VChegar, ganhar, gerir e triunfar. Num Grupo B que se esperava de domínio europeu, o Botafogo acabou por surpreender a concorrência e chegou à última jornada com a situação mais confortável, precisando de apenas um empate para seguir para os oitavos de final. Por outro lado, a situação do Atl. Madrid era mais complicada, já que os colchoneros estavam forçados a golear o campeão sul-americano para não dependerem do resultado da outra partida. Apesar do favoritismo, os espanhóis não tinham uma tarefa fácil em mãos, já que a equipa de Renato Paiva mostrou, nas últimas partidas, que não está nos Estados Unidos para passear.

“O argumento que tenho é que tenho fé nos meus jogadores. Conheço-os e sei que podem fazer um grande jogo. Temos a obrigação de ganhar. A partida não vai estar 3-0 aos três minutos. É um rival que é campeão da Libertadores, esteve muito bem contra o PSG, vai fazer uma partida mais clássica de Taça Libertadores e tem as suas vantagens. Vamos atrás dos números que necessitamos para ganhar a partida. Está claro que a contundência marcará o caminho, tanto no ataque como na defesa. Temos que fazer o nosso jogo. Não estivemos no nosso melhor nível nos dois primeiros jogos. Contra o PSG estivemos muito mal, não fomos compactos. O nosso pensamento passa por sermos compactos. Se tivermos que defender, defenderemos. Se tivermos que atacar, atacaremos”, analisou Diego Simeone.

“É mais uma montanha para escalar. O Atl. Madrid é uma grande equipa. É um conjunto que o Diego Simeone construiu há muito tempo. Tem um ADN muito claro, com valores individuais extraordinários e, como coletivo, também sabemos como são as equipas de Simeone. Pode ser muito fácil cair e ser eliminado. Não quero isso. O foco é vencer Atl. Madrid. Pretendemos encontrar uma estratégia que nos permita não sofrer golos. É uma das equipas mais intensas do mundo em termos físicos e táticos. Imaginem como vão entrar em campo quando forem à procura de três golos, e sabendo como o seu treinador os vai motivar. Como sempre digo: 100% de respeito, mas zero de medo. Não vamos jogar em cima da vantagem ou do resultado. A montanha está aí e vamos tentar escalá-la como escalámos a anterior, vamos ver se somos capazes de o fazer”, perspetivou Paiva.

No imponente Rose Bowl, Paiva não fez qualquer alteração no seu onze, mantendo o alinhamento que derrotou o PSG. Por seu turno, Simeone decidiu lançar Conor Gallagher no meio-campo, por troca com Koke, ao passo que Clément Lenglet voltou ao centro da defesa, relegando José Giménez para o banco. Frente a mais uma das grandes equipas do continente europeu, o Botafogo voltou a entrar seguro e sólido na defesa, e colecionou as primeiras oportunidades da partida, com Igor Jesus a isolar Jefferson Savarino que, com tudo para marcar, atirou para defesa de Jan Oblak (10′). Pouco depois, Savarino viu Artur solto de marcação à entrada da área, colocou-lhe a bola, mas o remate do 7 desviou em Lenglet e saiu perto do poste esquerdo (15′). Na resposta, Gallagher teve espaço para rematar em zona perigosa, só que o tiro saiu ao lado (17′).

Já depois da habitual pausa para hidratação, os colchoneros voltaram a criar perigo, com Rodrigo de Paul a encontrar Julián Álvarez sozinho dentro da área mas, depois de o argentino receber, o remate saiu ao lado (41′). No tempo de compensação, o Atl. Madrid pediu grande penalidade por falta de Gregore em Álvarez e, depois de ver as imagens do lance, o árbitro César Ramos assinalou uma alegada falta de Alexander Sorloth sobre Jair numa disputada de bola (45+2′).

No recomeço, o jogo continuou equilibrado e as mexidas de Simeone na frente de ataque, com as entradas de Ángel Correa e Antoine Griezmann revitalizaram a partida, com o francês a dispor da primeira tentativa da segunda parte, atirando ao lado, sem ângulo (60′). No lance seguinte, Sorloth recebeu de Marcos Llorente e, em zona de finalização, cabeceou para fora (61′). Na resposta, Cuiabano virou o jogo para Igor Jesus que, no frente a frente com Oblak, atirou para uma grande intervenção do esloveno (67′). A fechar, Correa serviu Griezmann para uma ocasião clara de golo, mas o francês atirou ao lado (83′). Ainda assim, o internacional francês redimiu-se e, depois de mais uma grande jogada de Álvarez, abriu o marcador (87′). Nos descontos, Samuel Lino ainda ameaçou o golo do apuramento espanhol, mas John Victor assinou a qualificação brasileiro e a eliminação da turma de Simeone (90+3′).

A pérola

  • Fosse no corredor esquerdo ou central, Julián Álvarez foi uma autêntica carraça à solta no ataque do Atl. Madrid e o elemento mais diferenciador da partida desta segunda-feira, ficando apenas a faltar o golo para coroar esta excelente exibição da araña. Ainda assim, foi dos seus pés que surgiu o único golo da partida, numa jogada que construiu com mestria e leu na perfeição o movimento de Griezmann.
  • O joker

  • Antoine Griezmann saiu do banco ao intervalo para revitalizar um ataque do Atl. Madrid que só se viu na parte final da primeira parte e conseguiu. O francês até teve nos pés diversas ocasiões que podiam ter dado outro colorido ao resultado, mas certamente que não foi por si que a sua equipa foi eliminada. Em apenas 45 minutos, Griezmann fez cinco remates, marcou um golo, desperdiçou duas oportunidades e fez dois passes-chave. Nos últimos tempos perdeu preponderância na equipa, mas esse estatuto poderá ter de ser revisto…

A sentença

  • Era o grupo da morte, mas o Botafogo de Renato Paiva conseguiu sobreviver. Na retina fica a grande vitória diante do PSG, já depois de o confirmar de estatuto diante do Seattle Sounders. A derrota com o Atl. Madrid poderá ter impacto daqui para a frente, já que fez com que o fogão terminasse no segundo lugar. Ainda assim, o cariocas prometem criar dificuldades a quem se atravessar no seu caminho. Em sentido inverso, os colchoneros dizem adeus à competição na primeira fase e com seis pontos conquistados. Tendo em conta que haverá segundos classificados com menos pontos, torna-se um resultado inglório.

A mentira

  • Se Diego Simeone teve mão na vitória frente ao Seattle Sounders, frente ao Botafogo mostrou ter poucas ideias e, perante essa inércia na decisão, decidiu lançar dois avançados ao intervalo. A estratégia acabou por resultar… para vencer o jogo. Apesar de o apuramento ter ficado a um golo de distância, esperava-se mais de uma das melhores equipas da Europa. O argentino está há 14 temporadas nos colchoneros e, depois de uma temporada bastante ao lado, o sua continuidade terá de ser questionada. Estará o Atl. Madrid em fim de ciclo?