Não era a primeira vez que Francesco Farioli andava pelo Porto, nem por isso deixava de ser uma primeira vez para Francesco Farioli. O técnico italiano esteve há três anos na Invicta para ver o encontro entre os azuis e brancos e o Inter, a contar para os oitavos da Liga dos Campeões. Aí, os dragões acabaram por não ir além de um nulo, que valeu a eliminação depois da derrota em Milão pela margem mínima, mas ficou vincada a marca daquilo que é o clube, a identidade e o ADN que valeu todos os títulos nas últimas quatro décadas. Foi isso que voltou a marcar a apresentação do italiano como novo treinador do FC Porto, num contrato válido até junho de 2027 e com uma cláusula de rescisão de 15 milhões de euros. É por aí que André Villas-Boas e Farioli pretendem começar a construir uma nova era no Dragão. É por aí que vão procurar títulos.
O filósofo para mudar uma filosofia: quem é Farioli, confirmado como novo treinador do FC Porto
“É com muito gosto que vos apresento Francesco Farioli. Esta é uma escolha ambiciosa, um treinador no qual acreditamos muito. Tem um percurso explosivo no futebol europeu, com rendimento, sucesso e visão. Escolhemos o Francesco para atacar as próximas duas temporadas, especialmente a primeira. Da parte do FC Porto, iremos colocar à disposição todos os meios necessários, esse é um compromisso que assumimos contigo. Iremos continuar a fazer alterações profundas, renovar o nosso plantel. Temos a demonstração do que é uma equipa à FC Porto. Estamos seguros de que terás essa equipa. Estou seguro de que serás um sucesso absoluto. Bem vindo ao FC Porto”, começou por referir André Villas-Boas, presidente do clube.
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“Presidente, obrigado pelas palavras e pela responsabilidade que me deu. Para nós é um privilégio estar aqui a representar um clube icónico em Portugal e na Europa. Tudo avançou muito rápido, temos muito trabalho para fazer e avançamos desde o primeiro momento com ambição, temos muitos objetivos. É o sítio certo e a fase certa para a próxima fase da minha carreira. Temos muita ambição e desejo de provar a nossa paixão, de recuperar a mentalidade que queremos ver nesta equipa e devolver o FC Porto ao seu lugar”, salientou o técnico transalpino, que tinha auricular na apresentação para receber a tradução em simultâneo em português ou inglês e que fez questão de responder em inglês e não italiano para facilitar o entendimento.
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“A oportunidade é ótima, o clube é um histórico. Vemos as imagens, os troféus, a própria história do clube. O que o presidente fez, o que Mourinho fez… O clube representa muito em termos de mentalidade, espírito. Estive aqui há três anos a ver um jogo da Champions com o Inter [2023] e recordo-me dos últimos minutos em que encurralaram o Inter, conseguiram dar a volta ao jogo. É isso que nós queremos. Ainda não me conhecem bem mas sou muito apaixonado, quero representar uma equipa com esta mentalidade e este espírito. Nos treinos vamos ter padrões claros e elevados. Não temos tempo para perder nada, queremos ganhar e ter sucesso. Temos de estar ao mais ato nível”, frisou depois na primeira pergunta da conferência.
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“Queremos trazer esse espírito. Sou muito apaixonado, gosto de ser alguém muito ativo no banco. Com uma mentalidade forte, com níveis altos de intensidade porque pagamos o preço de tudo o que fazemos a este nível e não podemos deixar nada para trás. Maior desafio da carreira? Adoramos ganhar e o que é claro é que sei o que é preciso para ganhar e ser competitivo e é isso que queremos trazer de volta. O caminho que temos de fazer é longo, acreditamos que vamos jogar mais do que 50 jogos, o que significa ir longe nas várias competições. Temos de começar a partir do dia 11 com união e espírito. Há uma palavra portuguesa que é mentalidade, temos de ter isso. Acredito que o lugar onde estás representa o maior desafio de sempre. Ao olhar para o futuro é preciso estar muito bem conectado com o presidente. Não posso esquecer os passos que dei, os clubes onde trabalhei, que representam muito para mim, mas estar aqui e representar esta cidade e estas cores significa muito”, salientou o transalpino, antes de falar das metas… e dos reforços.
“Estou consciente de tudo, antes de ir a qualquer entrevista para um clube faço questão de estudar os clubes. O presidente foi bastante claro desde a primeira reunião, deu-me uma análise profunda, foi duro com a época que terminou, nessa parte conectámos rapidamente sobre o que fazer. Há muitas coisas… O que fizemos nos últimos dias aqui foi tentar juntar a zona de futebol no centro de treinos. Com o presidente, o Henrique e o Tiago, estivemos juntos e ajustámos as coisas. Temos um grande alinhamento entre nós. Há o mercado, os treinos, todos vão ter oportunidade e quero dar-lhes hipóteses de se mostrarem. Não quero chegar com julgamentos prévios, quero ser honesto na avaliação”, apontou. “Reforços? Temos uma ideia clara das posições que queremos reforçar. Na minha experiência recente tive surpresas sobre um jogador que pode não atingir um certo nível e depois chega. Por vídeos e informações apaixonamo-nos por um jogador e depois demoram para se integrar. Com técnicos e ambientes diferentes as coisas podem mudar”, acrescentou.
