Ao terceiro dia o Portugal Fashion regressou oficialmente ao Porto, depois de duas jornadas entre o Douro, Famalicão e Matosinhos. Foi no showroom na Praça da Corujeira que a dupla da Ernst W. Baker recebeu os convidados para mostrar a coleção primavera/verão. Com muita alfaiataria, pele, brilho e botões decorativos e numa paleta de cores entre o preto o vermelho e o verde, a marca brinca com a ideia das peças da avó numa releitura gótica. “Esta coleção surgiu da ideia de gothic grandma, é jogar um bocado com estes contrastes. Estampados de flores e chita, que são visualmente muito diferentes mas que quisemos juntar os dois. Vinil com tecidos muito fluídos. E também continuamos com as nossas peças em crochê, que são a identidade da marca, além de muitas peças feitas à mão”, explicou Inês Amorim sobre as novidades, que já tinham sido apresentadas na Semana da Moda masculina de Paris.
▲ A coleção inspirada na gothic grandma dos Ernst W. Baker
IGOR MARTINS / OBSERVADOR
A portuguesa e o norte-americano Reid Baker juntaram-se em 2017, inspirados pelas origens familiares e culturais. A marca leva o nome do avô do designer, que foi um dos primeiros publicitários de Detroit, enquanto a produção começou em Viana do Castelo, cidade natal da criadora de moda. Depois de lançarem a segunda coleção, em 2018, a marca foi indicada para o prémio LVMH — desde então ganhou as passarelles internacionais, com presença frequente na semana da moda de Paris, além de vestir celebridades como Harry Styles, Timothee Chalamet ou os sul-coreanos BTS.
Sobre o Portugal Fashion passar a ser realizado uma vez por ano, a designer considera “ser uma boa experiência que pode atrair mais pessoas“. Contudo, a marca continua a apresentar duas coleções anualmente — seguindo o calendário internacional para o qual já trabalham. A ligação com Portugal continua na produção: “Uma das razões para a marca continuar a crescer é porque temos controlo de tudo, temos uma relação muito boa com as fábricas mais pequenas e os ateliês, conseguimos ir lá em 40 minutos e isso é uma das razões pela qual a marca é forte. Estamos muito contentes com a qualidade.”
Antes, a AHCOR apresentou no Museu do Carro Elétrico uma coleção bastante feminina de primavera/verão 2026, chamada “Estranheza Familiar”, em parceria com a marca espanhola de joias e acessórios TOUS. Nas peças vimos rendas misturadas com tecidos rígidos com efeito molhado, calções plissados até os joelhos e camisas com mangas balão. A paleta de cores privilegiou o branco e os tons pastéis, como o rosa, além de algumas peças num laranja avermelhado.
▲ O desfile da Ahcor com a Tous
IGOR MARTINS / OBSERVADOR
Sílvia Rocha é outro nome que surgiu no BLOOM em 2020 e que construiu o seu caminho na moda com o impulso da plataforma. É o primeiro ano que a designer integra o calendário na plataforma principal — o que serve de inspiração para os jovens que arriscam adentrar neste universo.
Oportunidade de florescer
Os designers tiveram cerca de uma semana, há precisamente um mês, para organizar as suas candidaturas. A missão era apresentar um projeto inédito com entre oito a dez coordenados e a execução física de um primeiro look. Agora, os finalistas têm a oportunidade de se dar a conhecer — mas apenas dois saem com algum prémio para além do potencial de visibilidade.
▲ O designer brasileiro Enzo Peres venceu o concurso Bloom
IGOR MARTINS / OBSERVADOR
Dentro as sete coleções apresentadas, o vencedor foi Enzo Peres, que desfilou sob a marca E.P. Atel’ye. Brasileiro, chegou ao Porto há três anos em busca de “criar o seu futuro”. “Sempre senti-me deslocado no mundo, e o meu trabalho é o meu universo, onde tudo está ao meu controlo”, explicou aos jornalistas. “Vim de São Paulo, a zona leste, e as minhas inspirações são a origem. Busquei reconstruir e desconstruir este meu mundo no vestuário, como um casaco clássico, a camisa, busquei desconstruir a forma. As peças são utilizadas em mais de 50 formas diferentes”, disse o designer. O que se viu na passarelle foi uma coleção focada no preto e branco e muita alfaiataria numa leitura não convencional, com mangas soltas e camisas vestidas ao contrário. O jovem vencedor do Bloom recebeu os aplausos descalço — mas não de propósito. “As modelos tiveram que usar uma bota minha. O casting foi alterado e entrou uma modelo com o pé tamanho 42 e não tínhamos sapatos. Mas também sinto-me mais conectado com a terra”, brincou. A menção honrosa foi para a designer por trás da Vaolms, com as suas peças com volume estruturado e marcadas por um glamour gótico.
Quem escolheu os dois finalistas foi o júri composto por Serge Carreira, Diretor da Iniciativa de Marcas Emergentes da Fédération de la Haute Couture et de la Mode / Paris Fashion Week; os designers Inês Amorim e Reid Baker, fundadores da marca Ernest W Baker; a designer Alexandra Oliveira, da marca Pé de Chumbo; o CEO da Showpress, Luís Pereira; o diretor de fashion design da Salsa Jeans, Felix Santos; e a Diretora do Portugal Fashion, Mónica Neto. O prémio para o designer vencedor inclui o valor de 2.450 euros, um estágio profissional remunerado na Salsa Jeans, uma pós-graduação em Fashion Management na Católica Porto Business School. O segundo lugar ganha uma residência criativa de três meses na Salsa Jeans e um voucher de formação na Católica. Ambos também passam a receber mentoria continuada, acompanhamento técnico e assessoria de imprensa especializada.
O Observador está instalado no Porto à convite do Portugal Fashion.