volta a marcar no FIFA Mundial de Clubes ????
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Na segunda metade não se registaram alterações e o PSG entrou mais balanceado para o ataque, com Gonçalo Ramos a testar John Victor nos instantes iniciais, após um livre de Vitinha (51′). Na resposta, Savarino cabeceou para as mãos de Donnarumma (51′), antes de Enrique lançar Nuno Mendes, João Neves, Fabián Ruiz e Bradley Barcola, retirando Ramos (56′). Na reta final do desafio, os parisienses carregaram em busca do golo do empate, mas o glorioso continuou a aguentar, sem conceder espaço ao rival, mantendo intacto o muro implementado à frente da sua baliza. Num livre perigoso à entrada da área, Kvaratskhelia ainda atirou ligeiramente por cima (90+2′), mas o resultado estava encontrado, e em formato de surpresa (0-1).
A pérola
- Pela segunda partida consecutiva, Igor Jesus foi decisivo. O internacional brasileiro sabia de antemão que tinha uma partida ingrata pela frente, mas interpretou na perfeição a estratégia que Renato Paiva montou para si. Sem bola, o camisola 99 foi o primeiro elemento, tentando condicionar a primeira fase de construção do PSG. Quando o Botafogo recuperava a bola, a ideia era fazê-la chegar rapidamente ao avançado que, com a sua velocidade, podia torna-se na principal ameaça à baliza de Donnarumma. E foi assim que nasceu o golo do triunfo, com Savarino a lançar Jesus que, depois de ser mais forte que Pacho, fez o que melhor sabe: faturar.
O joker
- Vitinha voltou a ser o pêndulo dos franceses, tocou 161 vezes na bola, fez 134 passes com precisão (com um acerto de 93%), colocou 18 passes longos com precisão, ganhou três duelos e fez um remate, mas desta vez não foi suficiente para ajudar a sua equipa a vencer. Não foi por Vitinha que o PSG foi surpreendido pelo Botafogo, já que o internacional português voltou a cobrir o campo e mostrou, uma vez mais, que tem de ser tido em conta como candidato à conquista da Bola de Ouro.
A sentença
- Com esta espectacular vitória, os sul-americanos voltaram a derrotar os europeus 13 anos depois do Corinthians bater o Chelsea na final desta mesma competição. Assim, o glorioso chegou aos seis pontos no Grupo B e garantiu matematicamente o apuramento para os oitavos de final, ainda que uma derrota frente ao Atl. Madrid e uma vitória do PSG frente ao Seattle Sounders possam alterar essa condição, mediante a diferença de golos. Em sentido inverso, os parisienses estão obrigados a repetir o que os colchoneros fizerem na última jornada para seguirem em frente.
A mentira
- Está encontrada a primeira grande surpresa deste Mundial de Clubes. Antes desta partida, era praticamente impensável imaginar um cenário que não fosse o triunfo — ou empate, em última instância — do PSG. O duelo entre os campeões continentais foi preparado ao pormenor por Renato Paiva, que montou uma estratégia sublime e foi das poucas equipas a conseguir anular os parisienses na presente temporada. Com um bloco coeso e baixo, o técnico português percebeu cedo que o 4-3-3 não ia resultar e não teve medo de colocar uma linha de cinco na defesa, retirando espaço de manobra ao adversário. No ataque, o fogão apostou em saídas rápidas, com poucos toques, e foi assim com feliz. 26% de posse de bola foram suficientes para se ser feliz.
⚽️ FINAL ✅
???????? PSG 0 – 1 Botafogo ????????◉ HISTÓRICO! ????
Botafogo de Renato Paiva ???????? manietou tacticamente o campeão europeu, fez desaparecer candidatos a "bola de ouro" e criou a única ocasião flagrante de um jogo que vai obrigar os adeptos portugueses a desligar a net por umas… pic.twitter.com/HuVL4qn5pI— GoalPoint (@_Goalpoint) June 20, 2025