“É normal que quando abordamos um nova época haja o desejo de ver coisas novas, uma nova forma de jogar. No final, cada treinador representa uma forma de pensar. Não me compete, nem é do meu interesse julgar o que foi feito antes. O clube tomou a decisão, é por isso que estou aqui, e faz parte do nosso percurso estarmos sempre a ser avaliados. Foi a primeira vez que não mostrei um único vídeo sobre a forma de fazer as coisas porque o presidente já sabia. Foi uma conversa de futebol e chegar a acordo. Acredito que a equipa deve ter posse de bola, controlar o jogo. Depois, com diferentes ligas e treinadores, uma das melhores partes da vida de treinador é ter uma ideia clara. Mais do que impor a ideia, é fazer com que os jogadores acreditem no que queremos fazer. É importante ter margem de adaptação. Verão muitas coisas iguais, mas haverá margem de adaptação e é isso que fará a diferença”, concluiu Francesco Farioli na apresentação.
???? “É um privilégio representar uma instituição tão icónica”
Francesco Farioli chegou à Invicta para “devolver o FC Porto ao seu lugar”.
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Estava na altura de André Villas-Boas voltar a ter a palavra para responder a três perguntas dos jornalistas presentes no Auditório José Maria Pedroto e foi nessa fase que surgiram também as principais “notícias”, não só pelas explicações sobre a opção Francesco Farioli mas também pelo assumir de mudanças no clube.
“Razões para a aposta? Não só o carisma mas o entusiasmo, a visão e a determinação de um treinador jovem mas altamente ambicioso. Discutimos muito sobre o que serão mudanças na infraestrutura, mas também do estilo de jogo do FC Porto que irá imprimir com o tempo. Tudo isto ajudou a chegar a acordo para este corpo comum de ideias e a noção de um sentido de rigor, exigência e determinação que é necessário no clube. Este compromisso com a exigência e a vitória é algo que está claro no discurso do Francesco e é algo que imediatamente o vincula com o FC Porto. No FC Porto temos um compromisso com a vitória que não se pode adiar mais. Somos um clube vencedor, queremos vencer, temos sede de vencer. Claro está que, para atingir o sucesso, serão necessários os meios. Discutimos isso amplamente e agora cabe ao FC Porto garantir esses meios ao treinador para que atinja sucesso”, adiantou o presidente dos azuis e brancos.
???? “É uma escolha ambiciosa de um treinador em quem acreditamos muito”
André Villas-Boas acredita que Francesco Farioli “será um sucesso absoluto” no FC Porto.
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“Os treinadores estão sempre vinculados aos resultados e eles ditam mudanças de projeto. A partir do momento em que se determina um caminho e uma visão, é preciso que ele aconteça sustentado na confiança, nos resultados e nas vitórias, estas também são sustentadas no método pelos treinadores. Infelizmente, isso não aconteceu nas experiências anteriores. Há uma parte que está relacionada com algumas mudanças no plantel do FC Porto, com alguns reforços que irão natural e obrigatoriamente acontecer para trazer os meios necessários para atingir esse sucesso. Não havia dúvidas nenhumas que no princípio da época passada acreditávamos que a equipa que pusemos à disposição do treinador”, adiantou Villas-Boas.
“Como viram recentemente, o FC Porto foi obrigado a operar o mercado de janeiro de determinada forma para se manter viável enquanto instituição e organização. Há uma parte de compromisso desportivo que perdemos por conta da sustentabilidade financeira do FC Porto e a sua sobrevivência enquanto clube e instituição. Agora temos a facilidade de operar no mercado, porque podemos amortizar todos os investimentos que vamos fazer num longo prazo e porque temos muita crença no trabalho que estamos a fazer a nível de organizativo. Isso vai permitir outro nível de investimento que nunca tivemos. Poderemos estar perante o maior mercado de sempre da história do FC Porto. Essa é a aproximação que temos de ter. Queremos ter um alinhamento estratégico das necessidades que o treinador vai observar agora nestas semanas e, a partir daí, atacar e fechar os alvos necessários para que o clube obtenha sucesso”, frisou.
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Por fim, o líder dos dragões abordou também a possibilidade de Lucho González, antigo capitão dos azuis e brancos, regressar ao clube como membro da equipa técnica de Farioli. “A presença Porto sempre se fez sentir nas equipas técnicas. Foi assim nos meus anos, de José Mourinho, de Jesualdo Ferreira, de Vítor Pereira e muitos outros treinadores. Não terá sido esse o caso recentemente mas é algo que estamos a olhar com determinação. Não posso negar que falamos com Lucho González no sentido do regresso, nem garantir que o processo esteja terminado para que o mesmo incorpore esta equipa técnica. Queremos trazer tudo o que é cultura, mística e representação FC Porto dentro do balneário. O mister também está de acordo que isso é uma facilidade e que valoriza a relação com os jogadores. Nesse sentido, iremos tentar chegar a bom porto nesta negociação. Não sendo possível, iremos procurar outros perfis”, assumiu.