Quando terminou a reunião após o regresso do FC Porto dos EUA, onde tinha marcado presença no Mundial de Clubes, André Villas-Boas e Martín Anselmi sabiam que não havia volta a dar. Antes e durante, aí, as duas posições não eram semelhantes. Por um lado, o presidente dos dragões, mesmo sendo o mais resistente a um cenário de mudança, percebera que o argentino se tornara mais um problema do que uma solução tendo em conta o contexto específico que o clube enfrentava. Por outro, o treinador, assumindo que muita coisa teria de mudar, entendia que gozava da margem suficiente para dar a volta caso conseguisse um mercado que lhe trouxesse o que mais necessitava. Mais: estava agarrado a uma garantia da SAD de que iria começar a época de 2025/26. Não ia. Não vai. E mesmo sem assinar a rescisão, o sucessor estava a ser trabalhado.
Villas-Boas tinha na mesa mais dois cenários. Um, aquele para onde até poderia estar mais inclinado numa fase inicial de transação, apontava para alguém que estivesse mais identificado com os azuis e brancos, com o futebol nacional e com o momento que o FC Porto atravessa – sendo alguém que fosse “inquestionável” aos olhos dos associados e adeptos. Problema? Quem poderia reunir esses argumentos não se encontra nesta fase disponível para assumir esse compromisso. A partir daí, o plano B, que já com Anselmi tinha sido A, estava em marcha. E a hipótese A dentro desse mesmo plano estava agora disponível para conversações.
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Bem-vindo, Francesco Farioli ???? #SeguimosJuntos @france_fario
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Martín Anselmi era um dos nomes “fora da caixa” pensados pela administração da SAD quando Vítor Bruno acabou por deixar o clube, numa rescisão onde fechou contas abdicando de mais de metade do que estava escrito em contrato. No entanto, e à cabeça, estava Francesco Farioli. O italiano era o técnico que Villas-Boas (restante estrutura do futebol) apontava como o ideal para fazer uma viragem de paradigma no futebol dos azuis e brancos mas tinha uma cláusula de rescisão proibitiva no contrato com o Ajax – além de estar na luta pela Eredivisie, que viria a perder nas últimas rondas para o PSV apesar da boa vantagem que teve. A hipótese que nunca chegou a ser hipótese não desviou a atenção do FC Porto do jovem transalpino.
Agora, a partir de 30 de junho, tudo seria diferente. Quando chegou à Invicta vindo de Amesterdão na noite de quinta-feira, com a notícia da morte de Diogo Jota e André Silva a dominar por completo a atualidade nacional e mundial do futebol, Farioli, acompanhado pela família e de cachecol azul e branco ao pescoço tal como a mulher e os filhos, estava com o passe na mão para assinar a custo zero, o que facilitou um acordo por dois anos entre as partes. Houve um contacto inicial com o agente do italiano, uma resposta a abrir a porta a conversações, reuniões para definir o projeto desportivo e um alinhamento fácil de alcançar, com outros pontos por definir a ficarem fechados em breve como a entrada de Lucho González, antigo capitão do FC Porto, na equipa técnica a par de outros nomes como Lino Godinho, Osman Kul ou Callum Walsh.
Ciao, Francesco ????
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Faltava apenas a confirmação do acordo entre FC Porto e Francesco Farioli, “retardada” por respeito a todas as cerimónias fúnebres de Diogo Jota e André Silva, depois das palavras de André Villas-Boas a assumir uma época “frustrante” de 2024/25, no habitual artigo de opinião escrito na revista mensal Dragões.
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“Finda agora uma época desportiva que, sem rodeios, ficou aquém das expectativas que sempre temos para o nosso clube. O compromisso de trabalho sério, rigoroso, com foco nos resultados, a ambição e o compromisso com a vitória não se fizeram sentir de uma forma transversal e os resultados não apareceram. Temos que assumir, sem rodeios, que a época 2024/25 foi, no seu todo, uma época frustrante, apesar da conquista da Supertaça. O balanço desta época é, portanto, de insatisfação e revolta. Pelas expectativas goradas, pela inconsistência, por nunca termos sentido a confiança para alcançar as vitórias que nos colocassem no lugar que devemos ocupar. Para que o façamos, é fundamental identificar os problemas que nos impedem de atingir esses objetivos, fazer o devido diagnóstico e desenhar e executar o plano que nos vai permitir alcançá-los. No FC Porto a exigência e o compromisso com a vitória são inegociáveis e é por isso que estamos a dar início a um processo de renovação funcional e organizacional da área desportiva que levou à saída do treinador Martín Anselmi, a quem desejamos as maiores felicidades”, frisou o líder dos portistas.
O Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD (“FC Porto”) informa o mercado, os seus Associados, Adeptos e Simpatizantes, bem como o público em geral, que chegou hoje a acordo e celebrou contratos de trabalho com Francesco Farioli como treinador da sua equipa principal de futebol, bem como com a restante equipa técnica, válidos até ao final da época desportiva 2026/27.”
Antigo guarda-redes em clubes modestos, o italiano de 36 anos, que estudou Filosofia e Ciências do Desporto na Universidade de Florença, Farioli começou como técnico de guarda-redes no Margine Coperta antes de passar para o Fortis Juventus e para o Lucchese. Foi aí que chegou o convite que lhe mudaria a vida, com a chegada à Aspire Academy do Qatar, onde comandou a equipa Sub-16 e teve oportunidade de trabalhar com Roberto De Zerbi, com quem passaria a trabalhar no Benevento e no Sassuolo. Em 2021 o transalpino teve a primeira oportunidade como treinador principal nos turcos do Fatih Karagümrük, merecendo depois disso a aposta do Alanyaspor. Nas duas últimas temporadas, Farioli passou pelos franceses do Nice e pelos neerlandeses do Ajax, onde confirmou as boas indicações que deixara no passado.
Um apaixonado pelo futebol ???? @france_fario#SeguimosJuntos
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“O novo timoneiro do FC Porto nasceu há 36 anos numa pequena localidade na região da Toscana e tem um percurso de vida diferente do habitual. Mesmo sendo um apaixonado pelo futebol e antigo praticante amador, Francesco Farioli nunca abandonou a vida académica e licenciou-se em Filosofia na Universidade de Florença. Adepto do desporto-rei e estudioso da ciência que aborda as questões fundamentais da existência, o italiano publicou uma tese sobre a estética do jogo e o papel dos guarda-redes, na qual defende que o futebol é um reflexo da vida e cita os mais reputados treinadores e pensadores para explicar que o foco de um líder tem de estar no melhor para a equipa. A teoria passou à prática em 2009, altura em que concluiu os estudos e começou a treinar os guarda-redes do Margine Coperta. Seguiram-se passagens pelo Fortis Juventus e pelo Lucchese, da Serie C, antes de rumar ao Catar para trabalhar na Aspire Academy e nas seleções jovens locais”, começa por salientar o FC Porto numa nota oficial publicada no seu site.
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“Impressionado com um artigo sobre o Foggia publicado por Franceso Farioli no Wyscout – a maior plataforma mundial de observação de jogadores –, Roberto De Zerbi entrou em contacto com o compatriota e convidou-o a integrar a equipa técnica do Benevento em 2017/18. A dupla continuou junta nas temporadas seguintes, já no Sassuolo, e só se separou em 2020, quando o assistente iniciou o percurso a solo na Turquia. Após uma curta passagem pelo Alanyaspor, ainda como adjunto, Francesco Farioli foi apresentado no Karagümrük e, aos 30 anos, tornou-se o segundo italiano mais novo de sempre a treinar ao mais alto nível. Na época seguinte recebeu outro convite do Alanyaspor, desta feita para liderar a equipa técnica, alcançou as meias-finais da Taça, obteve a melhor classificação (5.º) e bateu o recorde de pontos (65) do emblema turco no campeonato”, prosseguem os azuis e brancos no resumo de carreira apresentado aos adeptos.
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“No verão de 2023 mudou-se para Nice e continuou a obter resultados positivos: não perdeu nas primeiras 13 rondas, sofreu apenas 29 vezes, consagrou-se como a melhor defesa da Liga Francesa após manter a baliza a zeros em 17 jornadas e qualificou-se para a Liga Europa. Só o Inter de Milão (22), o Bayer Leverkusen (24) e o Real Madrid (26) – então campeões de Itália, Alemanha e Espanha – consentiram menos golos nas cinco principais ligas. A boa campanha no Sul de França levou-o para os Países Baixos. O primeiro estrangeiro a orientar o Ajax desde 1998 recolocou o clube de Amesterdão na Liga dos Campeões com o melhor registo defensivo no campeonato: 32 golos sofridos (menos 29 do que em 2023/24) e 16 folhas limpas (mais 11). Com um italiano no banco pela primeira vez, o Ajax igualou o recorde de jogadores utilizados (37) e superou o de golos marcados por suplentes (21), ganhou todos os clássicos contra o PSV e o Feyenoord para a Eredivisie – apenas pela quarta vez na história –, obteve uma média de 2,29 pontos por jornada – uma das melhores do século – e terminou com 78, mais 22 do que na época anterior”, concluiu.