Foi no início de agosto de 2023, a poucos dias do arranque do Campeonato do Mundo para que estava convocado, que Ricky Rubio anunciou que tinha de parar. Foi honesto e não entrou em rodeios, revelando desde logo que tinha de “cuidar da saúde mental”. Quase dois anos depois, o basquetebolista espanhol decidiu abrir o livro e contar tudo o que realmente se passou naquele verão.
Numa brutal entrevista ao programa “Lo de Évole” do canal laSexta, Ricky Rubio começou por assumir a própria introdução e deixou bem claro qual era o seu propósito: “Acabar com a ideia de que sou um falso, uma vez mais”. “Quero ter a sensação de que tenho tudo controlado e não tenho. Tenho a sensação de que com 14 anos, quando isto tudo começou, tinha de seguir um guião. Para quem escrevo isto? Para os rapazes e as raparigas que estão a começar a jogar e para os que não e também para os adultos. Somos um espelho em que se olham. E temos de lhes contar toda a verdade, não só a bonita. Cuidem-se muito, sobretudo mentalmente. A cabeça é muito lixada e não sabes o que vai acontecer. Tens de estar preparado”, atirou.
???? "Me gustaría jugar al baloncesto sin ser Ricky Rubio"
El jugador reflexiona ante @jordievole sobre su futuro#LoDeRickyRubio pic.twitter.com/m6Pj6uGaYE
— laSexta (@laSextaTV) July 6, 2025
Aos 34 anos, o jogador natural de El Masnou ainda teve uma breve e infrutífera passagem pelo Barcelona este ano, mas voltou a deixar o desporto e ainda não sabe dar uma resposta concreta sobre um eventual fim de carreira. Depois de dar nas vistas precisamente nos catalães, Ricky Rubio chegou à NBA em 2011 para representar os Minesotta Timberwolves, passando depois por Utah Jazz, Phoenix Suns e Cleveland Cavaliers. Em 2019, conquistou o Campeonato do Mundo com Espanha, sendo mesmo eleito o MVP da competição.
Um percurso de enorme sucesso que, em Espanha, só pode ser comparado a Pau Gasol nas últimas décadas — e que acabou por levar Ricky Rubio ao limite depois da morte da mãe e de uma lesão grave, atingindo um “lugar escuro” no tal verão de 2023. “Tive um pensamento muito difícil e não quero nada magnificá-lo, mas houve uma noite num hotel em que disse: ‘Não quero continuar e nem é com o basquetebol, é com a vida’. Tenho uma família, tenho um filho… Mas pensei nisso por um segundo, notei que algo estava a tomar o controlo de mim mesmo. E aí entendi toda a gente, os que estão em momentos de êxito e tragicamente tiram a própria vida ou as pessoas normais que dizem que não podem continuar… Porque há um momento em que tudo pesa tanto. Quando disse que tinha de parar senti que tinha morrido e que a minha vida não tinha sentido”, confessou.
Depois de três dias quase sem dormir e “a sonhar com coisas obscuras”, o atleta espanhol ligou à mulher e pediu ajuda. “Disse-lhe que tinha de me ajudar a fazer as malas. Riu-se e disse-me para irmos dar uma volta. Mas repeti e disse-lhe: ‘Não consigo fazer as malas, não consigo ir embora sozinho, tens de me ajudar'”, contou. “Para mim nunca nada era suficiente. Um dos espelhos para que mais olhei era o Pau Gasol, por tudo o que alcançou, e sempre achei que tinha de superar a carreira dele”, acrescentou o basquetebolista.
Sobre a possibilidade de voltar a jogar, nem Ricky Rubio sabe o futuro. “Gostaria de jogar basquetebol sem ser o Ricky Rubio, mas isso é impossível. Quero jogar basquetebol, mas não consigo. A resposta é cada vez mais clara, mas também sabemos que não temos todas as respostas. Nem eu sei”, terminou.